Opiniões

Quem vai torrar a herança dos irmãos na Câmara de Campos?

“Caim assassina Abel” (1608/10), óleo sobre painel de carvalho, de Peter Paul Rubens (1577/1640)
“Caim assassina Abel” (1608/10), óleo sobre painel de carvalho, de Peter Paul Rubens (1577/1640)

 

 

Gustavo Alejandro Oviedo, advogado, publicitário e crítico de cinema
Gustavo Alejandro Oviedo, advogado, publicitário e crítico de cinema

Por Gustavo Alejandro Oviedo

 

Nesse sábado, Garotinho voltou a explicar, na Radio Diário, a necessidade de antecipar os royalties futuros como a única saída para poder enfrentar a crise que o município está atravessando. Insistiu no seu exemplo de que a operação de crédito seria parecida à situação de uma pessoa obter um empréstimo onde pagaria apenas 1% ao ano, o que evidentemente demoraria 100 anos em quitá-lo. Isto, claro, se o banco fosse tão generoso de não cobrar juros durante um século.

Vou fazer uma previsão mais realista, onde não se subestime a inteligência do público. Tomemos como referência o empréstimo já obtido pelo município em 2014 junto ao Banco do Brasil. O banco entregou 250 milhões, e a prefeitura o devolverá em duas parcelas de 150 milhões, uma este ano e a outra em 2016. Ou seja, pagará ao todo 300 milhões, sendo 50 milhões de juros (10% ao ano).

Num eventual novo empréstimo, onde as condições sejam semelhantes, o município iria tomar emprestado aproximadamente 1 bilhão de reais, pois essa é a previsão de queda de arrecadação deste ano. Pela resolução nº 43 do Senado Federal, que agora autoriza a operação, essa antecipação só poderia ser devolvida em parcelas anuais que não ultrapassem 10% da receita obtida do petróleo (Royalties e Participações Especiais).

Suponhamos, então, que somos o banco que irá emprestar dinheiro ao município de Campos. O negocio é interessante, pois a quitação está garantida por recursos oriundos da ANP e não há chance de que uma instabilidade política local ameace o pagamento. É mais ou menos como um empréstimo consignado. O lado ruim é que não tem como se saber o quanto o município receberá de Royalties e PE no futuro. O que ingressa depende do preço do barril e da produção na bacia local.

Como será calculado o valor dos juros, então? Embora não possa ter ideia disso, não seria estranho pensar que fariam alguma coisa similar ao feito na operação de 2014: estabelecer um valor determinado (o emprestado + juros) e que este seja pago até sua quitação, sem que se tenha certeza de quando acontecerá isso.

Imaginemos o que o banco pensaria: se vou emprestar 1 bilhão, e o cliente só pode devolver entre 50 e 80 milhões ao ano, a amortização do capital se fará, no melhor dos casos, em 13 anos. Se cobrarmos um juro de 10% ao ano (afinal, somos um banco), teremos de somar 130% a 1 bilhão de reais, o que daria um montante a ser devolvido de 2,3 bilhões de reais. Esse valor demoraria 29 anos em ser pago, considerando que se devolvesse ao banco 80 milhões a cada ano.

Repito, não sou um expert em finanças, mas a conta que estou fazendo é a mais otimista para a Prefeitura. O mais provável é que as condições sejam piores (no meu exemplo, o banco aplicou juros apenas pelos primeiros 13 anos).

29 anos para pagar o déficit de 2015.

E o ano que vem? Como será a situação financeira do próximo ano, se a uma eventual queda de arrecadação teremos que descontar a parcela do empréstimo de 2014 (150 milhões) além da parcela deste novo empréstimo. Será que vamos ter que fazer uma nova operação similar, comprometendo outros 10% dos royalties durante mais 29 anos, e assim por diante?

Garotinho desafia os críticos a apresentar uma outra solução, pois essa é a única que ele vê possível no presente cenário local. Se se trata de apresentar solução para o problema financeiro da Prefeitura, pediria a ele e a sua mulher para que, primeiro, nos informem qual o tamanho do rombo, a quem está se devendo e como pensam gastar o dinheiro que pretendem pedir emprestado. Mas suspeito que o que Garotinho pede é uma solução para ele próprio sair da crise em que, junto com a prefeita, voluntariamente produziram, ao inchar a máquina pública para que se sustente com um recurso que, deveriam ter sabido, é volátil e finito.

Os administradores pródigos voltam amanhã à Câmara, não arrependidos, mas desejosos de torrar a herança de todos seus irmãos campistas.

 

Publicado originalmente aqui, na democracia irrefreável das redes sociais

 

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Este post tem 8 comentários

  1. E não vai adiantar nada, ou melhor, pegar empréstimo, só vai piorar! A má administração dos 16 bilhões anteriores, provam que não há a mínima capacidade deste pessoal do Governo! Só sabem gastar, são incompetentes da administração de contratos, daí o volume incontrolável de aditivos e mais aditivos!
    E os gastos com obras supérfluas e farônicas?

