Golpe de 1964: Meio século em prosa necessária

Feito presidente da República pelo Golpe, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco é saudado em continência militar por seus generais
Feito presidente da República pelo Golpe, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco é saudado em continência militar por seus generais

 

“hoje podemos nos lembrar de que setores significativos da sociedade apoiaram a derrubada de João Goulart (…) as Marchas da Família com Deus pela Liberdade expressaram efetiva insatisfação das classes médias urbanas, não resultando apenas da ‘manipulação’ propagandística (…) alguns estudantes apoiaram o golpe de 1964. Por tudo isso, o golpe de Estado, outrora chamado de ‘militar’, tem sido melhor designado como ‘civil militar’”

Em 19 de março de 1964, 13 dias antes do Golpe,  diante à Catedral da Sé, em São Paulo, uma multidão com cerca de 500 mil pessoas se reuniu na Marcha da Família com Deus pela Liberdade,  que pediu a deposição do presidente João Goulart
Em 19 de março de 1964, 13 dias antes do Golpe, diante à Catedral da Sé, em São Paulo, uma multidão com cerca de 500 mil pessoas se reuniu na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que pediu a Deus e aos militares a deposição do presidente João Goulart

 

Carlos Fico
Carlos Fico

Os riscos de uma leitura vitimizadora do golpe de 1964

Por Carlos Fico (*)

 

O golpe de 1964 é muito citado, mas pouco pesquisado. A literatura especializada usualmente o menciona como a culminância dramática da trajetória de João Goulart ou como o episódio inaugural da ditadura. Hoje, temos uma historiografia crescente sobre os 21 anos dos governos militares, mas o golpe em si não é o objeto preferencial de tais pesquisas. Entretanto, ele é o “evento-chave” da história do Brasil recente: naquele momento, parcelas significativas da sociedade brasileira aceitaram uma solução autoritária para os problemas que afligiam o país. Podemos assegurar que estamos livres dessa “tentação”? Estudos verticalizados sobre o golpe nos ajudariam a responder a esta pergunta.

Não houve grandes revelações desde as últimas contribuições da historiografia conhecidas há mais de três décadas. De fato, os principais “achados” sobre 1964, especificamente, foram divulgados nos anos 1970 e 1980: a descoberta da “Operação Brother Sam” (o apoio norte-americano ao golpe), por Phyllis R. Parker, em 1976; o livro “O governo João Goulart”, de Moniz Bandeira, publicado em 1978 e a obra magistral de René Armand Dreifuss, de 1980, “1964: a conquista do Estado”, que deslindava, com documentos inéditos, a campanha de desestabilização de que João Goulart foi vítima.

Certamente não se deve reduzir a pesquisa histórica à busca de revelações chocantes, mas seria ingênuo não reconhecer sua importância. Nesse sentido, não é difícil antecipar que significativas informações surgirão a partir da pesquisa de novas fontes documentais — e elas são muitas. Os documentos outrora sigilosos, no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países, vêm sendo revelados paulatinamente. Por exemplo, encontra-se em curso, neste momento, pesquisa documental sobre a comissão que cuidou dos primeiros inquéritos policiais militares (IPMs) logo após o golpe. Do mesmo modo — conforme a legislação norte-americana —, a importante documentação do governo daquele país vai aos poucos sendo liberada. Amplo projeto de digitalização desses documentos, conduzido por historiadores do Brasil e dos EUA, encontra-se em andamento. Militares e políticos brasileiros tinham conhecimento da “Operação Brother Sam” e esta revelação virá inevitavelmente.

As principais teses explicativas sobre o golpe também foram divulgadas há muito tempo. Duas delas são clássicas. Alfred Stepan publicou, em 1969, a interpretação segundo a qual a singularidade de 1964 residiria na mudança do padrão de intervenções militares: em vez de apenas corrigir os rumos e devolver o poder aos civis, os militares, na ocasião, estariam convencidos de que deveriam assumir integralmente o poder. A leitura de Wanderley Guilherme dos Santos, divulgada em 1979, é mais sólida porque amparada em expressiva pesquisa empírica: o golpe de 1964 se explicaria em função de uma “paralisia decisória”, isto é, a radicalização dos atores políticos impediria qualquer tomada de decisão. Outra contribuição importante e mais recente contrapôs-se à leitura marxista segundo a qual os militares eram mero “instrumento” da burguesia: a preocupação em valorizar o que os próprios oficiais pensavam motivou a equipe do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) a realizar significativas entrevistas com eles, publicadas em 1994, por meio das quais podemos conhecer sua própria interpretação sobre o golpe.

