Porque Marina pode perder, mais do que Dilma pode ganhar

Marina, Dilma e Aécio (foto de Orlando Brito)
Marina, Dilma e Aécio (foto de Orlando Brito)

 

Saulo Queiroz, empresário e ex-deputado federal
Saulo Queiroz, empresário e ex-deputado federal

Perspectivas para o segundo turno

Por Saulo Queiroz

Podem ocorrer mudanças no cenário nestes 15 dias que restam de campanha, mas pouco provável que mudará o desenho de um segundo turno entre Dilma e Marina. A reação de Aécio, tímida se considerarmos o pouco tempo restante, fica comprometida pelo seu desempenho em Minas, muito aquém da expectativa de pelo menos uma maioria em seu berço político. Para entrar no páreo, precisaria avançar pelo menos sete pontos, chegando a 24%. Representa todo o eleitorado do Centro-Oeste, algo em torno de dez milhões de votos. Aécio terá que buscar esses votos só no embornal de Marina. Muito complicado.

Vale, por isso, uma avaliação de potencial das duas candidatas na disputa de segundo turno. Comecemos por Dilma. Primeira observação importante é distinguir a eleição em que não há um candidato a reeleição daquela em que um dos contendores busca a manutenção do poder. Neste caso, onde se encaixa Dilma, a escolha do eleitor tem um caráter plebiscitário: quero ou não quero que ela continue no cargo.

Desde as convenções, seu desempenho nas várias listas do Ibope e Datafolha se manteve em uma variação pequena, entre 34% e 39%. Durante todo esse tempo, cerca de 60% do eleitorado estão dizendo que não querem reeleger a presidente. É o caráter plebiscitário.

Todavia, na simulação de segundo turno contra Marina, Dilma tem avançado bem e os números já mostram uma situação de equilíbrio. Mas isso não basta para ganhar.

O detalhe é que para o segundo turno todas as variáveis são desfavoráveis à presidente. Não há perspectivas de receber apoio de partidos que perdem no primeiro turno, caso de PSDB, DEM e PTB, que tenderão a caminhar com Marina.

Os resultados das eleições estaduais tendem a favorecer Marina.

No Rio Grande do Sul, haverá segundo turno entre Ana Amélia e Tarso Genro. Por conta da polarização natural, Ana Amélia, em nítida vantagem, deve apoiar Marina. No Paraná, existe a perspectiva de Beto Richa vencer no primeiro turno, devendo apoiar Marina no segundo. Raimundo Colombo em Santa Catarina deve também vencer no primeiro turno e apoiará a reeleição da presidente no segundo turno.

No Sudeste, o PT deve ganhar no primeiro turno em Minas e o PSDB em São Paulo. Em Minas, no segundo turno Marina poderá contar com o PSDB de Aécio, o que poderia equilibrar a disputa, e em São Paulo, se houver empenho do PSDB, Marina pode consolidar uma grande vantagem.

O segundo turno na eleição do Rio, entre Garotinho e Pezão, não ajuda Dilma, porque o atual governador é favorito e não deverá se empenhar pela reeleição da presidente. No Espírito Santo, Dilma praticamente não tem ninguém, como não tem agora.

No Nordeste, os adversários de Dilma nos dois maiores colégios eleitorais, Bahia e Pernambuco, devem vencer no primeiro turno e poderão atuar no segundo turno com muita força, de forma a reduzir ainda mais a vantagem que Dilma tem hoje na região, que é de apenas 13 pontos percentuais (53% a 40%). Nos demais estados, o resultado do primeiro turno não mudará o cenário favorável a Dilma, que deve ganhar em todos eles.

No Norte o quadro é muito favorável para a presidente nos três principais estados (Pará, Amazonas e Tocantins). No segundo turno ela deve manter nítida vantagem, bem acima de 60% dos votos válidos.

No Centro-Oeste, a vantagem de Marina no segundo turno deverá ser ampliada, porque, com exceção de Mato Grosso do Sul, seus parceiros que disputarão o governo terão desempenho nitidamente superior no segundo turno, como mostram pesquisas de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Marina, aparentemente entra no segundo turno agregando duas vantagens importantes: a simetria no horário eleitoral e o possível apoio de partidos políticos importantes, mal-sucedidos no primeiro turno, caso de PSDB e DEM, mas com vitórias importantes no primeiro turno na eleição de governador, caso de São Paulo, Paraná e Bahia. Depois a oportunidade de, com tempo de televisão reforçado, poder realmente dizer ao país o que pretende e, o que é vital.

Neste final de primeiro turno, por conta de equívocos que se repetiram, seus adversários estão conseguindo desqualificar seu preparo para o cargo e a impossibilidade de atrair quadros competentes para compor seu governo e garantir maioria confiável no Congresso. Se quiser ganhar a eleição, ela terá que desmistificar, com ações concretas, estas duas questões.

Em algumas questões terá, por isso, que arbitrar entre suas convicções pessoais e de seu partido e o senso comum da população e as regras da lei, como chamou a atenção Roberto Rodrigues no caso do Código Florestal.

Dependendo de como as coisas correrem no segundo turno, é perfeitamente possível que a vontade de mudar perca para o temor do imponderável. A atriz principal desse filme se chama Marina Silva.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Leniéverson

    Discordo dele, acredito numa grande virada do Aécio Neves.

  2. RICARDO OLIVEIRA

    Eleger DILMA novamente, é como ir ver um filme pela quarta vez e que você sabe que no final do FILME, ONDE ATÉ O MOCINHO (QUEM PAGA IMPOSTOS) MORRE NO FINAL e o VILÃO SE DÁ BEM. Ou seja uma droga de filme. Elegendo D. Marina ao menos temos a mínima esperança de o final do filme ser mais feliz. Ou todo mundo gostou de ver toda a cúpula do PT presa (tiveram 4 anos para se defender), escândalos de roubos inimagináveis na Petrobrás, nem uma USINA DE HIDRO ELÉTRICA ter sido inaugurada no Brasil nos últimos 11 anos. Todo mundo gostou deste tal voto pré-pago do PT feito através do Bolsa família para se manter no poder ao incentivar a miséria no país, fazendo o país crescer em 2 milhões de brasileiros por ano..gerando seres humanos de 6ª e 7ª categoria, não existe uma política de controle de natalidade, quanto mais pobres, mais votos para o PT e sua corja!!!!!

  3. márcia

    Entre a certeza do que vejo e não me agrada prefiro a possibilidade
    de acertar.
    Marina !

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