Carol Poesia — Quebra tudo e chama a NASA!

 

Carol Poesia em São Tomé das Letras (Foto: Adriano Moura)
Carol Poesia em São Tomé das Letras (Foto: Adriano Moura)

Em São Tomé das Letras nada fazia sentido: “cogumelos azuis”, “vampiro doidão”, “diabo careta”… “Quebra tudo e chama a NASA” — cantávamos em coro, protestando contra tudo, invocando sabe lá Deus o quê.

No meio da tarde, o Ventania e suas viagens, acessíveis a qualquer um. Montanhas, pirâmides, água. “São Tomé é cidade mágica”. Eu sei,  eu sei…

“É um dos sete pontos energéticos do mundo”. Em meio a muitas risadas — “quais são os outros seis”? A pergunta era legítima, mas virou piada. É a brisa na calçada, carrega um, carrega dois, carrega três.

A Ladeira do Amendoim desafia a lei da física. Puxa de baixo pra cima!! E não é “coisa pra inglês ver”!

No mato, o tempo passa diferente, definitivamente. Há vida cheia de si “pra dar e pra vender”!

Em São Tomé nada fazia sentido: parecia nem ter tido 2016. Sem golpe, sem massacre, sem desastre. O ano passado foi um filme ruim que ninguém quer rever.

 

 

Hoje (ontem) morre Zygmunt  Bauman, autor que tanto nos elucidou sobre a Modernidade, suas incertezas, ansiedades, sobre as relações do homem na cidade.

Afinal, o que eu perco não tendo uma comunidade?

 

 

No último dia em São Tomé, o proprietário da casa perguntou se algum de nós havia esquecido os óculos no passeio pela manhã. Os óculos eram, de fato, de um de nossos amigos. E haviam sido esquecidos durante um passeio de ônibus com mais de quarenta pessoas, para uma fazenda a quilômetros dali.

Como os óculos teriam retornado até nós? Ficamos todos surpresos. Assim como havíamos ficado surpresos, nos dias anteriores, com cada gentileza na rua, cada explicação de bom grado e informação gratuita. Há paciência nas palavras das pessoas de lá. Há paciência nas nossas palavras quando estamos lá. Dizem que eles falam cantando… É verdade, nós ouvimos bem!

Nesses raros momentos de cordialidade e zelo por parte de estranhos, percebo, de fato, o quão líquidas são as relações na cidade — baseadas, comumente, em vantagens. Lembro-me da Modernidade Líquida de Bauman e invejo a lucidez desse povo que olha no olho e é feliz sem wi-fi.

São Tomé não faz nenhum sentido, mas o nonsense às vezes é o que há de mais honesto a ser vivido.

 

 

Quebra tudo e chama a NASA (Tibil)

 

quebra tudo e chama a nasa

quebra tudo e chama a nasa

quebra tudo e chama a nasa

 

a tesoura ta na bolsa

um cortinho e nada mais

da sala nem me lembro

 

onde é que esta maria

 

se você não tem o Franks tem

se você não tinha o Tio Pa tinhas

se você não gosta a Gal gosta

 

quebra tudo e chama a nasa

 

se a nasa não vier chama a ONU

 

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Este post tem um comentário

  1. Lídia

    Golpe?? Haja “cogumelos azuis”, “vampiro doidão” e “diabo careta” ein??

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