Boa parte dos projetos de pesquisas que se candidatam aos mestrados e doutorados em História, Brasil afora, dizem respeito aos diversos temas do regime militar. O notável avanço da pós-graduação em nossa área, nas últimas décadas, tem permitido um conhecimento mais detalhado do golpe e da ditadura a partir de uma perspectiva regional — pois, até recentemente, dispúnhamos de leituras que abordavam, sobretudo, o que houve no Sudeste e em Brasília.

O distanciamento histórico é essencial para que possamos abordar questões delicadas, temas tabu. Talvez se possa dizer que o maior avanço da historiografia recente consista nessa busca de objetividade: hoje podemos nos lembrar de que setores significativos da sociedade apoiaram a derrubada de João Goulart. Jovens pesquisadores têm dado grandes contribuições: Aline Presot comprovou que as Marchas da Família com Deus pela Liberdade expressaram efetiva insatisfação das classes médias urbanas, não resultando apenas da “manipulação” propagandística. Mateus Capssa mostrou que alguns estudantes apoiaram o golpe de 1964. Por tudo isso, o golpe de Estado, outrora chamado de “militar”, tem sido melhor designado como “civil militar”. Historiadores como Daniel Aarão Reis e Denise Rollemberg têm chamado a atenção para isso. A serenidade possibilitada pelo recuo temporal e a grande quantidade de novas fontes documentais nos permitem antever um futuro muito promissor para as pesquisas sobre o golpe de 1964.

Isso é essencial. Se entendermos o golpe apenas como o episódio que iniciou uma ditadura brutal, correremos o risco de construir leitura romantizada, segundo a qual a sociedade foi vítima de militares desarvorados. Quando a historiografia mais ousada se contrapõe a essa leitura vitimizadora, ela não está propondo um “revisionismo reacionário” que buscaria eximir de culpa os golpistas. Apenas se trata da reafirmação de algo óbvio: não há fatos históricos simples. Entender porque uma solução autoritária foi de algum modo aceita naquele momento pode servir para exorcizarmos a sociedade brasileira do autoritarismo que tantas vezes vitimou a história de nossa República.

 

(*) Historiador, professor da UFRJ e autor dos livros “Além do golpe — Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar” e “O grande irmão — Da Operação Brother Sam aos anos de chumbo”

 

Queda de um motociclista da FAB, que escoltava a comitiva da Rainha Elizabeth II em sua visita ao Rio de Janeiro,, em 1965 (foto do mestre Evandro Teixeira)
Queda de um motociclista da FAB, que escoltava a comitiva da Rainha Elizabeth II em sua visita ao Rio de Janeiro,, em 1965 (foto do mestre Evandro Teixeira)

 

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Este post tem 7 comentários

  1. Herval Guimarães

    O Brasil pede socorro: a pregação totalitária de Jandira Feghali
    Por Luciano Ayan – Mídia Sem Máscara
    Jandira comunista

    Quando alguém gera um conteúdo para a guerra política, resultados são obtidos, sejam eles favoráveis ou não. Há um peso naquilo que escrevemos ou publicamos, por qualquer meio ou formato. Constatações óbvias como essa deveriam nos levar a ter mente os frames que usamos, os rótulos que impomos (e/ou aceitamos) e as reações que causamos.

    O vídeo “A pregação totalitária de Jandira Feghali” da série O Brasil Pede Socorro é um dos melhores que vi recentemente, feito para denunciar a sanha totalitária da extrema-esquerda.

    A característica mais importante que vi é o efeito Karate Kid. Para quem não se lembra, o filme de 1984, dirigido por John G. Avildsen, causava um efeito interessante na plateia: fazia grande parte dela se inscrever em uma academia de karatê logo após terem visto o filme.

