Delator do Petrolão disse que arrecadou R$ 30 milhões para Cabral e Pezão em 2010

O governador Pezão e o ex-governador Cabral no Palácio Guanabara, em 2014 (foto de Alexandre Cassiano - Agência O Globo)
O governador Pezão e o ex-governador Cabral no Palácio Guanabara, em 2014 (foto de Alexandre Cassiano – Agência O Globo)

 

 

Por Eduardo Bresciani

 

Brasília — O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento de sua delação premiada que arrecadou R$ 30 milhões em recursos para “caixa dois” da campanha de Sérgio Cabral para governador e Luiz Fernando Pezão para vice, ambos do PMDB. Pezão é o atual governador, sucedendo Cabral.

Segundo o delator, os recursos vieram de empresas que atuavam na obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Ainda de acordo com Costa, o consórcio Compar, formado pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e UTC, contribuiu com R$ 15 milhões. O restante foi pago por outras empresas, como Skanska, Alusa e UTC, disse o delator. O ex-diretor afirma que os pagamentos eram “propina”.

“Cada empresa deu ‘contribuição’, no total de R$ 30 milhões. O Consórcio Compar ‘pagou’ R$ 15 milhões; o restante foi dividido entre as outras empresas, entre elas Skanska, Alusa e UTC”, diz resumo do termo de declaração 4 de Costa.

De acordo com o depoimento de Paulo Roberto Costa, o então secretário da Casa Civil de Cabral, Régis Fichtner, foi quem fez a “operacionalização” dos repasses.

Costa contou que teve uma reunião no primeiro semestre de 2010 com Cabral, Pezão e Fitchner para tratar das contribuições à campanha. Posteriormente, o ex-diretor pediu às empreiteiras que fizessem doações para o “caixa dois” de Cabral.

 

Para cabral, denúncia é “mentira”. Para Pezão, “absurda”

Em nota, o ex-governador Sérgio Cabral declarou que a denúncia é “mentirosa”. “É mentirosa a afirmação do delator Paulo Roberto Costa. Essa reunião jamais aconteceu. Nunca solicitei ao delator apoio financeiro à minha reeleição ao governo do Estado do Rio. Todas as eleições que disputei tiveram suas prestações aprovadas pelas autoridades competentes. Reafirmo o meu repúdio e a minha indignação a essas mentiras”, afirmou Cabral.

Pezão classificou a acusação como “absurda” e disse que as afirmações precisam ser comprovadas.

— Continuo a reafirmar que nunca tive essa conversa sobre a qual ele fala. Isso nunca existiu. Sinceramente acho um absurdo. As pessoas com delação premiada têm de ter mecanismos que comprovem as acusações que fazem. Não podem jogar um negócio assim no ar — afirmou, acrescentando que aguardará a continuidade das investigações.

Fichtner também comentou a denúncia por meio de nota, em que diz ter ficado surpreso e indignado ao conhecer o conteúdo dos relatos de Paulo Roberto Costa, por meio da imprensa. “Nunca participei de nenhuma reunião em que o então Governador Sérgio Cabral tivesse solicitado ao Sr. Paulo Roberto Costa ajuda para a arrecadação de recursos para a sua campanha. Nunca participei de nenhuma reunião com o Sr. Paulo Roberto Costa e representantes das empresas Skanska, Alusa e Techint, muito menos para tratar de arrecadação de recursos para campanha.Nunca me reuni com representantes do Consórcio Compar para qualquer finalidade, muito menos para tratar de contribuições de campanha”, afirmou, acrescentando que tomará “medidas cabíveis” contra Costa.

Este depoimento do ex-diretor foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro dos governadores de estado. O Globo já revelou que o Ministério Público Federal pedirá abertura de inquérito contra Pezão no STJ.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

Atualização às 17h29: Aqui e  aqui, respectivamente, o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho, e o jornalista Alexandre Bastos foram os primeiros na blogosfera goitacá a divulgar as denúncias contra o governador do Rio e seu antecessor.

 

fb-share-icon0
20
Pin Share20

Deixe um comentário