Paula Vigneron — Via Crucis

Atafona, 04/08/14 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, 04/08/14 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Às sete horas da noite, Ana transita pelas ruas do Centro da cidade. Caminha rapidamente. Tenta acostumar o ritmo das pernas à urgência dos minutos. Enquanto alterna os pés, se cuidando para não tropeçar e perder tempo até se restabelecer, sua cabeça é tomada pelo retrato do dia estampado nas capas de jornais. Crimes. Abusos. Limites ultrapassados. Desrespeito ao ser humano.

Ana acelera.

As últimas semanas têm sido trágicas. Mulheres violadas com suas histórias devassadas nos noticiários. De quem é a culpa? Dela? Não. A culpa é de quem a olha, mas não a enxerga. Ser humano. Aqui e ali, vozes se unem em gritos de alerta para mostrar à sociedade os atos monstruosos a que ela está sendo submetida.

A rua está escura. Falta um trecho longo para chegar ao ponto de ônibus. Atrás, passos seguem o caminho pisado por ela. Escutando a respiração ofegante que vinha de alguém, as linhas dos textos jornalísticos berram, em seus pensamentos, as mensagens anunciadas:

Uma estrangeira de 22 anos é estuprada, no Catar, e presa por fazer sexo fora do casamento.

Uma estudante é violentada a caminho da escola, em uma manhã aparentemente tão comum quanto as outras.

Na rua dela, uma menina gritou, à noite, e ela não soube o motivo.

Em uma cidade próxima, uma jovem de 16 anos foi abusada por 33 homens.

Os passos atrás ficam mais rápidos.

Ana segura a bolsa.

“Meu Deus, que seja só um assalto. Que levem bolsa, dinheiro e celular, mas deixem a minha dignidade”.

Ana afrouxa a bolsa.

Noites passadas, conversara sobre os medos de ser mulher. E, enquanto falava, seus temores tomavam proporções cada vez maiores. Andar na rua sem saber se conseguirá voltar para casa. Olhar para os lados até se certificar de não estar sendo seguida. Atravessar a rua quando homens estranhos sem aproximam e ignorar palavras imundas que saem de suas bocas quando ela passa.

Ana respira fundo para controlar os tremores.

A poucos metros, a rua mais escura, avista o ônibus. Parado no ponto. Mais uma vez, roga a Deus. “Que ele não saia até a minha chegada. Que ele espere para que eu não fique sozinha”. Posiciona-se para atravessar a rua. Tinha certeza de que os passos continuavam ali. Vagarosamente, para não chamar a atenção, virou o pescoço. Não havia homem. Nem mulher. Expirou, aliviada, e entrou no ônibus seguida por seus medos.

 

Oposição rola a bola para Garotinho chutar

Bola nas costas 1

 

 

Ontem não foi só o dia em que o pré-candidato da situação Dr. Chicão (PR) surfou (aqui) em pautas positivas do governo, ao lado da prefeita Rosinha (PR) e depois do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), enquanto o vereador Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT) se esforçavam para apagar incêndios (aqui) mutuamente ateados por suas pré-campanhas de oposição.

Ontem também foi o dia em que Gil Vianna (PSB), outro pré-candidato de oposição e vereador, disse aqui na sessão da Câmara:

—  Pegaram três empréstimos e vão jogar a conta para a população. Na visão deles, o povo é trouxa e tem que pagar.

Tirada de contexto, a afirmação “o povo é trouxa” foi rapidamente massificado nas redes sociais pelo exército virtual dos 1,4 mil DAS e 2,5 mil RPAs do governo rosáceo, pagos com dinheiro público real. Como reais foram as consequências que fizeram Gil, na sessão de hoje da Câmara, tentar aqui consertar o estrago:

— Falei ontem. Sou bastante homem para assumir. A cidade está sendo enterrada. Represento milhares de votos por meu perfil direto e transparente. E algumas pessoas tentam me desqualificar. Trouxa é um termo informal para classificar uma pessoa que é facilmente enganada, boba, vamos dizer assim. O Hospital São José, obra começou em 2013 e até hoje nada.

Na emenda talvez pior que o soneto, em ambos os casos do governo se aproveitando dos erros da oposição, a certeza da advertência feita desde março (aqui) pelo advogado tributarista Carlos Alexandre de Azevedo Campos:

— Nesse jogo todo, só há um político profissional de verdade, e ele não está na oposição.