    O que precisamos, na confecção de conteúdo para a direita, é gerar efeito similar. Isto é, ao final de lermos ou assistirmos algo, ficar com vontade de partir para a ação. Esta ação pode ser de várias formas, incluindo a militância nas redes sociais, a confecção de vídeos no YouTube, a promoção de uma manifestação e o que valha.

    Para termos esse efeito, é preciso deixar clara uma situação de conflito. Observe os grandes campeões de audiência do cinema e sempre você verá um herói em conflito, contra um ou mais vilões, e enfim a superação deste conflito. Note que a superação do conflito é apenas o resultado final, pois o que atrai o público é a expectativa de superação do conflito.

    No vídeo, a mera exposição dos discursos dos líderes do PT e, especialmente de Jandira Feghali (líder do PCdoB, o que dá no mesmo), serve para mostrar que estamos diante de pessoas extremamente maquiavélicas e cínicas, cujo grau de vileza muitas vezes é até difícil de ser expressado. Jandira Feghali, exposta por suas próprias palavras, é visualizada como uma pessoa realmente má.

    Observe a reação dos comentaristas do vídeo, e, em muitos casos, essa é a percepção do público. Estamos diante dos seres mais abjetos da face da Terra, promovendo uma das iniciativas mais abjetas possíveis (o uso do estado para silenciar oponentes) e não é possível que as pessoas decentes fiquem impassíveis diante disso.

    Por isso, peço que divulguem este vídeo ao máximo. Mais ainda: é importantíssimo (e urgente) que criemos mais conteúdo neste sentido, sempre em defesa da democracia, e expondo a extrema-esquerda como a promotora oficial do totalitarismo marxista e fascista.

    Segue abaixo o vídeo:
    https://www.youtube.com/watch?v=cZhp_kdQPJk

    =======

    A líder da campanha de censura governista e seu restaurante

    Conforme vemos na matéria do Globo, Jandira Feghali, a mais radical proponente de censura governista da atualidade, tem um restaurante no Rio de Janeiro.

    Segundo a matéria, o restaurante árabe Líbano Rio Express funciona desde agosto na Zona Sul. Junto com seus dois sócios, ela planeja abrir mais dois restaurantes ainda este ano. Ambos na Zona Sul. Já poderíamos perguntar: por que não abrir na Baixada Fluminense? Será que ela tem “nojinho” de pobre?
    Os sócios de Jandira no Líbano Rio Express são seu irmão Ricardo Feghali (membro da banda Roupa Nova) e Omar Peres, empresário que possui outros restaurantes, como La Fiorentina e Sindicato do Chopp.

    O investimento por trás do Líbano Rio Express foi de 400 mil reais. E para provar que o “comunismo” de Jandira é só da boca pra foca, ela tem ambições com o negócio. Segundo ela, seu objetivo é mudar o hábito do carioca de pedir delivery de pizza por quibes e esfirras. Diz Jandira: “O Rio Líbano Express vai ser ‘o’ restaurante árabe da cidade”.

    Seria interessante visitar o restaurante e perguntar aos empregados de Jandira se o lucro é dividido igualmente entre eles ou se existe mais-valia no cálculo (créditos da questão para Alexandre Borges no Facebook). Seriam os empregados de Jandira “oprimidos” por uma patroa “opressora”? O que muda quando a patroa é uma comunista? Será que ela cobra dos clientes mais do que o preço de custo?

    Cada vez mais fica fácil mostrar que comunismo não passa de um discurso usado por pessoas mais espertas se aproveitando de uma legião de militantes que não ganham nada com isso…

    http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/15079-2014-03-31-20-04-21.html

  2. Herval Guimarães

    Censura petista: Críticos do governo, jornalista Paulo Martins é retirado de telejornal; Procuradoria Geral da República aceita pedido de deputada comunista Jandira Feghali contra Rachel Sheherazade
    A censura ditatorial bolivariana do PT bate às portas!
    O fim da liberdade já é uma realidade no Brasil!

    Além do Marco Civil, ditadura comuno-petista irá perseguir e amordaçar todos que criticarem seu regime também na Tv!
    Vejam só…

    O jornalista Paulo Eduardo Martins foi retirado da bancada do Jornal da Massa SBT do Paraná.

