Opiniões

Crítica de cinema — Sem fôlego para aguentar o tranco

De olhos bem abertos

 

O franco-atirador

 

Mateusinho 2O franco-atirador — É inevitável comparar “O franco-atirador” àquele outro filme do mesmo diretor, Pierre Morel: “Busca implacável”. Além de compartilhar o realizador, ambos possuem um herói de ação de mais de 50 anos (Liam Neeson em “Busca…”, Sean Penn em “Franco-atirador”), uma história de problemática internacional com uma leve crítica social e, sobretudo, disparos e perseguições. Entretanto, apesar de copiar o modelo na sua essência, o novo filme é bem inferior a seu antecessor. As principais falhas que poderíamos apontar são a falta de carisma de Sean Penn e a pouca fé que os realizadores têm em seus personagens. Quando os atores parecem não acreditar naquilo que estão fazendo, fica difícil que o espectador receba alguma emoção sincera.

A história começa em 2006 na Republica Democrática do Congo. Jim Terrier (Sean Penn) faz parte dum grupo de agentes especiais que protegem às organizações que realizam tarefas humanitárias, buscando reconstruir o país devastado pelas guerras civis. Mas na verdade isso é uma fachada: os agentes realizam tarefas menos nobres, ao serviço de corporações empresárias e políticas. Em paralelo, Terrier se envolve com a doutora Annie (Jasmine Trinca) quem trabalha para uma das ONGs. Depois de uma operação onde Terrier deve cumprir o papel do franco-atirador do título, ele se vê forçado a abandonar rapidamente o país e sua namorada. Oito anos depois, Terrier está de volta no continente africano, mas desta vez tentando expiar as suas culpas. A aparição de um grupo que tenta assassiná-lo visando “queimar o arquivo” o obrigará a voltar a utilizar suas habilidades violentas para descobrir os autores, limpar seu nome, recuperar a namorada e se redimir do passado.

Longe da intensidade de seus trabalhos em “Rio Místico” ou “21 Gramas”, aqui Penn tenta dar uma virada na sua carreira avançando num terreno onde já entraram, com resultados diferentes, o já mencionado Liam Neeson, Matt Damon, Daniel Craig e Tom Cruise. O resultado é anódino: o personagem de Penn carece de profundidade psicológica, e o seu ‘sofrimento’  se revela basicamente pela expressão facial do ator, que pareceria estar constantemente chupando um limão. Com o personagem do espanhol Javier Bardem a inconsistência é similar. Começa como um vilão, mas ao longo do filme se revela que não é tão malvado assim, mas em verdade uma espécie de marionete ao serviço de interesses muito mais poderosos. Aqueles que visam eliminar Terrier.

Do ponto de vista técnico, quase tudo em “Franco-atirador” é um compilado de lugares comuns do gênero: a utilização excessiva das tomadas aéreas para  mostrar os lugares onde acontece a ação (Londres, Gibraltar, Congo); as cenas de ação (golpes, disparos e alguma explosão)  filmadas em modo ‘automático’, e a raiva vingadora do protagonista. Em conclusão, um filme com uma receita consagrada, mas cujos ingredientes não ligaram. A diferença de “Busca implacável”, que teve fôlego para mais duas sequencias, “O franco-atirador” se esgota em si mesmo.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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