    Ou seja, o “secretário” quer solução agora, nesta altura do campeonato? A solução teria que ser dada antes de gastar com irresponsabilidade!

    O que o “secretário” e os seus. desejam mesmo, é poder continuar gastando, como se nada tivesse acontecendo! Como já estão mesmo derrotados e em fim de carreira, pouco importa a ele, esposa e coligados, que a cidade, daí pra diante, afunde igual ao Titanic. Só que neste caso, quando isso ocorrer, o “capitão do barco” já estará longe, fazendo festa em alguma ilha paradisíaca e rindo de um bando de eleitores otários!

  2. Simples assim

  3. Esse governo e como cancer acaba com tudo sao incopetentes nao tem controle nos gastos querem afundar ainda mais o municipio mas deus e real e essa (trecho excluído pela moderação) nao ganha mais nada o titanic deles afundou ufa que alivio saber que garotinos nao ganha nem ingresso para assistir o jogo do roxinho vai tarde de mais.

  4. Enquanto tiver esses eleitores otário, Campos vai continuar nas mãos dessa turma do Garotinho.

  5. As considerações do inteligente Gustavo Oviedo estariam corretas se a antecipação de crédito que o Senado autorizou fosse nos moldes do empréstio anterior que ele menciona, feito no Banco do Brasil. Ouvi o prefeito de Macaé, Doutor Aluizio explicar essa operação numa Rádio local. Trata-se de um leilão, em Bolsa de Valores, e quem vai disponibilizar os recursos, para perder as perdas de cerca de 60% dos municípios e EStados produtores de petróleo, serão instituições financeiras menos gulosas do que os Bancos do Brasil, e por isso mesmo a Caixa já autorizou que a operação seja feita na Bolsa de Valores de Nova Iorque e vai ganhar o leilão quem oferecer a menor taxa de juros, sabendo que o valor pago por ano não poderá ser superior a apenas 10% ao ano do que for arrecadado da receita de royalties. Ou seja, o valor pago por cada Prefeitura e cada Estado não vai comprometer o futuro, conforme estaval alardeando, confundindo a opinião pública. Não gostar do Garotinho não me dá o direito de ser contra uma decisão que é a única alternativa melhor para a população. Ou fechar hospitais, fechar escolas, creches, parar a coleta de lixo e emporcalhar a cidade de moscas e doenças não afeta o futuro? Sejamos coerentes, gente, afinal, não foi o Garotinho nem a Rosinha que crianram a crise. Aliás, Campos é a Prefeitura de Campos é a que menos sofre com a crise exatamente porque a exeperiências de governadores fez CAmpos ser a primeira a se prevenir. Em Rio Bonito, o Hospital REgional fechou por falta de recursos e a população tem que vir para Campos ou ir para Niterói. No Rio Grande do Sul, não há dinheiro para pagar salários. Que tem Rosinha com isso?

  6. VOCÊS ACHAM QUE OS VEREADORES IRÃO APROVAR O EMPRÉSTIMO? DUVIDO, MESMO OS QUE SÃO DO GOVERNO, POIS ELES SABEM QUE FICARAM “MARCADOS” PELOS ELEITORES E NINGUÉM IRÁ QUERER ELES MAIS NO LEGISLATIVO DE CAMPOS.
    ESPERO QUE GAROTINHO E ROSINHA SUMAM DE VEZ DA POLÍTICA DE CAMPOS, PORQUE JÁ ESTAMOS CANSADOS DE TANTA (trecho excluído pela moderação) E AGORA LÁ VEM ELES DIZER QUE ESTE EMPRÉSTIMO É A SOLUÇÃO PARA CAMPOS? ORA BOLAS….
    ALGUÉM DUVIDA DE QUE TUDO QUE ESTA PREFEITURA FAZ NÃO SEJA HIPERFATURADO?
    ISTO É UMA…VERGOOOOOOOOOONHAAAAAAAAAA!

  7. só tem (trecho excluído pela moderação)… bando de amadores (trecho excluído pela moderação) a vontade nesse país sem lei

  8. Governo bom foi o de Arnaldo e Alexandre, (trecho excluído pela moderação) eram funcionários da Prefeitura, a cidade estava linda, frotas de carros particulares para servir a população, não havia manifestações por nenhum motivo, tudo funcionando super bem , o carnaval na avenida. 15 para a população, enquanto os governantes se divertiam nos camarotes da Marquês de Sapucai, foi tudo “armação o avião carregando um bando de inocentes e por aí vai, esses são os governantes que Campos merece, a cidade era muito mais bonita e funcional no governo desses dois, estão com saudades né. ?Tínhamos orgulho de dizer que éramos campistas, que nossa cidade soube usar tão bem royaltes, que chegou causar inveja aos outros estados, que lutaram e conseguiram pegar as fatias do nosso bolo, vou parar porque são inumeráveis os benefícios que esses governantes citados acima fizeram a nossa cidade, tomara que eles retornem, não para a Prefeitura , mas para governar as casas de quem sentem falta deles.

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