    Pelo jeito Ratinho não aguentou a pressão dos petralhas… imagine o PT mandar o MST invadir suas fazendas?
    https://www.youtube.com/watch?v=rB-s9AcpZMg
    https://www.youtube.com/watch?v=E314PjrY_ZA

    Rachel Sheherazade também está sendo alvo da mordaça comunista…

    Procuradoria Geral da República aceita pedido de deputada para investigar SBT
    Um pedido de investigação movido pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) contra o SBT foi aceito nesta quinta-feira (27/3) pela Procuradoria Geral da República. A parlamentar exige que a concessão da emissora paulista seja reavaliada, por conta dos comentários da jornalista Rachel Sheherazade no “SBT Brasil”.

    https://www.youtube.com/watch?v=p_F9NwIx66Y

  3. Herval Guimarães

    Professor é impedido de criticar o comunismo em sua aula

    Vejam como agem os comunistas, esses seres jurássicos que ainda procriam e se espalham, colocando em xeque a teoria da evolução darwinista. São tolerantes, democratas, a favor do debate aberto. Só que não! São autoritários, intimidam quem pensa diferente, querem calar o contraditório no grito. Impediram uma aula sobre as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Invadiram a sala e humilharam o professor. É apenas assim que sabem agir: covardemente e em bando:

    https://www.youtube.com/watch?v=IBnnAIYPnkc

  4. Aluysio

    Caro Herval Guimarães,

    Freud dizia que um homem é sempre seu pai, “ou porque o confirma, ou porque o nega”. Cuidado, pois, para não encarnar em contraposição a intolerância daqueles que pretende criticar.

    Abç e grato pela colaboração!

    Aluysio

  5. Herval Guimarães

    Quando a direita reage nas universidades…
    Por Rodrigo Constantino – Veja

    Há algo novo no ar. Sinto ventos de mudança. A esquerda radical está perplexa, não sabe como reagir. Por décadas reinou absoluta nas universidades, com seus diretórios dominados, o monopólio da palavra, dos protestos e da organização de eventos. Agora não entende mais nada e cai em histeria diante de um fenômeno novo: a reação da direita!

    Vejam o que alguns alunos fizeram na UFF, antro de esquerdistas em Niterói. Pertencem ao grupo Liberalismo Conservador, e se juntaram para fazer uma arrecadação voluntária e mandar imprimir diversos adesivos. Colaram tais adesivos em cima de mensagens pichadas pelos comunistas. Eis algumas fotos:

    Quem diria?! “Menos Marx, Mais Mises” espalhado por cima de símbolos como a foice e o martelo comunista e o logotipo do PSOL. É fantástico! Sem falar que agora, ao menos, os brucutus terão escutado o nome Mises, completa novidade para eles. Trata-se do grande economista austríaco Ludwig von Mises, cujos livros representam o melhor antídoto existente contra a praga comunista.

    Esses alunos estão de parabéns pela louvável iniciativa. Que outros sigam o exemplo Brasil afora. E notem a diferença já na largada: enquanto os comunistas picham as paredes e estragam o patrimônio das universidades, os liberais colam adesivos apenas, que podem ser retirados sem dano ou estrago à propriedade. Questão de princípios e valores já no básico.

    Nesse outro caso, alunos da UFSC, outro antro de marxistas, retiraram a bandeira vermelha e hastearam a bandeira do Brasil no mastro, e em seguida cantaram o hino nacional, enfrentando a cambada de comunistas que amam mais greves do que trabalho. Emocionante. Vejam:

    https://www.youtube.com/watch?v=BrxRmqn-MgM

    A esquerda jurássica tem motivo para ficar exaltada e histérica, em polvorosa. Nunca antes da história deste país se viu tal clima crescente de reação espontânea a essa hegemonia marxista nas universidades, que ninguém aguenta mais!

    http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/educacao/quando-a-direita-reage-nas-universidades/

  6. Herval Guimarães

    A História proibida
    Por Olavo de Carvalho – Mídia Sem Máscara

    Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles?

