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Petrolão: Youssef disse em delação premiada que Dilma e Lula sabiam

Dilma e Lula 1

 

 

Capa da Veja de 24 de outubro do ano passado, que gerou a depredação da sede da revista, em São Paulo, às vésperas do segundo turno, por militantes da campanha de Dilma à reeleição
Capa da Veja de 24 de outubro do ano passado, que gerou a depredação da sede da revista, em São Paulo, às vésperas do segundo turno, por militantes da campanha de Dilma à reeleição

Por Beatriz Bulla

 

O doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento na Operação Lava Jato, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento da “estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões” na Petrobras. Durante o processo de delação premiada, Youssef afirmou que “tanto a presidência da Petrobras como o Palácio do Planalto” sabiam do esquema.

Questionado sobre a quem se referia ao mencionar Palácio do Planalto, Youssef citou os nomes de Lula, Dilma, e parte da cúpula do governo do ex-presidente: Gilberto Carvalho, Gleisi Hoffmann, Antonio Palocci, José Dirceu, Ideli Salvatti e Edison Lobão.

O trecho da delação de Youssef que cita Lula e Dilma aparece no pedido de abertura de inquérito encaminhado pela Procuradoria-Geral da República para investigar a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, descartou a possibilidade de investigar a presidente Dilma Rousseff.

“Em complementação ao termo de declarações realizado na data de ontem, o declarante gostaria de ressaltar que tanto a presidência da Petrobras, quando o Palácio do Planalto tinham conhecimento da estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões no âmbito da estatal”, relatam os investigadores sobre o depoimento de Youssef.

Na sequência, explicam: “Indagado quanto a quem se referia em relação ao termo ”Palácio do Planalto”, esclarece que tanto a presidência da República, Casa Civil, Ministro de Minas e Energia, tais como Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, José Dirceu e Edison Lobão, entre outros relacionados”.

As evidências apontam, segundo a Procuradoria, que Gleisi recebeu R$ 1 milhão em agosto de 2010 para custear sua campanha. As investigações demonstram “que o apoio político aos operadores do esquema de contratos ilegais e corrupção de agentes públicos mantidos no ambiente da Petrobras era algo imprescindível”, aponta a peça da PGR. A petista será investigada por suposta prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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Este post tem um comentário

  1. AS FOICES ARMADAS E A HORA DOS TANQUES.

    Milton Pires

    O conceito mais importante a ser lembrado quando se pretende fazer uma crítica honesta do marxismo é aquele que coloca por água abaixo a noção da História como “sistema”. A história nunca foi nem jamais será um sistema cuja chave pode ser descoberta e usada politicamente.

    Embora óbvio, isso que eu escrevi acima deve ser lembrado no momento em que impera o niilismo entre uma determinada parcela da população e dos analistas dessa conjuntura com desfecho imprevisível que foi criada pela revelação dos nomes dos envolvidos no petrolão.

    Explico: o Brasil encontra-se perante o maior de todos os escândalos de corrupção que se teve notícia até hoje. Iniciam-se as denúncias, os inquéritos e as comissões parlamentares. Acreditar que, como regra, “tudo termina em pizza” é oferecer, querendo ou não, um determinado “sistema”..uma determinada “regra” para o entendimento dos fatos no Brasil. Não deixa de ser irônico insurgir-se, revoltar-se contra a ideia de que a “história é uma luta de classes”, e não se dar conta de estar propondo uma ideia da “história como fábrica de pizzas”.

    A posição mais justa, o entendimento intelectualmente mais honesto a ser oferecido neste momento é aquele que diz simplesmente o seguinte: não sabemos o que vai acontecer no Brasil e nós não podemos sabê-lo porque criou-se, a partir da divulgação da lista de Janot, uma situação de “poder nu”, uma realidade colocada por um executivo que perdeu absolutamente qualquer base de sustentação – seja ela política, econômica ou popular.

    Não estamos mais em 1992. Os marginais do poder, como definidos pelo Ministro Celso de Mello, não são do tipo que cede à vontade popular e sai com o impeachment. A população não quer saber mais de Dilma, o PMDB não quer saber mais de Dilma e nem mesmo Lula, o criador, atura mais sua própria criatura. Ingenuidade acreditar que “todo mundo vai pra cadeia” ? Ingenuidade, sim ! Sem dúvida ! E acreditar que isso “não vai dar em nada” ?? Essa interpretação é pior ainda. A primeira vai frustrar o Brasil mas a segunda pode, literalmente, pegá-lo de calças na mão no momento em que são convocadas por Lula, publicamente, as “Foices Armadas” do MST.

    É na mobilização do dia 15 de março que está a resposta. Nela reside o possível, o justo e o meio-termo entre aqueles que acreditam que Lula vai ser algemado e aqueles que pensam que ele volta por cima em 2018. As ruas vão ser tomadas com uma frequência cada vez maior. O impeachment será colocado em pauta por mais que seja contra a vontade desse congresso podre que aí está. Quando os marginais do poder não aceitarem o impeachment, quando o Brasil inteiro entender que não está lidando com Collor, aí sim: a população toda há de implorar pela hora dos tanques.

    Porto Alegre, 7 de março de 2015

    Milton Simon Pires às 18:03:00

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