Votação inócua após Justiça vetar uso de imóveis para pagar rombo de Rosinha

Ponto final

 

 

Após liminar, votação inócua

Diante da pressão da população, que lotou as galerias da Câmara nas sessões de terça (13) e ontem (15), o governo Rosinha Garotinho (PR) não conseguiu aprovar seu projeto de lei, mais duas emendas do presidente do Legislativo Edson Batista (PTB), que comprometeriam todos os bens imóveis, créditos e direitos creditórios do município, para pagar o rombo rosáceo no Previcampos. E, depois da decisão liminar de ontem do juiz da 4ª Vara Cível de Campos, Eron Simas, vetando a dação de imóveis nos termos propostos por Rosinha, mesmo que seja aprovada pelo vereadores rosáceos na sessão extraordinária de hoje, o projeto será inócuo.

 

Com e sem coincidências

Por coincidência, Eron responde também pela 99ª Zona Eleitoral de Campos, que julga as 38 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) daquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou como “escandaloso esquema”, na suposta troca de Cheque Cidadão por votos na eleição de outubro. Destes, 11 foram eleitos ou reeleitos à Câmara Municipal. Sete já ocupam assento no Legislativo. Sem coincidência, votarão hoje a favor de se usar os imóveis do município para pagar o rombo de Rosinha no Previcampos, estimado em mais de R$ 400 milhões: Jorge Rangel (PTB), Kellinho (PR), Magal (PSD), Thiago Virgílio (PTC), Ozéias (PSDB), Cecília Ribeiro Gomes (PT do B) e Miguelito (PSL).

 

Articulações reveladas

Para conseguir a maioria que não tinha na sessão de terça (13), mesmo proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral de pisar em Campos, para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal (PF) na operação Chequinho, Anthony Garotinho articulou em videoconferências na quarta (14) para ter o voto de três vereadores que estavam indecisos: Jorge Magal (PSD), Abdu Neme (PR) e Álvaro César (PRTB). Na quarta (14), no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, e ontem (15), nesta mesma coluna, foram reveladas as articulações de Garotinho, atuando como “prefeito de fato” do município, como já havia antecipado o juízo da 100ª Zona Eleitoral.

 

Previsível

O resultado, revelado na tensa sessão de ontem, que adiou novamente a votação para hoje, foi que Abdu e Álvaro César apresentaram uma nova emenda governista, na qual limitavam os imóveis que pretendem utilizar para pagar o rombo rosáceo na previdência dos servidores. Seriam eles o prédio do próprio Previcampos, na av. Alberto Torres; a nova Rodoviária do Shopping Estrada; o novo prédio do Procon, na av. José Alves de Azevedo; além de três terrenos do Fudecam: em Mineiros, Travessão e no Pq. Nogueira. O prédio do Previcampos e o Shopping Estrada também já tinham sido adiantados, ontem, nesta coluna.

 

A causa de tudo

Foi também no “Ponto Final” que se revelou o verdadeiro motivo dessa busca desesperada nos últimos 15 dias de um governo que administrou o município por oito anos. Distante da insustentável explicação de “cálculo atuarial” que Garotinho quis vender ainda na terça (13), a causa real do seu nervosismo é que, sem a efetivação da draconiana proposta de lei, Rosinha corre o sério risco de se tornar inelegível já a partir de 1º de janeiro de 2017.  E graças à liminar da 4ª Vara Cível, em ação do advogado e vereador eleito Cláudio Andrade (PSDC), a (ainda) prefeita está mais perto disso. Independente do que seus vereadores votarem hoje.

 

No prejuízo

Há quase três anos na estrutura provisória do parque Alberto Sampaio, os camelôs perderam as contas de quantas vezes viram suas mercadorias se perderem por causa de alagamentos. À espera da nova estrutura, que ainda parece estar longe de ser inaugurada, eles amargam mais um prejuízo às vésperas do Natal. Muitos investiram em mercadorias justamente para a ocasião. Ontem, ao invés de vender, eles passaram o dia tirando a sujeira e contabilizando as perdas.

 

Resposta nas urnas

O que se espera agora é que depois tantas mancadas dadas pelo atual governo municipal, inclusive com a construção da nova estrutura do Camelódromo em área inadequada por conta do valor histórico do Mercado Municipal, os camelôs sejam tratados com mais respeito e não como massa de manobra para eleger candidatos. Não só os camelôs, mas milhares de campistas têm entendido que não dá mais para suportar esse tipo de política e a resposta já veio nas urnas.

 

Publicado hoje (16) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 5 comentários

  1. Rodrigo

    Que falta mais para fazer para que a justiça prenda esse (trecho excluído pela moderação)!

  2. gil

    É UMA VERGONHA PRA VCS SENHORES VEREADORES,VOTAREM A FAVOR DE UMA CORVARDIA DESSAS COM A CIDADE DE CAMPOS POR ORDEM DO DITADOR.

  3. Genildo Siqueira

    Votação inócua após Justiça vetar uso de imóveis para pagar rombo de Rosinha

    Por favor, só gostaria entender, quando devemos algo e pagamos, o dinheiro não retorna para minha mão, pois já não é mais meu, se dou um bem em pagamento, já não é mais meu, paguei, está pago.
    É isso mesmo que o texto acima está dizendo, os imóveis estariam sendo dados como pagamento é a Prefeitura já não seria mais Propietária? Não retornaria mais ao erário público? ou há erro na redação do título e texto? Quero entender para formar juízo.
    Obrigado

  4. Henrique

    Em janeiro dona rosa seu marido coronel sarue vai fazer companhia a Sérgio Cabral e sua esposa na (trecho excluído pela moderação)

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