    Carl Schmitt definia a política como aquele campo da atividade humana no qual, não sendo possível nenhuma arbitragem racional dos conflitos, só resta juntar os amigos e partir para o pau com os inimigos. Invertendo a célebre fórmula de Clausewitz, a política tornava-se assim uma continuação da guerra por outros meios. Nessa perspectiva, o que quer que se dissesse a respeito deveria ser julgado não por sua veracidade ou falsidade, mas pela dose de reforço que desse aos “amigos” e pelo mal que infligisse aos “inimigos”.

    A quase totalidade da bibliografia nacional sobre o golpe de Estado de 1964 segue rigorosamente essa receita. A hipótese de discutir racionalmente os argumentos dos golpistas é afastada in limine como “extremismo de direita” ou como adesão retroativa ao movimento que, com forte apoio popular, derrubou João Goulart e inaugurou a era dos presidentes militares. A única função que resta para o historiador é, portanto, reforçar o elemento macabro na lista dos crimes de um dos lados e enaltecer os do outro lado como boas ações incompreendidas.

    A universidade brasileira tem nisso uma das suas principais missões educacionais. Não espanta que para cumpri-la tenha tido de reduzir mais de cinqüenta por cento dos seus estudantes ao estado de analfabetismo funcional,[1] tornando-se assim uma organização criminosa empenhada na prática da fraude em grande escala.

    A ciência política começou quando Sócrates, Platão e Aristóteles inauguraram a distinção entre o discurso do agente político e o do observador científico. Essa distinção não poderia ser mais clara nem mais incontornável: o primeiro destina-se a fazer com que determinadas coisas aconteçam, o segundo a compreender o que acontece. O próprio agente político, quando fala entre amigos, tem de ser um pouco cientista para dar a eles uma visão realista do estado de coisas antes de lhes dizer o que devem fazer. Levada às suas últimas conseqüências, a regra schmittiana resulta em suprimir toda possibilidade de um conhecimento objetivo do estado de coisas e em meter os amigos numa enrascada dos diabos. Ninguém praticou isso com mais dedicação do que os comunistas, que por isso mesmo acabaram matando mais comunistas do que todas as ditaduras de direita reunidas e somadas. Até hoje ninguém contestou satisfatoriamente a minha assertiva de que nos anos 30-40 do século passado um marxista de estrita observância teria maior probabilidade estatística de sobreviver na Espanha de Franco ou no Portugal de Salazar do que em Moscou.

    Quase toda a bibliografia nacional sobre o golpe de 1964 e sobre o regime militar que se lhe sucedeu só tem, portanto, o valor de um documento bruto sobre a visão que uma das facções em luta tinha (e tem) dos acontecimentos. Como estudo científico-objetivo, não vale nada. Que alguns poucos livros se oponham a essa uniformidade consensual não melhora em nada a situação, pois expressam antes a reação enfática de uma minoria indignada do que um sério desejo de compreender o que se passou. E a desproporção entre ataque e defesa se torna ainda mais significativa porque – notem – os governos militares, com todos os recursos que tinham à mão, não espalharam um volume de propaganda anti-Goulart – ou anticomunista — que chegasse a um milésimo do que se escreveu e publicou contra eles depois que foram alijados do poder. Mesmo em plena ditadura, a produção de livros e jornais contrários ao regime, muitos abertamente pró-comunistas, já ultrapassava de longe o volume modesto da propaganda oficial, sem contar o fato de que esta se limitava a patriotadas genéricas e inócuas sem nenhum teor de ataque ou denúncia. O governo, enfim, cedeu à esquerda o monopólio do uso da linguagem, e o fez precisamente nos anos em que os setores mais hábeis do movimento comunista, em vez de se suicidar nas guerrilhas, liam Antonio Gramsci e se empenhavam em ocupar espaços na mídia e nas universidade para aí empreender a grande guerra cultural contra um adversário que a ignorava por completo.

    É inteiramente normal que no dia seguinte à queda de um regime ele seja demonizado, mas é ainda mais normal que a passagem do tempo favoreça abordagens mais realistas e equilibradas. Este ano o golpe de 1964 completa meio século de história, e não só a indústria da vituperação continua cada vez mais próspera, alimentada agora por uma cornucópia de verbas estatais, mas o simples impulso de sugerir alguma moderação ou de pedir equanimidade na averiguação dos delitos de parte a parte é recebido como virtualmente criminoso e digno de punição. Muitos acusam nele, abertamente, a preparação de um outro golpe, o anúncio de uma nova ditadura, e, com base nesse hiperbolismo forçado até o último grau, legitimam o uso de meios ditatoriais para evitá-la.

