Carol Poesia — Cremosa

(Arte de Amanda Erthal)
(Arte de Amanda Erthal)

 

 

Acordou de madrugada com dor na consciência.

Arrependida por ter se permitido mais uma vez.

Olhou-se no espelho: nua, lambuzada, exausta e sozinha.

Traída pelo próprio desejo.

Por que diabos a vontade era mais forte do que o objetivo de resistir?

Não sabia. Era sempre a mesma ladainha: bastava vê-lo para sentir a nuca arrepiada e uma gota de suor descendo pela lombar.

Depois ficava chateada, deprimida, sentindo-se puta, vendida.

Ele – frio. Mas para ela, quanto mais gelado mais excitante. A tentação era constante.

Não resistiu.

Foi até a cozinha, abriu a geladeira e devorou, com tesão de gorda, a mousse de limão, o pavê de amendoim e dois terços da torta de chocolate.

Foda-se a dieta, não era de fazer cu doce.

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Nino Bellieny

    MuitoBoa! O paladar de Eros.

  2. Charles

    Com água na boca!

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