 

Rafael e Caio aparam arestas, enquanto Rosinha e Garotinho posam com Chicão

Se os pré-candidatos a prefeito Caio Vianna (PDT) e Rafael Diniz (PPS) tiveram que intervir (aqui) para conter as provocações públicas entre alguns de seus principais correligionários, a atitude parece ser oposta no seio do garotismo. No paralelo estabelecido aqui pelo “Ponto final”, coluna de opinião da Folha, ontem, mesmo dia que o estranhamento se dava entre duas das principais pré-candidaturas de oposição, tanto a prefeita Rosinha Garotinho (PR), quanto seu secretário de Governo e marido, Anthony Garotinho (PR) posavam com fotos com quem, como foi antecipado aqui, caminha a passos largos para ser o candidato governista a prefeito: o atual vice Dr. Chicão (PR).

Na dúvida, confira abaixo as fotos de Chicão feitas ontem com Rosinha, quando esta anunciou (aqui) o início do agendamento na Prefeitura para legalização de imóveis, e com Garotinho, poucas horas depois, na inauguração (aqui) da primeira etapa do Bairro Legal Jóquei II:

 

 

Chicão e Rosinha ontem no projeto “Lote Legal” (foto: Secom)
Chicão e Rosinha ontem no projeto “Lote Legal” (foto: Secom)

 

 

Chicão e Garotinho, ontem, no projeto “Bairro Legal” (Secom)
Chicão e Garotinho, ontem, no projeto “Bairro Legal” (Secom)

 

Guerra e paz: Caio e Rafael pacificam provocações entre Bacellar e Sérgio

Rafael e Caio quando selaram em fevereiro um pacto de não agressão para as eleições de outubro (foto: divulgação)
Rafael e Caio quando selaram em fevereiro um pacto de não agressão para as eleições de outubro (foto: divulgação)

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

“Desde o início, tenho dito que todos os pré-candidatos têm que ser respeitados. Vou continuar me pautando nisso e assim caminharei até o fim, como estamos fazendo nessa pré-campanha”, assegurou o vereador e pré-candidato a prefeito Rafael Diniz (PPS). “No Facebook se fala muita coisa. Sérgio (Mendes) é só mais um. Ele responde por Rafael? Acho que ele (Rafael) não compactua com esse tipo de ação. Estamos agora preocupados em montar uma boa plataforma de governo, não na disputa eleitoral. Campos precisa ser pacificada”, pregou Caio Vianna (PDT), também pré-candidato a prefeito.

O discurso pacificador dos dois jovens políticos endossa o acordo de não agressão na disputa eleitoral de outubro, selado (aqui) no começo de fevereiro. No encontro há quatro meses, ambos posaram para fotos e ensaiaram o discurso comum:

— A maturidade tem que prevalecer. Campos é maior do que desejos pessoais.

Mas se maturidade é sinônimo de união, sobretudo na oposição comum a um grupo que está no poder do município há 27 anos, os aliados mais experientes de Rafael e Caio parecem querer caminhar em sentido contrário. E o palco dessa disputa tem sido as redes sociais. Foi nelas que o ex-prefeito Sérgio Mendes, presidente municipal do PPS de Rafael, aproveitou a última segunda (20) para desejar (aqui) uma boa semana e, mesmo sem nomes, fazer a clara provocação:

— Marido mandando na prefeitura no lugar da mulher: basta! Mulher mandando no lugar do ex ou do rebento: nem pensar! Penso que carecemos de alguém com vôo próprio, ética, coragem, competência, determinação, sobretudo independência, para uma efetiva mudança. Boa semana amigos!

Conhecido por seu estilo combativo e direto, o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), aliado de Caio, esperou um dia para reagir duramente, também em seu perfil de Facebook. Nele, escreveu (aqui) ontem:

— O ex-prefeito Sérgio Mendes, um político local que foi varrido para a tumba em 1996, é um dos zumbis a desfilar pela rede social escrevendo asneiras. Agora mesmo está agredindo gratuitamente pré-candidatos de oposição. Tenta agir em nome do vereador Rafael Diniz. Resta saber se tem procuração para essa empreitada suja. Saiu da Prefeitura pela porta dos fundos. Dois anos depois teve menos de quatro mil votos ao postular um mandato na Alerj. Não conseguiu eleger a esposa como vereadora e, mais recentemente, no governo Mocaiber (quem diria!), foi parar na Codemca para cuidar dos cemitérios da cidade.