    Num país onde setenta mil cidadãos são assassinados por ano, a morte de quatrocentos terroristas meio século atrás é ainda alardeada como o mais terrível – e o mais recente – dos traumas históricos possíveis. Chega-se mesmo a exclamar que o Brasil só não encontrou o caminho da perfeita democracia porque os “crimes da ditadura” ainda não foram suficientemente investigados e denunciados. [2]

    Nessas condições, não é de estranhar que aspectos fundamentais da história daquele período fossem varridos para baixo do tapete, sufocados e proibidos, como se nunca tivessem existido e como se mencioná-los fosse o maior dos crimes. Eis alguns exemplos:

    1. Qual a dimensão real da ameaça comunista no Brasil dos anos 60? A norma geral é proclamar, a priori, que essa ameaça era inexistente ou irrisória. Mas as mesmas pessoas que assim dizem são as primeiras a apontar o grande número de oficiais comunistas e pró-comunistas que o novo regime expulsou das Forças Armadas. São também as primeiras a cantar as glórias do esquema guerrilheiro que Fidel Castro havia espalhado por todo o continente americano. Conta-se entre lágrimas a história da Operação Condor, mas evita-se cuidadosamente mencionar que ela foi apenas uma reação tardia à fundação da OLAS, a Operação Latino-Americana de Solidariedade, comando-geral das guerrilhas no continente, que já havia matado milhares de pessoas quando os governos da região decidiram juntar esforços para combatê-la.

    2. À profusão de investigações e denúncias sobre a ação da CIA no Brasil, entremeadas de mitos e lendas, corresponde, em simetria oposta, o total desinteresse ou a proibição tácita de averiguar a presença da KGB no país na mesma época. A abertura dos arquivos de Moscou, que tão profundamente modificou o panorama da sovietologia no mundo, foi recebida no Brasil como uma obscenidade da qual não se deveria falar.

    3. A balela de que as guerrilhas surgiram em reação à derrubada do presidente Goulart continua sendo repetida com a maior sem-cerimônia, mesmo sabendo-se que desde 1961 já havia no Brasil guerrilhas subsidiadas e orientadas pelo governo cubano. Nesse ponto, aliás, o simples fato de que o presidente Goulart, recebendo em mãos as provas do que se passava, escondesse tudo e remetesse em segredo a Fidel Castro em vez de mandar investigar essa ostensiva intervenção estrangeira armada, já bastava para tornar sua derrubada inevitável e até obrigatória.[3] No entanto, até hoje o golpe é carimbado como um ato de força “contra um presidente legalmente eleito”, como se Goulart tivesse sido derrubado por ter sido eleito e não por ter cometido um crime de alta traição.

    4. Qual foi exatamente a participação de exilados e de outros comunistas brasileiros na polícia política de Fidel Castro? Se o sr. José Dirceu foi oficial do serviço secreto militar cubano, é quase impossível que ele tenha sido uma exceção solitária. Quantos comunistas brasileiros foram co-responsáveis por matanças e torturas de cubanos?

    5. Passaram-se doze anos desde que divulguei neste país o livro, publicado uma década e meia antes disso, em que o chefe do escritório da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, confessava ter falsificado documentos para induzir a mídia local, com sucesso, a acreditar que o governo dos EUA havia planejado e orientado o golpe militar. Desde então nem um único jornalista ou historiador se interessou sequer em ler o livro, quanto mais em tentar uma entrevista com Bittman ou uma averiguação nos arquivos soviéticos. São, no total, vinte e sete anos de ocultação proposital.

    6. No mesmo livro, Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles? Encobertos sob o silêncio obsequioso de seus colegas e dos empresários de mídia, aqueles dentre eles que não morreram estão decerto em plena atividade, mentindo, ocultando e falsificando.

    Esses seis exemplos bastam para evidenciar que a história oficial do golpe de 1964 é criminosamente seletiva, recortada para servir de instrumento de propaganda e não para esclarecer alguma coisa. É a historiografia schmittiana em ação, ajudando os amigos e assassinando as reputações dos inimigos.

