Xadrez no tabuleiro entre o rio Paraíba do Sul e o oceano Atlântico

Como já disse mais de uma vez, não tenho tempo ou paciência para ser leitor de Facebook, garimpando ali o que há de relevante no meio de tanto exercício fútil de quem confunde opinião com fato e carência com vaidade. Por isso, vez em quando, acabo perdendo alguma coisa boa, mas que um amigo providente acaba por me chamar à devida atenção, como foi o caso da professora Cristina Lima à croniquinha (no tamanho, não em seu oceano de significados) sobre um amigo comum publicada pelo mestre escriba José Cunha Filho, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, que o blog pede licença para transcrever abaixo:

 

Neivaldo, em seus tempos no Pontal de Atafona, antes de levar o xeque-mate de Iemanjá e se mudar à ilha do Peçanha (reprodução de Facebook)
Neivaldo, em seus tempos no Pontal de Atafona, antes de levar o xeque-mate de Iemanjá e se mudar à ilha do Peçanha (reprodução de Facebook)

 

Jornalista e escritor José Cunha Filho
Jornalista e escritor José Cunha Filho

O Guardião

Por José Cunha Filho

 

Ah, o Neivaldo! Não tinha o hábito de frequentar o seu bar em terras além do Pontal, tinha não. Visitei, várias vezes, o antigo botequim que agora é ponto de parada de sereias e outros viventes do mar. Da última vez que o vi, alegre estava e disputamos três partidas de xadrez enquanto degustávamos uma cervejinha.

Aonde você foi, menino levado?

A gente se conhecia desde os idos em que ele frequentava a Folha da Manhã, sempre prestativo, sem função definida, mas querido por todos, sempre sorridente e jovial. Gente boa, gente boa! Bom caráter nato! Agora, saiu para passear e não voltou. O seu barco a motor, leso de saudades, ficou a rodopiar a meio caminho entre o Pontal e Convivência.

Como pião sem guia, girando sem parar, sem mão segura no leme que o conduzisse aos portos da aurora.

Saiu a navegar o Neivaldo, mal saída a noite e cadê?

Nós, amigos e amigas, torcemos para que retorne de sua viagem por mares nunca dantes navegados como queria o Camões que recitava por desfastio, noites de plenilúnio.

É possível, contudo, que o guardião da Árvore Que Anda esteja adormecido nos braços de Iemanjá, que a encantada elege os seus preferidos, mantém em sua corte aventureiros e gente do bem.

Não, não cessem as buscas!

Quem sabe ainda nos encontremos, Neivaldo, para mover aquela torre e deixar órfão o rei?

 

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Este post tem 5 comentários

  1. Jaciara Gomes

    Nossa, amei a crônica!

  2. Diogo Fontoura

    muito bom !!!

  3. Sandra Machado

    Fantástico. Cada dia que passa ,esse Cunha se supera.

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