Depois do contravapor de Bacellar, Mendes ontem tentou (aqui) baixar a corda:

— Campos precisa de serenidade, bom senso e um projeto alternativo para seu desenvolvimento sem a dependência dos royalties. No mais, no que me cabe, não quero, nem vou transformar esse pleito em uma luta de UFC.

Resta saber se esse “combate” pré-campanha foi mesmo de UFC, ou do seu antecessor telecatch, onde as lutas são coreografadas.

 

Página 3 da edição de hoje (22) da Folha
Página 3 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

Ocinei Trindade — Entre a morte e o perdão

Ocinei 21-06-16

 

 

— Estava em Orlando me divertindo, na terra da magia e da fantasia. De repente, eu e um grupo de amigos, além de muitos desconhecidos amigáveis, decidimos entrar na Boate Pulse. Lugar daqueles que a gente vai para ser igual a todo mundo e ver se há alguém diferente para dividir os dias, pois sabe como é, né? Todos nós queremos alguém para viver uma eternidade, nem que seja por umas horas, uma noite, uma semana. Ah, tá bom, eu quero alguém sim pra chamar de meu. E se o amor da minha vida estiver na boate? Bem, caso não esteja, pelo menos a gente desfila e pega geral. Vai que dá certo? Fico enlouquecido quando toca Lady Gaga. Não sei o que me dá. No último dia 12, tinha um cara bem gato na boate. Não sei se era latino ou grego. Depois disseram que era do Afeganistão. Aí, lembrei daquele lugar cheio de gente doida, do Talibã, e daquelas mulheres vestidas de burca. Muito louco, né. Só sei que gostei do afegão, baby. Achei que ele também gostou de mim, mas assim, do nada, o cara surgiu com uma bazuca na mão (e que bazuca, honey). Depois o bofe-escândalo desatou a atirar. Gritei feito bicha histérica e corri. Tive que fugir, mas não sabia pra onde. Me deu uma tristeza, um vazio, uma solidão. Lembrei da minha família e dos meus amigos. Eu quis estar com eles — disse o jovem de vinte e dois anos.

— Nossa, eu tinha muita coisa para estudar, mas estava de saco cheio e meio deprimida. Faz um mês que terminei meu namoro com um guri. Pensei que a gente fosse voltar, mas que nada. Soube até que ele está ficando com uma talzinha aí. Me disseram que é bonita. Eu disse que não estava nem aí mais para aquele imbecil. Pior que eu menti. Se ele quisesse voltar, eu acho que não resistiria mentir por muito tempo. Então, voltando à conversa anterior, eu tinha prova de geometria supercomplicada no dia seguinte, mas optei dar um tempo e me fazer feliz por algumas horinhas. Minhas amigas me convidaram para ir na boate Kiss de Santa Maria, tinha uma banda que adoro, a Gurizada Fandangueira, e sei que meu ex também adora. Vai que eu encontrasse ele lá? Me produzi toda e fui mais linda possível, pois se ele estivesse com a periguete, eu não podia estar de baixo, veja só. Era janeiro de 2013. Lá pelas tantas, uma gritaria, uma confusão com fogo e fumaça na boate. Não entendi nada. — comentou a linda morena de vinte anos apenas.

— Já eu adoro o rock do Callejeros. O quê? Você não conhece a banda argentina? Hombre, tienes que conocir. Outro dia, nem faz tanto tempo assim, foi em 2005, fui assistir a Callejeros na boate República Cromagnon. Não sabe onde fica? Carajo, pelo visto você nunca esteve em Buenos Aires, não é? Melhor lugar da América do Sul, quiçá, de toda a América. Vivo na melhor cidade do mundo. Tierra de gente inteligente y guapa.  Buenos Aires é grandiosa. Temos os melhores vinhos, as melhores carnes, o melhor futebol, temos um deus que se chama Diego Maradona e agora um Papa. Hombre, Jorge Bergoglio é tudo de bueno, Temos a música mais envolvente, a dança mais apaixonante que é o tango, além do tango eletrônico, lógico. Somos evoluídos, o casamento gay é normal, plantar maconha em casa e fumar marihuana na rua é normal. Bem, só para lembrar que eu estava naquele exato dia na Cromagnon e algo estranho aconteceu. Também acho que sinais de fogo apareceram. Fue mucho loco — lembrou o portenho passional de dezenove anos.

