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Crítica de cinema — Mais da Gata Borralheira

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Cinderela

 

Mateusinho 4Cinderela — Nos contos de fadas, que muitas vezes começam pelo “Era uma vez”, para mostrar que os temas não se referem apenas ao presente tempo e espaço, o leitor encontra personagens e situações que fazem parte do seu cotidiano e do seu universo individual, com conflitos, medos e sonhos. A rivalidade de gerações, a convivência de crianças e adultos, as etapas da vida (nascimento, amadurecimento, velhice e morte), bem como sentimentos que fazem parte de cada um (amor, ódio, inveja e amizade) são apresentados para oferecer uma explicação do mundo que nos rodeia e nos permite criar formas de lidar com isso.

Existem inúmeros mitos e histórias antigas semelhantes a Cinderela, como um conto egípcio datado do primeiro século antes de Cristo. A versão de Cinderela como a conhecemos hoje foi criada pelo autor francês Charles Perrault, que foi publicado pela primeira vez em 1697. Ele tem sido a base e inspiração por trás de inúmeras óperas, balés, peças de teatro e filmes. A primeira versão do filme foi de sete minutos de duração, dirigido por Georges Méliès, na França em 1899. A primeira adaptação de Hollywood foi no cinema mudo em 1914, feita pela Paramount Pictures, estrelada por Maryu Pickford no papel-título. A versão animada do clássico da Disney, Cinderela, estreou em 1950, e foi um enorme sucesso de bilheteria. Em 2008 foi nomeado o nono maior filme de animação de todos os tempos pelo American Film Institute. Outros filmes recentes baseados no conceito de Cinderela incluem “Ever After” (1998) e a “A Cinderela Story” (2004).

Após o sucesso de bilheteria de “Alice no País das Maravilhas”, que foi a segunda maior bilheteria de 2010 e lucrou US$ 1 bilhão nas bilheterias ao redor do mundo, a Walt Disney Pictures começou a desenvolver uma nova adaptação para o cinema de Cinderela

Repete o sucesso com Cinderela, um filme de fantasia romântica dirigido por Kenneth Branagh — “Hamlet” (1996) e “Thor” (2011) — a partir do roteiro de Chris Weitz. Produzido por David Barron, Simon Kinberg e Allison Shearmur, a história é inspirada no conto de fadas de Charles Perrault e na animação de 1950 da Walt Disney de mesmo nome.

A estrela do  elenco é  a premiada atriz e diretora teatral australiana — 2 Oscar: atriz coadjuvante em “O Aviador”(2005) e  atriz em “Blue Jasmine”(2014) — Cate Blanchett como Lady Tremaine  (madrasta má). A atriz, intérprete de rainhas em “Elizabeth” e “O Senhor dos Anéis”, cumpre seu papel como a madrasta má na maior elegância, mas não entra para o rol da fama de vilania cinematográfica.  Como o casal de protagonistas  Ella (Cinderela) e Kit (Príncipe), a belíssima loira Lily James — “Fúria de Titãs” (2012),  “Downton Abbey“ (2012/2013/2014), “War & Peace” (2015) —, que também interpreta o  tema musical oficial do filme “A Dream Is A Wish Your Heart Makes” (Patrick Doyle) e o ator escocês Richard Madden, que ficou mundialmente conhecido pela sua atuação na série “Game of Trones”. A magia protetora da fada madrinha encenada por Helena Bonham Carter, tranquila e  acolhedora. A afetação das invejosas  e mesquinhas irmãs postiças, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera) ficou em boa medida. A rápida participação nas cenas iniciais de Harley Atwell (mãe de Cinderela) e Ben Chaplin (pai de Cinderela), nos revela a ascendência e como se deu a orfandade de Ella.

A caprichada produção, que conta com efeitos digitais magníficos, cenários e figurinos maravilhosos, foi feita em Pinewood Studios, em Buckinghamshire (mesmo de “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” e “Malévola”), e as filmagens por toda a Inglaterra, em locais incluindo Blenheim Palace, Windsor Castle, Old Royal Naval College e Black Park, garantiram um  ambiente realmente de conto de fadas com seus castelos e mágicas paisagens. O vestido azul de Ella (como o da animação), a carruagem de ouro e o famoso sapatinho de cristal ficaram mágicos.

A exibição na maioria das salas é na versão dublada. Seguro que se perde a qualidade do som original e da interpretação original dos atores. Porém, mesmo não contando com nenhum artista famoso na dublagem, o estúdio DelartRJ contou com dubladores experientes, como Carla Denise Ponpílio (Wanda Maximoff em “X-Man:Evolution”, Ellie em “A Era do Gelo” e Nala em “O Rei Leão”) que dublando Lady Tremaine (Cate Blanchett) não compromete muito.

Sou sempre pelo som original com legenda, mas liberdade da atenção da criançada para o encantamento visual proporcionado pelo mágico universo dos contos de fada de Cinderela, vale.

Vale pra caramba, príncipes e princesas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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