Do legado de Ulysses que nos governa, a quem vai governar Campos

Ponto final

 

 

Um século

Se fosse vivo, Ulysses Guimarães teria completado ontem 100 anos. Para quem hoje tem menos de 40, talvez seja difícil dimensionar a importância do parlamentar na história recente do Brasil. Foi figura de proa em todos os passos da redemocratização do país, num protagonismo assumido desde sua corajosa anticandidatura a presidente contra o genereal Ernesto Geisel (1907/96), em 1973; passando pela luta pela anistia dos presos e exilados políticos na luta contra a Ditadura Militar (1964/85), em 1979.

 

“Diretas Já”

Junto a vários outros políticos de peso, como os também experientes Tancredo Neves (1910/85) e Franco Montoro (1916/99), além dos mais jovens Mário Covas (1930/2001) Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, Ulysses esteve à frente do movimento “Diretas Já”. Entre 1983 e 1984, a luta pela emenda constitucional gerou as maiores manifestações populares até o Brasil de então, para pedir nas ruas o direito de eleger no voto popular o presidente em 1985. Os militares venceram, mantendo a eleição presidencial no colégio eleitoral do Congresso, mas nela foram derrotados por Tancredo.

 

“Ódio e nojo à Ditadura!”

Com a morte súbita do novo presidente, antes mesmo de assumir, e com o perigo do retorno dos militares inconformados com a perda do poder após 21 anos, Ulysses foi o esteio moral que garantiu a posse do vice de Tancredo, José Sarney, ex-aliado dos generais. Garantida a transição, Ulysses abraçou uma nova missão, certamente sua maior. Presidiu entre 1987 e 88 a Assembléia Nacional Constituinte, na qual foi parida a chamada “Constituição Cidadã”, que nos rege até hoje. E, ao promulgá-la, disse fazê-lo com “ódio e nojo à Ditadura!”.

 

Último combate

Com o fracasso do governo Sarney, incapaz de conter o avanço da hiperinflação herdada dos militares, Ulysses e seu PMDB acabaram sendo os maiores prejudicados quando a eleição direta a presidente finalmente veio, em 1989. Ao concorrer naquilo pelo que mais lutou, o experiente parlamentar não foi além do sétimo lugar na disputa majoritária pelo Palácio do Planalto. Mas, eleito Fernando Collor de Mello, quando a maioria achava que Ulysses cairia no ostracismo, assumiu na Câmara a condição de líder do impeachment do jovem e destemperado presidente.

 

O mito e o legado

Batizado com o nome latino do maior navegador grego, que penou no mar durante 10 anos antes de regressar para sua casa, após lutar na legendária Guerra de Tróia, Ulysses morreria no mar de Angra dos Reis, num acidente de helicóptero em 1992. Seu corpo, num reforço do mito tão ao gosto das civilizações clássicas, nunca foi achado. Mas enquanto vivermos numa democracia, sob a égide das leis da Constituição de 1988, seu legado respira, sua, saliva, aconselha, grita, acolhe e luta. Num tempo tão pobre de lideranças políticas no Brasil, o contraste do que foi Ulysses como homem público deveria constranger a todos nós.

 

Rafael no “Panorama”

Prefeito eleito de Campos, Rafael Diniz (PPS) será entrevistado hoje na Rádio Continental (AM 1270), do Grupo Folha. No programa “Panorama Continental”, apresentado por Cláudio Nogueira, Diniz responderá a perguntas dos ouvintes e traçará um perfil do planejamento para seu governo, que se inicia em 1º de janeiro. Nogueira promete buscar do prefeito a revelação de pelo menos um nome do secretariado que está sendo montado. É ouvir e conferir. Na internet, a Continental pode ser ouvida no site www.radiocontinentalam.com.br

 

Presidência

Divulgado o resultado das urnas, a expectativa agora é por saber quem será o presidente da Câmara de Campos. Despontam Marcão (Rede), aliado de Rafael e mais votado no pleito, e Thiago Virgílio (PTC), do palanque rosáceo. Marcão tem menos vereadores em seu grupo, mas já se movimenta para saber qual é a aceitação entre os pares, até mesmo os eleitos em outros palanques. Virgílio tem um grupo maior, mas é um dos 37 investigados no “escandaloso esquema” denunciado pelo Ministério Público Eleitoral quanto à possível troca do Cheque Cidadão por voto. Se condenado, pode perder o mandato.

 

Com a colaboração dos jornalistas Antunis Clayton e Arnaldo Neto

 

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