— Eu tenho dezoito anos. Acho que já faz seis anos, se eu não me engano, era junho de 2008. Fui a ao aniversário de um amigo na Baronetti, em Ipanema, boate supermaneira, mermão. Pô, brother, tava cheio de gatinha naquela noite. Zuamo tudo, tá ligado? Pegamu xeral. Foi bem irado, alto astral. Me amarrei de montão. Aí, por volta das cinco horas da madruga, decidimos sair. Cara, pintou uma confusão de repente do outro lado da rua. Quando dei por mim, eu estava caído no chão apanhando. Levei muita porrada. De repente, o segurança da boate que era policial militar mas não estava de serviço, deu dois ou três disparos para apartar a galera. Cara, não vou te negar não, parada sinistra aquela. Demorei um pouco pra perceber que um dos tiros pegou em mim, mermão. Muito over aquela parada, um tiro bem no meio do meu peito — lamentou o jovem lindo e louro.

— Vocês são todos velhos. Eu tenho seis anos apenas, mas sou uma menina muito inteligente. Sei tudo o que gente grande fala em faz. Eu presto atenção em tudo. Nasci em Aurora, no Colorado. Onde fica? Well, well, let me say: United States of America, of course. Yes, I am American. Bem, eu gosto de fazer muita coisa. Gosto de brincar com minhas bonecas, jogar videogame com meu pai e adoro quando ganho dele. Sei que ele finge perder pra mim às vezes, mas é que ele não gosta de me ver triste. Como eu vim parar aqui? Isso eu não sei direito. Minha cabeça às vezes mistura fantasia e realidade. Sabe coisas da Disney, da Pixar, da Marvel? Então, é meio assim. Só sei que eu estava no cinema para ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Adoro o Homem-Morcego. Eu queria morar em Gotham City. Naquele dia, em julho de 2012, lembro bem o ano, um homem muito estranho entrou no cinema e atirou na direção de todo mundo. Eu contei direitinho: os tiros atravessaram doze pessoas. Saiu muito sangue e elas ficaram caídas no chão — contou a garotinha.

— Eu sou pedreiro. Nasci no Rio de janeiro. Não sei ler, nem escrever. Não sei ao certo minha idade. Meus pais tiveram doze filhos. Sou o sétimo. Nasci e cresci na Rocinha. Sou casado e tenho seis filhos. No dia 13 ou 14 de julho de 2013, mais de trezentos policiais fizeram operação na favela. Era pra prender bandido e suspeito de bandidagem. O tráfico de drogas come solto nos morros. Fizeram uma tal de UPP. Chamam de Polícia Pacificadora. Naquele dia me confundiram com traficante. Sabe como é. preto e favelado já não têm muito cartaz com a sociedade. E o pessoal da polícia parece ter mais raiva ainda de preto e favelado. Prenderam um bocado de gente, mas nem sei no que deu. A polícia prende, mas tem advogado pra soltar, aí já viu. A polícia no Brasil tem fama de violenta e corrupta. Mas como eu posso subornar policial se nem tenho onde cair morto? Só sei que eu desapareci. Não voltei mais pra Rocinha, nunca mais vi meus filhos e minha mulher. Eu sumi. É só o que me lembro. Eu sumi — relatou o perturbado pedreiro.

—  Voilá!  Très bien! Acho que sou o mais velho dentre todos aqui. Tenho 42 anos e sou francês. Nasci e sempre vivi em Paris. Trabalhava no prédio do jornal Charlie Hebdo. Não, eu não sou chargista, nem cartunista, nem jornalista. Eu cuidava da zeladoria do prédio onde funciona o jornal. Era tenso trabalhar ali. Havia muitas críticas às publicações. Religiosos de todo gênero torciam o nariz com as piadas que faziam. Ah, judeus, cristãos em geral, mas sobretudo os muçulmanos que não gostavam que criticassem o profeta Maomé.  Acho meio esquisito não poder fazer piada de um profeta, já que fazemos piada direto sobre Jesus Cristo, Santa Maria e do próprio Deus. Entretanto, não dá para saber o que passa na cabeça das pessoas. Havia um grupo extremista do Estado Islâmico que estava bastante furioso com o pessoal do jornal e fizeram ameaças. Nós franceses estamos mais que acostumados com a liberdade de expressão, mas tem árabes que não sabem o que é democracia, por exemplo. Só sei que no dia 7 de janeiro de 2015, bem recente, Paris ficou em choque. Terroristas entraram na sede do jornal e atiraram pra todo lado. A França e a Europa entraram em alerta. Disseram que mataram doze e feriram muitos — comentou o funcionário do edifício alvejado.

