Opiniões

Ponto Final — O que separou você do FDP!, caro leitor?

Ponto final

 

 

FDP! (I)

Todos que compareceram ao Festival Doces Palavras (FDP!), em quaisquer um dos dias entre as últimas quarta e domingo, saíram da efervescência cultural que tomou conta do entorno da praça do Liceu com duas certezas: foi muito bom, mas poderia ter dado muito mais gente. Chega a ser curioso notar que até pessoas ligadas de alguma maneira à arte e à cultura, sempre a cobrar opções da cidade nestas áreas, sequer tenham dado as caras em pelo menos um dos muitos debates, oficinas, lançamentos de livros, apresentações de música e teatro, que se sucederam durante cinco dias nos dois coretos e nas tendas instaladas da praça do Liceu, além da própria escola, da Villa Maria e do auditório da OAB.

 

FDP! (II)

Constatado que quem cobra opções e não comparece quando estas são ofertadas de graça, em praça pública, com farto anúncio na mídia, é o mesmo público que lota as cadeiras pagas do Trianon, para assistir ao artista global da vez correr a sacolinha pelo interior, o incauto que observa as contradições desta taba goitacá chega a ter ecoado aos ouvidos, em forma de oração, os versos de Cazuza: “Vamos pedir piedade / Senhor, piedade / Pra essa gente careta e covarde / Vamos pedir piedade / Senhor, piedade / Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”.

 

FDP! (III)

Grandeza e coragem não faltaram à Academia Campista de Letras (ACL), à Associação de Imprensa Campista (AIC) e à Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca), bem representados por seus respectivos presidentes: os professores Hélio Coelho, Vitor Menezes e Wainer Teixeira. Se os dois primeiros provaram que ainda existe sociedade civil organizada em Campos, o último atestou ainda haver algum senso de direção num governo municipal perdido. Com toda sua diversidade, o FDP! lecionou a didática daquilo que une, mais do que separa. Credor da cultura do município desde sua gênese, bem que merecia melhor paga do respeitável público: você!

 

Publicado hoje na coluna “Ponto final”, na Folha da Manhã

 

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Este post tem 6 comentários

  1. Houve pouca divulgação – especialmente na Internet.

  2. Ótima colocação, Aluysio.
    Abraços

  3. Uma pena .quem não viu.Perdeu…

  4. Perfeito !

    Cadê os coleguinhas da imprensa? Senhores Vitor Menezes,Wellington cordeiro, Ricardo André…
    Se fosse evento da prefeitura teriam arrasado com sus críticas né?

    Esses são os intelectuais de pantufas e canecas !

  5. Caro Fabio Santos,

    Com todo o respeito, tenho discordâncias diretas à sua interpretação do que julgou “perfeito”. Por partes, com sua licença, vamos a elas:

    1) O FDP! teve, sim, participação direta da Prefeitura. E esta foi e deve ser louvada, na figura de Wainer Teixeira, à frente da Codemca. Só depois, sabiamente isolados de qualquer poder de interferência, outros entes públicos municipais caíram de para-quedas, como foi o caso da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, cuja presidente, para o alívio geral, foi presença rara nos cinco dias do evento.

    2) Como Vitor Menezes e Wellington Cordeiro poderiam criticar o evento do qual foram organizadores diligentes, na condição de diretores da Associação de Imprensa Campista (AIC), à frente de tudo, desde o início, ao lado da Codemca e da Academia Campista de Letras (ACL)? De qualquer maneira, relevante constatar que Vitor, mesmo tendo feito ressalvas à questão de comparecimento do público, levantada no texto, foi o primeiro a democraticamente reproduzi-lo nas redes sociais.

    3) Que obrigação, como jornalista, blogueiro e cidadão, Ricardo André Vasconcelos tem de concordar com a sua opinião, Fabio, ou da Folha, ou minha, ou de quem quer que seja? Se pantufas e canecas são acessórios necessários a qualquer um que discordar, ou simplesmente ignorar o que vc ou eu temos a dizer, onde ficam os tamancos e as xícaras de quem concorda por “obrigação”?

    4) Para que não haja mais nenhuma dúvida, os três tópicos do “Ponto Final” de ontem foram escritos por quem milita na cultura do município desde os anos 1990 e esteve presente em três dos cinco dias do evento, na intenção inequívoca de saudar a iniciativa do FDP!, por parte da sociedade civil organizada, da Prefeitura de Campos, de todos os seus participantes. A parte crítica do texto foi destinada, exclusivamente, a todos aqueles que cobram opções de arte e cultura na nossa cidade, mas não comparecem para prestigiar quando elas são ofertadas em praça pública, com qualidade, diversidade e de graça.

    5) A resposta mais construtiva “pra essa gente careta e covarde” do canto de Cazuza ecoado no “Ponto Final”, talvez tenha sido dada, nas redes sociais, justamente por Wellington, um dos cobrados por vc, Fabio. Se ainda não teve a chance, leia: “Se houve algum senão no evento, ficou por conta do público que sempre reclama, mas não prestigia. Isso prova que política cultural é um processo que não se pode esperar que seja imediatista. Eventos como o FDP! devem ser constantes para educar nossas plateias tão omissas”.

    Abç e grato pela chance do esclarecimento!

    Aluysio

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