    Notas:
    [1] http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/

    [2] V., por exemplo, Leandro Dias, “Fascismo à brasileira”, em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/01/fascismo-brasileira.html

    [3] V. http://www.olavodecarvalho.org/semana/semfim.htm

    Veja como publicado:
    http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/15061-2014-03-24-19-05-45.html

  7. Herval Guimarães

    PROFESSORA ANA CAROLINE QUE DENUNCIOU DOUTRINAÇÃO COMUNISTA NAS ESCOLAS DE SANTA CATARINA DETONA EM VÍDEO ARGUMENTOS DA DEPUTADA DO PT

    http://www.youtube.com/watch?list=UU4Tb1JgVxgKvb3MGWXenC3w&v=k_2s0Pr5Hj0

    A professora catarinense Ana Caroline Campagnolo, que recentemente denunciou a doutrinação comunistas nas escolas públicas do Estado de Santa Catarina, em vídeo postado no YouTube, surpreendeu-se pelo fato de que pais de alunos encaminharam o vídeo ao deputado Kennedy Nunes. Por sua vez o parlamentar, ao ver o vídeo, considerou a denúncia tão importante que resolveu levar ao conhecimento de seus pares na Assembléia Legislativa.

    Isto foi o bastante para deixar irados os esquerdistas com assento na Assembléia catarinense. A denúncia da professora Ana Caroline Campagnolo, muito bem fundamentada, explodiu como uma bomba quando o deputado projetou o vídeo em plenário. Pôs a nu a trágica realidade do ensino público catarinense, cuja base teórica se assenta nas pregações de três vigaristas psicopatas históricos: Karl Marx, Antonio Gramsci e Paulo Freire, ou seja, o pai do comunismo, seu filhote italiano e um embusteiro brasileiro, aliás responsável pelo tremendo atraso da educação brasileira.

    O fato suscitou um discurso de viés tipicamente histérico por parte da deputada Luciane Carminati do PT. Como a professora Ana Caroline Campagnolo até hoje não foi convidada pela Assembléia para de viva voz apresentar seus argumentos, ela mesma resolveu fazer uma réplica em vídeo que acaba de ser postado no YouTube, conforme pode ser visto aí acima.

    Endosso as advertências e o candente apelo formulado pela professora Ana Caroline, aos pais das crianças: não abandonem seus filhos nas mãos desses tarados ideológicos do PT. Não são professores, são doutrinadores comunistas cuja missão é transformar as crianças em robôs do PT, fazendo delas seres idiotizados pela lavagem cerebral comunista. Hoje mesmo procure ver os cadernos de seus filhos e o que eles estão escrevendo! conforme salienta a professora.

    Ainda está em tempo do deputado Kennedy Nunes abrir espaço na Assembléia Legislativa de Santa Catarina para uma palestra da professora Ana Caroline Campagnolo. Eu estou sugerindo – que fique muito claro – uma palestra e não um debate com militantes histéricos do PT.

    Seja como for, a réplica da professora Ana Caroline no vídeo acima já está excelente e o debate sobre a doutrinação comunista nas escolas de Santa Catarina e do Brasil, está apenas começando. E acreditem: não irá parar. Não irá parar porque os brasileiros de bem e que prezam a democracia e a liberdade não se curvarão de jeito nenhuma ante o ataque comunista do Foro de São Paulo, chefiado por Lula e seus sequazes. Deixaram correr solto na Venezuela, deu no que deu: mortes, tortura, prisões, escassez de alimentos, sofrimento, desgraça, tristeza e o fim da democracia e da liberdade!

    Lá na Venezuela tudo começou de mansinho, devagar, com a doutrinação das crianças nas escolas, como está ocorrendo no Brasil agora! Pensem nisso!

    E para comprovar o que acabei de afirmar sobre a Venezuela, aqui está um exemplo neste vídeo e foto abaixo, que mostra a doutrinação das criancinhas do pré-escolar em escola pública venezuelana:

    http://www.youtube.com/watch?v=Smq_mVfQFis

    http://aluizioamorim.blogspot.com.br/2014/03/professora-ane-caroline-que-denunciou.html

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