— Eu sou Ocinei Trindade. Tenho 46 anos, sou jornalista, estou fazendo pós-graduação para dar aulas futuramente na universidade, e tentar sobreviver no Brasil que está um caos política e economicamente. Estudar é preciso. Pensar e refletir idem. Estou sem trabalho fixo. Milhões de brasileiros também estão.  Eu escrevo para meu blogue quando estou inspirado e estou colaborando com a coluna Opiniões do jornal Folha da Manhã por uma temporadaEu converso com mortos. Sim, com mortos. Converso com Freud, Shakespeare, Machado de Assis, Clarice Lispector, Schopenhauer, Marx, Sócrates, Aristóteles, Platão e companhia. Converso até com meus pais, avós e amigos mortos. Eu penso muito. Sofro muito por pensar muito, mas sofro também quando a mente está vazia e não há inspiração para escrever. Bem, minha memória não cabe tudo e nem me lembro de tudo. Eu queria dizer a vocês sete que estão aqui nestes relatos, que eu não sei o nome de vocês com certeza, mas poderia dar um nome qualquer para que não ficassem no anonimato. Sei que de fato, vocês existem na frágil e falível história humana. Eu recorri à Internet para recriar alguns fatos marcantes dos últimos tempos, como incêndios em boates, atentados frequentes nos Estados Unidos, crimes bárbaros no Brasil, ataques terroristas na Europa e no mundo. Não deu pra falar de todas as atrocidades na Venezuela, Síria, África, América Latina. O mundo está bastante complicado, apesar dos avanços tecnológicos. Bem, quero dizer aos sete que, além de eu falar com mortos, eu invento e reinvento mortos. Vocês sete, por exemplo, não sobreviveram a essas tragédias. Vocês e outros tantos morreram, não existem mais. Vocês são mortos, por isso converso com vocês também. Mas há resquícios de memórias. Vocês deixaram famílias e amigos de luto. Alguns ainda choram a ausência de vocês.  A vida é muito curta e passa muito rapidamente. Quero dizer que a maioria da Humanidade não soube da existência, nem da morte de vocês. Milhões e milhões, bilhões e bilhões de pessoas morreram também, antes de vocês. Morreram por coisas mais estúpidas, como por exemplo, guerras e governos corruptos, organizações criminosas como tráfico de drogas, de mulheres e crianças. Morreram por doenças banais, fome, desnutrição, falta de comida, moradia e assistência médica. O pior é que em pleno século XXI, com todo o avanço e conquistas, milhões de pessoas continuam morrendo por esses mesmos motivos e por qualquer tipo de violência (sexual, inclusive) e imbecilidade. Ainda há gente sendo escravizada. Há intolerância e desrespeito de todo tipo. As pessoas continuam morrendo por falta de amor, respeito e compaixão. Holocaustos não cessam. Acho que a humanidade é um projeto que não tem dado certo há milênios, desde que aprendemos a escrever e a registrar a História. Pensando bem, eu não sei quem está em melhor situação. Se vocês que estão mortos, ou se nós que pensamos estarmos vivos. Tenho a sensação de que nós já morremos também, mas ainda podemos inventar histórias e sonhar com final feliz. Não sei bem a quem pedir perdão e a quem perdoar. Viver e morrer são coisas confusas e doloridas. Só sei que todos nós temos que seguir sobrevivendo. Até o fim.

 

Caio e Rafael botam panos quentes na polarização Sérgio/Bacellar

Rafael e Caio quando selaram em fevereiro um pacto de não agressão para as eleições de outubro (foto: divulgação)
Rafael e Caio quando selaram em fevereiro um pacto de não agressão para as eleições de outubro (foto: divulgação)

 

Os pré-candidatos a prefeito Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT) se posicionaram sobre a troca de farpas entre o ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS) e o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), tratada aqui e aqui, nas postagens abaixo, com relação às eleições municipais de outubro:

— No Facebook se fala muita coisa. Sérgio é só mais um. Campos precisa ser pacificada — pontuou Caio.

— Desde o início, tenho dito que todos os pré-candidatos têm que ser respeitados — lembrou Rafael.

 

Leia amanhã a íntegra da matéria na edição impressa da Folha