Após fracasso de 2014, o que a eleição da OAB em 2015 deveria ensinar para 2016

Ponto final

 

 

Sabedoria latina

Pode ser que o presidente da OAB-Campos, Carlos Augusto Monteiro, o Guru (aqui), não tenha tornado sua instituição dependente dos interesses do governo Rosinha Garotinho (PR), exercido de fato pelo marido e secretário de Governo desta, Anthony Garotinho (PR). Mas numa categoria que tem todo seu alicerce teórico na Roma Antiga, a fracassada tentativa do presidente da OAB em se reeleger, ontem, por uma margem de votos bem mais larga que o esperado, prova um velho dito latino: “À mulher de César, não basta ser honesta, é preciso parecer”.

 

Há dúvida?

Não por ter sua esposa trabalhando como DAS da prefeita Rosinha, prática que não é isolada no meio jurídico de Campos. Talvez nem por escrever periodicamente no jornal do grupo de comunicação de Garotinho. Mas se prestar a defender publicamente (aqui) a “venda do futuro” tentada a ferro e fogo pelos governantes do município, a despeito da esmagadora maioria da população ser (aqui) frontalmente contrária à tentativa de antecipação das receitas dos royalties, sem contar a promoção de uma reunião oficial da OAB com o próprio Garotinho, na CDL, são decisões que certamente não ajudaram Guru em sua tentativa de reeleição. Na dúvida, leitor, pergunte você mesmo a qualquer advogado da cidade.

 

Pena de ressaca

Que a lição que Guru foi obrigado a aprender da maneira mais dura, sirva também de alerta ao seu sucessor, Humberto Nobre (aqui), que assume a OAB em janeiro e foi ׅ“acusado” publicamente pela situação, durante a campanha, de já ter sido subsecretário e secretário do governo Rosinha. Mas como o triunfo eleitoral de Humberto e sua vice, Marta Oliveira, foi coletivo, com o peso individual de ex-presidentes queridos na categoria, como Filipe Estefan (aqui) e Andral Tavares Filho (aqui), a promessa de independência feita já na festa de vitória deve ser mantida, sob pena de uma ressaca do Pontal de Atafona em maré alta de lua cheia.

 

Velhas novidades

Na verdade, o exemplo de ontem da OAB deveria abrir os olhos dos dirigentes de todas as entidades de classe e representativas de Campos, a maioria ainda subserviente a quem manda e desmanda nesta planície há 26 anos. São os mesmos olhos que já deveriam estar arregalados desde 26 de outubro de 2014, quando depois de não conseguir ir além do primeiro turno da eleição a governador do Rio, Garotinho foi derrotado (aqui) no segundo em nada menos do que cinco das sete zonas eleitorais do município, ao apoiar Marcelo Crivella (PRB) contra o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

 

Homens e ratos

Como, peso da máquina da Prefeitura à parte, todas as pesquisas eleitorais feitas em 2015 apontam (aqui e aqui) uma clara vantagem da oposição no enfrentamento que promete ser figadal na eleição municipal de 2016, quem permanecer cego às projeções de agora pode fazer com que suas próprias instituições colidam de cara contra o muro do novo nas urnas do ano que vem. Afinal, reza a sabedoria popular, que os últimos a abandonar um barco naufragando são os ratos. Os homens costumam ser mais céleres.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Luciano Sousa

    Concordo plenamente com a leitura feita sobre a eleição da OAB, podemos perceber essa ideia de não largar o poder no Sindicato dos Professores de Campos/SJB – SINPRO. Onde a atual Comissão Eleitoral tem tomado atitudes antidemocráticas, o pleito já se iniciou totalmente sem observar o estatuto. Portanto, na prática a chapa da situação tem realizado todas as manobras possíveis, até ameaças já foram proferidas por um dos candidatos, e o apego é tão grande que o mesmo exerce várias funções.

  2. Sérgio Provisano

    Eu estava justamente comentando com um amigo, o Jorge Rosa, sobre mais uma derrota acachapante sofrida pelo “prefeito” de Campos, a da OAB. E fizemos um link com o resultado das eleições para o governo estadual e as pesquisas que o Pro-4 realizou recentemente. O prefeito é adepto de pesquisas e sabe lê-las e utilizá-las para balizar seus atos políticos e já deve estar pensando em mudar, o regimento da câmara, para tentar engessar o executivo, pois sabedor de que já na sucessão em 2016, as chances de seu grupelho político ganhar, são pífias e apostará no controle (que já tem, em verdade), do legislativo vaquinha de presépio. Devemos ficar atentos.

  3. AUMIR

    O menino do dedo PODRE, onde toca, há DERROTA…

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