Folha 40 anos — Luiz Carlos Pontes França

 

Designer Luiz Carlos Pontes França

O sonho e o desafio do futuro

Por Luiz Carlos Pontes França(*)

 

Da Folha da Manhã posso dizer que a acompanhei de perto desde a sua gestação até o parto. Fui testemunha do sonho compartilhado por Aluysio, Diva e Pereira Jr. Da minha prancheta saíram os primeiros layouts do que seriam as suas páginas, dando forma gráfica ao conteúdo proposto pelo trio. Havia então o compromisso de inovar e fazer um jornal à altura das tradições da imprensa campista, mas dando um passo a frente do que havia no mercado, a começar pelo processo de impressão. Foram deixados para trás tipos e linotipos: seria impresso em offset.

Não foi tarefa fácil transformar o sonho em realidade. Se sobrava vontade e entusiasmo, às vezes faltavam recursos para levar a bom termo o projeto. Tudo era novidade, inclusive para mim cujos conhecimentos foram amealhados em  oficinas tradicionais, impregnadas pelos vapores do chumbo. Mãos à obra partindo do zero. Era cara e coragem. Até a primeira edição chegar às bancas com uma menina bonita na capa foi muita mão de obra e estresse.

Vencidos os primeiros obstáculos veio o reconhecimento rápido por parte dos leitores e com ele  o desafio de surpreendê-los a cada edição, fazendo jus à confiança depositada. Nesse primeiro capítulo da história da Folha houve muitos atores e coadjuvantes. Citá-los seria correr o risco de omissões imperdoáveis. Todos foram,  cada um à sua maneira, importantes nestes 40 anos de êxitos e conquistas.

O passado do jornal está devidamente documentado e encadernado nos arquivos de suas edições, à disposição de quem se disponha a escrever a sua história. Não é o meu caso, tenho-a na memória como reminiscências de um tempo vivido com intensidade. O futuro está nas mãos daqueles cujo desafio é dar continuidade a esta trajetória ampliando horizontes e renovando sempre o compromisso com a inovação.

Dos 40 anos de existência da Folha da Manhã participei próximo da metade deles, o equivalente quase um terço de minha vida. Não foram passados em brancas nuvens, é verdade. Mas foram tempos enriquecedores aqueles, pelos amigos que fiz e experiência que acumulei, sem saudosismo piegas. Foi bom enquanto durou.

Uma lauda não é espaço suficiente para resumir tudo o que merece ser dito nesta oportunidade, mas é o bastante para ressaltar a importância da Folha da Manhã como porta-voz de nossa sociedade, tão carente de canais de comunicação confiáveis e comprometidos com suas demandas.

 

(*) Designer gráfico e ex-sócio da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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