Opiniões

Do sinal amarelo no fim de 2017 à projeção do verde para 2018

 

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (31) na Folha

 

 

Sinal amarelo

Quem leu a reportagem da Folha publicada (aqui) em 2 de julho, ouvindo professores universitários de Campos sobre os seis primeiros meses da gestão Rafael Diniz (PPS), e compara com a publicada (aqui) nas duas páginas anteriores da edição de hoje, onde vários acadêmicos analisam o primeiro ano da nova administração, tem clara a impressão: subiu o tom das críticas ao governo municipal. Outra diferença é que, além do monopólio das ciências humanas como fontes de julho, em dezembro também foi colhida a avaliação de economistas. E, em ambas, sem o critério técnico das pesquisas, a população foi igualmente consultada em enquetes.

 

Necessidade de diálogo

A partir da instalação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em 1991, Campos passou a ser um polo universitário. E ninguém em sã consciência pode pensar no desenvolvimento da cidade sem passar pelo diálogo franco com sua comunidade acadêmica. E diálogo pressupõe também ouvir críticas. Em tese, essa interlocução se torna mais fácil com um governo que se elegeu, numa vitória avassaladora ainda no primeiro turno de 2016, com o discurso do diálogo prevalecendo sobre uma maneira personalista de fazer política, que ditava os rumos do município desde 1989.

 

Causa e efeito?

No entanto, o acréscimo das análises econômicas sobre o primeiro ano do novo governo trouxe contrapontos em relação ao antigo. Professor da Uenf, o economista Alcimar das Chagas comparou: “A gestão passada contou com o ingresso de R$ 562,2 milhões de empréstimo, mas alocou R$ 222,3 milhões em investimento, enquanto o governo atual focou na redução das despesas e não esboçou nenhuma capacidade de investimento”. Muito embora, como o empréstimo citado é o que a população chamou de “venda do futuro”, a cobrança presente do investimento rosáceo pareça ser a causa da ausência de investimento.

 

Prós e contras

Também economista, o professor da Estácio José Alves de Azevedo Neto foi voz praticamente solitária ao tecer elogios desavexados às políticas econômicas do governo de Campos em curto, médio e longo prazos. Diametralmente opostas foram as análises das ciências humanas feitas pelo sociólogo Fabrício Maciel e o cientista político Márcio Malta, ambos professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Campos. Eles cobraram orientações políticas de esquerda ao novo governo, criticando, sobretudo, o corte de programas sociais como Cheque-Cidadão, Passagem Social e Restaurante Popular.

 

Esquerda goitacá

Certo que reabrir o Restaurante Popular em 2018, como prometeu (aqui) César Tinoco, assessor especial do prefeito, em entrevista à Folha no dia 17, passa uma posição dúbia do governo. Mas cobrar dele orientação canhota, a despeito da boa intenção, parece não atentar ao fato de que a esquerda não teve candidato a prefeito em Campos — exceção ideologicamente incerta de Caio Vianna, que disputou pelo PDT, mas perdeu o apoio do pai para compor com o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Para vereador, o candidato de esquerda mais bem votado foi Professor Alexandre (PT), que fez consideráveis 1.940 votos, mas não se elegeu.

 

Na real

Pragmaticamente, partiu do experiente sociólogo José Luis Vianna da Cruz uma defesa consistente dos programas sociais cortados por Rafael: “Reduz(em) gastos com saúde e rende(m) frutos eleitorais”. Como, independente das ideologias, é impossível não se solidarizar com o exemplo real oferecido pelo antropólogo Carlos Abraão Moura Valpassos, professor da UFF-Campos. Ele lembrou o caso de um doente com fortes dores que não foi da UBS, onde buscou atendimento, ao hospital que tinha o medicamento para curá-lo. O motivo? Não tinha os R$ 11,00 das passagens de ônibus majoradas, de ida e volta, para ele e a mulher.

 

Sinal verde?

Outras críticas, presentes desde a campanha, foram ecoadas pela historiadora Sylvia Paes e o cientista político Hamilton Garcia. A primeira observou: “Embora saibamos da sensibilidade do prefeito em agir justamente, seu corpo de assessores nem sempre produziu bons resultados”. O segundo alertou ao “espírito de confraria, ao qual o atual prefeito parece atado”. Membro da jovem equipe de governo, o secretário Controle Orçamentário Felipe Quintanilha foi procurado pela coluna para falar da previsão de R$ 2,039 bilhões de orçamento para 2018, em relação ao 1,585 bilhão de 2017. A coluna indagou: “Será menos pior?”. Ao que ele asseverou: “Vai ser muito melhor!”. Cumprida, não haveria melhor resposta.

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Eita blá, blá, blá, vi tudo o contrario!, ano de caça aos pobres, faz uma pesquisa junto a essa classe dos excluídos fala para eles deste desgoverno, vão ter uma surpresa, chega de chororo, Carla Machado pegou SJB pipr

    1. Caro Jose Maria Rangel,

      Há quem queira reduzir o debate a “blá, blá, blá”. Não raro pela incapacidade de sustentá-lo. Pode ser em nome dos “excluídos”. Pode ser em nome da “moral e bons costumes”. Freud chamaria de iguais por oposição.

      Abç e grato pela chance do paralelo!

      Aluysio

  2. E MUITO DEMAGOGIA DESSE GOVERNO,!!! RAFAEL VAI ABRIR TUDO DE NOVO,,,,MAIS QUEM ESTA VINDO POR FORA DIZENDO QUE FOI ELE QUEM PEDIU A RAFAEL PELA VOLTAS DOS PROJETOS SOCIAS,,E O TAL DO CEZINHA TINOCO,,!!!!!! PQ ELE PRECISA SER ELEITO DEPUTADO FEDERAL,,!!!! E RAFAEL QUER DE TODO JEITO ELEGER ESTE AMIGO DE INFANÇIA DELE,!!!!! (trecho excluído pela moderação),,!!! PENSA QUE O OPOVO E BURRO,!!!!

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