Rombo na Prefeitura: quem governou Campos entre 2009 e 2012?

Coincidência? Após o vereador Marcão ter anunciado na terça que iria levar sua denúncia sobre o rombo no governo Rosinha também à Procuradoria Geral de Justiça, o titular desta, Marfan Vieira, veio a Campos na quarta-feira (26) visitar a prefeita, em foto usada como principal destaque do portal da PMCG. Quem levou Marfan para Rosinha foi o promotor Marcelo Lessa, da Tutela Coletiva (foto: Secom)
Coincidência? Após o vereador Marcão ter anunciado na terça que iria levar sua denúncia sobre o rombo no governo Rosinha também à Procuradoria Geral de Justiça, o titular desta, Marfan Vieira, veio a Campos na quarta-feira (26) visitar a prefeita, em foto usada como principal destaque do portal da PMCG. Quem levou Marfan para Rosinha foi o promotor Marcelo Lessa, da Tutela Coletiva (foto: Secom)

 

De quem é o rombo? Em nota oficial, emitida na terça-feira (25) só após o vereador Marcão (PT) denunciar sua existência na Polícia Federal (PF), o governo Rosinha Garotinho (PR) afirmou que R$ 100 milhões, do rombo de R$ 109.819.539,37 encontrado numa auditoria interna de 2013, seriam na verdade de responsabilidade dos governos anteriores Carlos Alberto Campista, Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber. Porém, na introdução e na conclusão do relatório vazado da auditoria, feita a partir do decreto nº 002/2013 de 2 de janeiro de 2013, publicado em Diário Oficial, os sete auditores foram categóricos ao colocar como objetivo da investigação “apurar a regularidade das operações financeiras e contábeis procedidas pelos órgãos de Administração Direta e Indireta da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, nos exercícios de 2009 a 2012” — correspondentes ao primeiro governo de Rosinha.

Se alguma dúvida há, basta ler o primeiro parágrafo da conclusão dos auditores, mais atento às datas e informações, do que aos deslizes na gramática: “Como se depreende de tudo que foi exposto no presente Relatório e segundo o apurado pela auditoria, no período de 01 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012 a Prefeitura através das empresas D.T.V.M, ORLA, QUANTUM E ATRIUM, realizou operações de compra e venda de títulos públicos federais provocando prejuízos que requer (sic) apuração de equipe especializada e acesso a todos os documentos necessários a (sic) quantificação desses danos causados a (sic) Prefeitura”.

Ainda assim, a nota oficial da Prefeitura, mesmo sem dar satisfação sobre cerca de R$ 9 milhões do rombo auditado, afirmou “em respeito a (sic) verdade dos fatos” que “do saldo total de 109 milhões apontado pela Auditoria Financeira Interna deve-se ressaltar que R$ 100 milhões referem-se a pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores ao ano de 2009”. Sem nenhuma menção às operações de compra e venda de títulos públicos federais danosas à Prefeitura, feitas pela Prefeitura, enquanto era Rosinha a prefeita (entre 01/01/09 e 31/12/12), a nota oficial relatou que “o Tribunal de Contas do Estado (TCE) confirmou dados referentes a (sic) inconsistência de conciliação bancárias anterior a 2009, e em face disso determinou aos ex-prefeitos Carlos Alberto Campista, Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber que recolhessem os respectivos valores aos cofres públicos com recursos próprios”.

Enquanto Arnaldo e Campista não conseguiram ser localizados, nem retornaram às ligações feitas na quarta-feira (26) pela reportagem da Folha, Mocaiber contestou a versão apresentada na nota oficial de Rosinha:

— Desconheço completamente essa história de que o TCE mandou que eu devolvesse qualquer dinheiro a partir de uma auditoria feita por Rosinha. Aliás, como toda a população campista, eu também só fui saber da existência dessa auditoria depois que o vereador Marcão a denunciou. Meu governo foi o mais vasculhado na história de Campos e todas as acusações da Telhado de Vidro (operação da PF que prendeu e levou num avião negro vários integrantes do governo municipal) foram refutadas na Justiça. Pelo que ouço, o governo vive muitos problemas e eles podem piorar a partir de janeiro, quando acaba a imunidade parlamentar. Mas se o relatório da própria auditoria, feita por determinação de Rosinha, começa e termina falando que o período investigado foi de 2009 a 2012, como a prefeita pode querer agora jogar a responsabilidade sobre mim ou qualquer outro antecessor? É, no mínimo, estranho.

 

Publicado aqui, na Folha Online

 

Este post tem um comentário

  1. João carlos

    Então daí saíram as bolsas de dinheiro para reeleição dos Vereadores e novos Vereadores que são uns puxa-sacos do atual Governo e do Garotinho.

    A compra de votos foram escancaradas em nossa cidade, aos olhos de uma Justiça Eleitoral também (trecho excluído pela moderação).

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