Opiniões

CDL vai às ruas contra política econômica de Dilma no mesmo dia de ato pelo impeachment

Assembleia ontem à noita na CDL-Campos definiu a participação da entidade em protesto contra a política econômica de Dilma Rousseff, no mesmo dia em que estão programadas passeatas em todo país pelo impeachment da presidente (foto de Valmir Oliveira)
Assembleia ontem à noita na CDL-Campos definiu a participação da entidade em protesto contra a política econômica de Dilma Rousseff, no mesmo dia em que estão programadas passeatas em todo país pelo impeachment da presidente (foto de Valmir Oliveira)

 

 

Por Arnaldo Neto e Renato Wanderley

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos vai às ruas mostrar a insatisfação do comércio com as políticas econômicas adotadas pela presidente Dilma Rousseff (PT). A convocação foi realizada na segunda-feira (02), em assembleia geral, pelo presidente Norival Manhães. O manifesto acontece no dia 15 de março, mesmo dia que um movimento nacional convocado pelas redes sociais vai pedir o impeachment da presidente. Segundo Norival, além da CDL, a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic) também participará do manifesto.

— Vamos nos reunir todos no dia 15 e mostrar que a CDL, a Acic e outras entidades de classe não estão satisfeitos com o que está acontecendo com o governo. Nós vamos para rua sim, mostrar nossa insatisfação com as políticas econômicas do governo — observou o presidente da CDL, destacando que será um movimento pacifico e ordeiro.

Norival, no entanto, não usou a palavra “impeachment” para definir o objetivo da manifestação dos comerciantes. Para ele, o direito de pedir o afastamento da presidente cabe somente ao Congresso Nacional, não às entidades de classe.

Norival avalia que a insatisfação dos comerciantes com as políticas econômicas da presidente Dilma é notável em toda a região. “Nunca vivemos, economicamente falando, uma situação tão difícil e instável para o comércio, nem na época da alta inflação. Naquela época era mais fácil que hoje”, avaliou.

CDL e Acic ainda farão duas reuniões para acertar os detalhes da manifestação. Uma reunião na sede da Acic está prevista para acontecer na quinta-feira (05). Já na segunda (09), uma reunião conjunta será realizada na CDL, onde todos serão comunicados da forma que o protesto deve acontecer.

De acordo com Norival, a princípio, a definição é para que todos usem camisas brancas no dia 15 de março e se concentrem na área interna do prédio da Acic. Na Praça São Salvador, onde também fica o prédio, estarão se concentrando os adeptos da campanha convocada pelas redes sociais para a “Manifestação pelo Impeachment da Dilma – Campos RJ”. Na reunião de segunda-feira (02), Norival explicou que os membros da CDL e Acic irão às ruas atrás da manifestação pelo impeachment, para mostrar a insatisfação da classe com as medidas econômicas.

Ato “Fora Dilma” em Campos — As manifestações pelo impeachment da presidente Dilma estão sendo convocadas em todo país, através das redes sociais. Campos aderiu ao movimento marcado para o dia 15 de março. Até o fechamento desta edição, 3.200 convidados para o ato na rede social confirmaram presença.

 

Brasil entra na rota da recessão

Apesar de curto, fevereiro terminou com todos indicadores econômicos negativos, apontando que o país caminha para recessão. Além disso, cresce no mercado as incertezas sobre os rumos da economia diante dos efeitos do ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff. Os primeiros resultados das contas públicas no ano apontam para uma paralisia da atividade econômica e mostram que o governo deverá ter dificuldades para entregar a meta de superávit primário — a economia para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda — definida para 2015, apesar das medidas impopulares adotadas. Entre elas, está o aumento de impostos, reajuste dos combustíveis, alta da tarifa de energia e mudanças em benefícios sociais como seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte. Isso para não falar em inflação em alta e a cotação do dólar subindo sem parar.

Para o presidente da representação Norte Fluminense da Firjan, Geraldo Hayen Coutinho, o cenário é de recessão técnica, agravado por uma crise política. “A perspectiva para a macroeconomia é não é boa, e isso é preocupante. É o somatório de uma série de fatores que contribuíram muito para isso. Com a base de apoio do governo rachada, vai ficar difícil aprovar as medidas do ministro Levy. Acho que 2015 é um ano perdido, que ainda pode contaminar 2016. Mas temos que torcer para superar esta crise, que não é a pior da história do Brasil”, disse Coutinho.

Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Amaro Ribeiro Gomes, o país está pagando pelos erros cometidos no primeiro governo Dilma. “Estamos em recessão por culpa de uma política econômica infeliz do governo. Para se reeleger, Dilma segurou preços, tarifas, impostos e ainda prometeu baratear a energia. Não aconteceu nada disso. A inflação disparou e o desemprego cresceu. Acho que 2015 é um ano perdido. Muitas empresas não vão suportar os aumentos dos impostos e irão fechar, provocando desemprego”, alerta Ribeiro Gomes.

Por sua vez, o economista Ranulfo Vidigal, prefere culpa o desequilíbrio das contas externas pelo quadro recessivo. Ele explica que o déficit externo é um dos maiores do mundo, 4% do PIB, o que desestimula a entrada de capital estrangeiro. “O ministro Joaquim Levy deu um choque de preço para tentar equilibra as contas externas. Com isso, teremos inflação elevada, taxas de juros mais altas, dólar subindo para favorecer as exportações. Mas, por outro lado, teremos o poder de compra reduzido e desemprego. Ou seja, um quadro de recessão”, contou Vidigal.

Na avaliação do professor e coordenador da Faetec no Norte e Noroeste , Etevaldo Pessanha, o governo é o único responsável pelo quadro de recessão. Segundo ele, a presidente conduziu mal a economia e não fez o dever de casa como deveria. “Na realidade, já estamos em recessão. A produção industrial em queda, preços em alta, desemprego rondando as fábricas, consumo se retraindo, provocando a queda da arrecadação. Além disso, existe o temor de novos investimentos num país em crise. Infelizmente, 2015 será um ano difícil para o Brasil”, apontou Pessanha.

 

Publicado aqui e aqui, na Folha Online

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Depois tem gente que NÃO vota por não gostar de política, OU VIVE DIZENDO QUE POLÍTICO É TUDO IGUAL. NÃO AMIGOS, A POLÍTICA E OS DIRIGENTES POLÍTICOS ELEITOS NUMA DEMOCRACIA honesta DETERMINA ATÉ SE VOCÊ VAI COMER OVO OU ALCATRA nas refeições! Determina se a taxa de homicídios vai ser que nem a dos Estados Unidos, que é de 3 a 5 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, ou vai ser que nem a do Brasil que é de 25 a 30 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes (estatística de 2012 – agora a coisa esta BEM pior). Se a maioria das pessoas soubessem o valor do seu voto, não dariam a0 palhaço TIRIRICA no primeiro mandato 1 milhão me 250 mil votos, e o PALHAÇO somos nós, pois este ai nem um discurso na câmara dos deputados fez durante todo seu primeiro mandato! O CDL é formado por pessoas esclarecidas da realidade atual do nosso país!!

  2. Que bom, é o mercado que sente na pele os efeitos da desgraceira, tem o direito de botar o bloco na rua para protestar.

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