Folha 40 anos — Luciano Teles

 

Jornalista e ondontólogo Luciano Teles

Folha: sempre presente no futuro

Por Luciano Teles(*)

 

Falar da Folha da Manhã em minha vida é me lembrar da infância. De, enquanto brincava pelo chão da casa, por volta dos 10 anos de idade, 1980, ouvir, pelas ondas da Rádio Continental, os versos empolgantes do jingle do jornal: “Olha, a gente faz o melhor, (pra) inspirar confiança, merecer liderança. Olha a Folha da Manhã, o jornal que o povo lê. (Ooooo)Olha, a gente faz o melhor, (pra) inspirar confiança, merecer liderança. Olha a Folha da Manhã. Preferência po-pu-lar!!”

Os versos mostravam a realidade. Quando se falava em comprar um jornal, a frase era “comprei a Folha” ou “Fulano, compra a Folha”. Depois dizia-se “li na Folha”, ao invés de “li no jornal”. Fatos gravados na memória. Junto com cenas de matérias importantes lidas nas páginas da Folha. Toda marca comercial precisa dessa impressão de seu nome no vocabulário do cotidiano popular. Para um jornal, isso é vital.

Já estudante do segundo ano de Jornalismo, na “Filosofia”, 1991, recebi um convite do caro Adelfran Lacerda para ser repórter-estagiário do jornal. Felicidade era pouco para resumir o que sentia. Na redação, aprendi muito sobre o jornal e a cidade lendo edições passadas, encadernadas e arquivadas. E, além de Lacerda e outros tantos queridos colegas repórteres e editores, como a querida Angela Bastos e o caro Ricardo André Vasconcelos, tive aulas valiosas com Orávio de Campos, que já era meu professor na Fafic (e de quem ainda guardo carinhosamente as pautas que nos passava, verdadeiras pérolas), e o tão falado Aluysio Barbosa, cuja fama lhe precedia.

Conhecer e trabalhar com “Seu” Aluysio foi um prêmio para quem teve tal oportunidade. Homem de poucas palavras, de poucos elogios (que decifrávamos nos gestos e no tom de seu “Humm…” para algo). Mas de um olhar que, de tão aguçado, focado, parecia te mostrar sempre que ainda faltava algo a apurar ou escrever.

Cheguei à Folha em plena mudança da máquina de escrever para os computadores. Usávamos Carta Certa III. Cada dia trazia aprendizados com os novos processos. Da redação das matérias à transferência destas para a diagramação, impressas ainda na matricial: <me=05> <md=77> e tínhamos os 72 toques da linha da lauda. Era mais um passo da Folha em direção à tecnologia, ao que havia de mais moderno. E zelar por sua vocação em busca do novo sempre foi uma das marcas maiores da Folha. Desde seu pioneirismo, em offset, até a impressão em cores, ganhando a internet, com sua urgência e suas interações, possíveis e necessárias aos novos tempos.

Os parabéns são mais do que merecidos. São obrigatórios. Afinal, não é todo jornal do interior que, além de sobreviver a várias crises de um país como o Brasil, consegue completar 40 anos. Que não deixou a liderança que ocupou durante este tempo. Que, ainda sob a guarda da família dos fundadores, mantém as oficinas e participa ativamente da internet, redes sociais e afins. E continua com projetos e planos em direção ao futuro, onde sempre esteve.

 

(*) Jornalista e odontólogo, ex-repórter da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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