Opiniões

Das bananas ao chuvisco, a última semana do mundo a Campos

Ponto final

 

 

Noticiário da semana

A semana que se encerra teve seus noticiários bem definidos. Em Campos, o que dominou foi a reação popular e das entidades da sociedade civil organizada contra o aumento de mais de 31% no IPTU e taxa de iluminação pública, impostos pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) e os vereadores do seu “rolo compressor”, na sessão da Câmara de terça. As exceções  governistas na defesa do bolso do contribuinte foram Jorge Magal (PR), que se absteve nas duas votações, e os vereadores do PRB Alexandre Tadeu e Dayvison Miranda, que votaram contra o reajuste da taxa de iluminação.

 

No Brasil

No Brasil, se o Petrolão tem dominado o noticiário desde o primeiro turno da eleição presidencial, mesmo que no segundo a presidente Dilma Rousseff (PT) tenha sido reeleita, a maior novidade da semana veio com a revelação na sexta, feita pelo jornal O Estado de S.Paulo, da lista de 28 políticos que teriam se beneficiado dos bilhões desviados da estatal. Segundo seu ex-diretor Paulo Roberto Costa delatou ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e o senador Lindberg Farias (PT) estariam entre eles. Os dois, como fizeram todos os demais acusados, negaram qualquer envolvimento.

 

No mundo

No mundo, o monopólio das atenções ficou por conta do anúncio de reaproximação entre EUA e Cuba, feito na quarta pelo presidente Barack Obama. Depois de um primeiro mandato politicamente tímido, embora tenha recolocado a economia da maior potência do mundo nos trilhos, Obama aproveitou o descompromisso eleitoral do último mandato para pôr em prática toda sua agenda progressista represada. Após enfrentar poderosos interesses em ações executivas ousadas a favor da saúde pública e dos imigrantes ilegais dos EUA, seu primeiro mandatário negro cedeu à interseção do Papa Francisco para celebrar a missa de corpo presente de um dos últimos anacronismos da Guerra Fria (1945/89).

 

A liberdade da opressão

Bem verdade que anacrônica também é a última ditadura comunista das Américas em Cuba, assim como a simpatia acéfala que lhe devotam no Brasil e no mundo as carpideiras do Muro de Berlim, quedado já há 25 anos pelas mãos do povo alemão. Mas diferente da força bruta que cria os mártires, o contraste físico e natural gerado na aproximação, como foi o caso em Berlim, é a maneira mais inteligente de expor à impossibilidade quem oprime em nome da liberdade, assim como os idiotas que lhe dão crédito, no gozo da liberdade de outro regime. Além de acelerar as mudanças na Cuba dos irmãos Castro, Obama consegue na mesma tacada geopolítica isolar ainda mais a Venezuela chavista de Nicólas Maduro.

 

Bananas e chuvisco

Se é o petróleo que sustenta a Venezuela e seu chavismo bolivariano típico de “República de Bananas”, por tudo que os escândalos em série a partir do Petrolão têm revelado (e ainda revelarão), a coisa não parece ser muito diferente no Brasil tomado de assalto pelo lulopetismo há 12 anos. E com evidências diárias de uma Prefeitura falida, mas de orçamento bilionário às custas dos royalties do petróleo, quem poderá conhecer a realidade de Campos e enxergar um quadro diferente na “República do Chuvisco”?

 

Poderia ser pior

Como chegar ao poder pelo voto, num estado democrático de direito, é tão legítimo quanto o juízo da opinião pública ou de um magistrado, resta esperar que as instituições com obrigação constitucional de investigar cumpram o seu papel. Se ao campista com alguma consciência crítica, o sentimento estadual e federal é o da mais sincera inveja do Ministério Público do Paraná, onde as investigações avançam a cada dia sobre o Petrolão, resta o consolo de que poderia ser pior.

 

Poderia ser melhor

Felizmente, decisões recentes como a do juiz Ralph Manhães de Azevedo, da 1ª vara Cível de Campos (aqui), no caso das 25 famílias humildes abandonadas pela Prefeitura, em meio a escombros, na comunidade da Margem da Linha, ou a da desembargadora Georgia de Carvalho Lima (aqui), da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJ-RJ), que ratificou a decisão da 2ª Vara Cível de Campos e determinou que o governo Rosinha Garotinho (PR) convoque os concursados do Plano de Saúde da Família (PSF), servem para provar que ainda não somos uma Venezuela ou uma Cuba. O fato de ambas as ações terem sido movidas pela Defensoria Pública, não por nenhum promotor ou procurador, é que confunde.

 

 

Publicado hoje na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Dois pesos duas medidas.Continuamos sob o jugo de uma justiça incerta.Mostrando que é muito difícil julgar,mesmo tendo um código a sua frente,interpretações pessoais são permitidas

  2. A pressão que este juiz e este promotor e suas famílias estão sofrendo não deve ser pouca.
    Por muito menos(acho) O Ministro Joaquim Barbosa pediu para sair

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