Leitura das pesquisas (e na educação) não favorece aos Garotinho

Ponto final

 

 

Erros e acertos

Embora lidem com a ciência exata, pesquisas não podem ter a pretensão de sê-la. Erros como os revelados no resultado das urnas do primeiro turno no governo do Rio e do Brasil, em outubro passado, quando foram deixados para trás Anthony Garotinho (PR) e Marina Silva (PSB), chegam a nos fazer duvidar da suas reais capacidades de projeção. Mas só até que o turno seguinte as confirmem, como ocorreu na vitória eleitoral final, respectivamente, de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e de Dilma Rousseff (PT).

 

Coincidência?

Em Campos dois institutos locais fizeram pesquisas no mês de abril para aferir a avaliação do campista sobre o governo Rosinha Garotinho (PR): o Pappel e o Pro4. O primeiro ouviu 910 campistas, enquanto o segundo consultou 426. E os resultados, comparadas as amostragens atuais com as que fizeram antes cada instituto, apesar de alguma diferença nos números, apontam uma realidade muito semelhante: o governo Rosinha Garotinho (PR) vive seu pior momento — talvez desde que a ex-governadora foi eleita prefeita de Campos pela primeira vez, em 2008, se reelegendo em 2012.

 

Deu ruim (e péssimo)

Desprezada a avaliação de regular, como indicam os especialistas, o contraste entre aqueles que hoje consideram o governo Rosinha ótimo e bom contra aqueles que o avaliam como ruim e péssimo, desenham um quadro desanimador aos rosáceos. Para o Pappel, a gestão municipal hoje teria 43% de ruim (11,72%) e péssimo (31,28%), contra 19,9% de ótimo (4,4%) e bom (15,5%). Já nos números mais moderados do Pro4, a adição de ótimo (3,5%) e bom (22,8%) reúne os mesmos 26,3% da população que classifica a atual administração municipal como péssima. Somados aos 13,4% que acham ruim, chega-se a 39,7% de avaliação negativa. Ou seja, hoje, quatro entre cada 10 campistas consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo.

 

“Pappel” interno

Enquanto o Precisão não é ressuscitado para tentar dar contraponto governista aos demais institutos locais de pesquisa, tudo parece indicar que a realidade do governo Rosinha é tão ruim quanto sua percepção pela população. Se no jogo para a galera os governistas tentam contrastar o que dizem ver nas ruas com o que evidenciam as pesquisas, internamente o discurso é bem outro. Recentemente, em reunião com bancada de Rosinha, foi seu próprio marido e secretário de governo, Anthony Garotinho, que provocou os vereadores ao lembrar que a pesquisa do Pappel deu à Câmara uma avaliação popular de 49,24% entre ruim (14,92%) e péssimo (34,32%).

 

Só Legislativo?

Além de ter que ouvir de um vereador rosáceo, e engolir calado, que a imagem da Câmara só está tão ruim porque nela o rolo compressor governista é obrigado a aprovar o pacote de maldades de uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, Garotinho provou que se valem internamente para espezinhar o Legislativo, as pesquisas valem fora para mostrar a realidade do Executivo. Este, no detalhamento maior do Pro4, enfrenta um quadro difícil: 54% dos campistas desaprovam o governo, 57,5% não confiam em Rosinha e 65,5% não votariam para prefeito em nenhum candidato apoiado por ela.

 

Tiro pela culatra

Outros detalhes do Pro4 revelam que a tática de Garotinho pós-fracasso eleitoral de 2014, assumindo a cara do governo da esposa e buscando uma reaproximação com a classe média goitacá, a partir de intervenções como seus programas de segunda a sexta na Rádio Educativa, da Fafic, não tem surtido efeito. Dos que consideram o governo Rosinha ruim e péssimo, 75% têm curso superior. E o número nesta faixa de escolaridade cresce entre os que desaprovam a administração municipal (82%), não confiam em Rosinha (87,%) e não votariam no seu candidato (90%).

 

Estudo, renda e voto

Levado em consideração a questão de renda, aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos também lideram com folgas o antigarotismo em Campos: 71,4% desaprovam o governo Rosinha, 78,6% não confiam na prefeita e impressionantes 92,9% pretendem votar num candidato da oposição em 2016. Números traduzidos em palavras, fica bem definida uma verdade incômoda desde 1989 aos que chegaram ao poder no município e nele se mantiveram nos 26 anos seguintes: quanto mais se estuda e ganha, menos se aprova, confia e vota nos Garotinho.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Este post tem 6 comentários

  1. leo

    Visto que aparentemente não tem dinheiro para ressuscitar o instituto caseiro de pesquisas pró garotinho, é a hora de massacra-los com pesquisas a cada 4 meses até as eleições….

    Talvez estas pessoas que tem renda superior a 5 salários mínimos não estejam trabalhando em Campos, visto que Campos tem muito poucas oportunidades de emprego acima deste nível… e ai sim, as pessoas veem com clareza como Campos poderia ser se tivesse seus recursos corretamente empregados.

  2. ,JORGE DIAS

    A voz do povo é a voz de Deus.

  3. Cosme Vendedor

    UM POVO EDUCADO, É UM POVO QUE SABE ELEGER SEUS GOVERNANTES E NÃO ENTREGA A SUA DIGNIDADE A COBIÇA DE MERCENÁRIOS QUE PASSAM PELA VIDA E SÓ DEIXAM MAUS LEGADOS…

  4. ana maria

    Já estão conquistando a população menos favorecida, que é maioria em Campos, com shows, brindes, afagos. Depois vão para a classe média e alta que se vendem tanto quanto. Essas duas classes negam isso, mas …Nós sabemos como são e o menino e rosinha sabem mais ainda. Infelizmente, e se aproveitam disso.

  5. Luciano

    A operação lava Jato teria que passar por Campos.

  6. ALEXSANDRO

    NINGUEM AGUENTA MAIS ESSE GOVERNO QUE É O PIOR DE TODOS OS TEMPOS !!!

    CADE A PF, MPE, JUSTICA… E CASO DE (trecho excluído pela moderação) !!!!

    POIS A (trecho excluído pela moderação) ESTA ESCANCARADO !!!

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