Opiniões

Folha referencia O Globo no racha de Crivella com Garotinhos

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (05) na Folha

 

 

Folha referencia O Globo

Em sua edição de ontem (04), O Globo considerou (aqui) praticamente descartada a aliança entre o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e o ex-governador Anthony Garotinho (PRP) para as eleições de outubro. O jornal carioca lembrou uma entrevista publicada na Folha da Manhã (aqui) no último dia 6 de agosto, na qual o deputado federal e então secretário de Crivella Índio da Costa (PSD) afirmou: “a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”. A partir dela, segundo O Globo: “Índio passou a se cacifar como candidato a governador de Crivella”.

 

Índio seguro de Crivella

A coluna falou ontem com Índio da Costa. Ele disse não ter lido a matéria d’O Globo. Mas parecia bem seguro do apoio de Crivella à sua pré-candidatura a governador: “Estou tranquilo quanto a isso, 100% seguro”. Quem também foi secretária da atual gestão carioca foi outra deputada federal: Clarissa Garotinho (Pros). No mesmo 6 de agosto em que a Folha publicou a entrevista com Índio, ela usou as redes sociais para (aqui) defender o pai e responder ao então colega no governo carioca: “Índio, se você pensa tudo isso do Garotinho por que foi buscar o apoio dele na sua derrotada eleição para prefeito do Rio? (em 2016)”.

 

Clarissa muda o tom

Ontem, porém, Clarissa foi mais cautelosa. Além de lembrar da entrevista da Folha de agosto de 2017, a reportagem d’O Globo também revelou que “a aliança entre Crivella e Garotinho começou a implodir de vez em uma reunião no Palácio da Cidade (sede do governo carioca), em 6 de abril (de 2018)”. Dela, participaram Clarissa e Garotinho, além de Crivella e quem herdou sua vaga no Senado Federal, o presidente estadual do PRB Eduardo Lopes. Procurada pela coluna para poder dar sua versão dos fatos mais recentes, Clarissa se limitou a dizer: “não vou comentar”.

 

Outra fonte

Sem posição de Clarissa, a coluna buscou outra alta patente do grupo dos Garotinho. E com ela confirmou a reunião na Prefeitura do Rio em 6 de abril, como sua extensa duração: cerca de quatro horas. Essa fonte também certificou o que parece ter azedado a conversa entre Crivella e a dinastia campista: os cargos que esta ocupava no governo carioca, mesmo após a saída de Clarissa. A informação confirma o que O Globo revelou em sua matéria: “Crivella e Lopes se recusaram a se comprometer com a candidatura de Garotinho, até que o prefeito citou os cargos que a família tinha em sua administração. ‘Isso é uma ameaça?’, perguntou Clarissa”.

 

Fome de cargos

Pelo menos no discurso, essa fome de cargos parece ser um trunfo de Índio sobre Garotinho pelo apoio do prefeito do Rio: “Minha conversa com Crivella e o PRB é política, não ocupação de cargos. Temos um objetivo comum: acabar com o modelo de governo instalado pelo PMDB no Estado. Isso que começou com Garotinho e Rosinha no partido, quando os dois foram governadores. Foi ali que (Jorge) Picciani começou a dominar a Alerj. Para Garotinho, dívida de governo não se paga, se rola. Fez isso no Estado e fez isso em Campos. E o resultado é o que vemos: a conta chega! Ele nem saber fazer política de outra maneira”, disse Índio.

 

Fontes cruzadas

Se mesmo sem querer a fonte do grupo dos Garotinho confirmou os cargos ocupados por seu grupo na mesa de negociação com Crivella, o cruzamento das informações acabou também revelando por onde Índio constrói sua aliança com o prefeito do Rio para tentar chegar ao governo do Estado. “Eduardo Lopes tem saído com Índio a tiracolo, nas caravanas com os pastores (o PRB é fortemente ligado à Igreja Universal, de Edir Macedo, tio de Crivella)”, apontou a fonte. Também sem querer, Índio acabou confirmando seus caminhos: “a aliança com o PRB é pela pré-candidatura de Eduardo Lopes a senador e a minha, a governador”.

 

Wladimir

A coluna também ouviu o pré-candidato a deputado federal Wladimir Garotinho (PRP). Se não queria comentar, ele não resistiu à analogia com a fracassada chapa de 2012 à Prefeitura do Rio, que trazia Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa: “nós espantamos o eleitor dos Maia e o nosso correu deles. Vai ser o mesmo se Crivella apoiar Índio”. Para Wladimir, o critério deveria ser as pesquisas antes das convenções. Na única feita até agora, de 4 a 9 de maio, pelo instituto Paraná, Garotinho teve 11,6% das intenções de voto, contra 8,8% de Índio. Só que o político da Lapa tem 71,9% de rejeição. Em 2014, ele tinha 48% e não foi nem ao segundo turno.

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 4 comentários

  1. House of cards e qualquer ficção perdem para essas narrativas políticas e seus movimentos de xadrez, condidero.

    1. Caro Ocinei,

      Acho que o episódio e suas leituras, entre a imprensa de Campos e do Rio, reforçam aquilo que disse sobre eles o sociólogo e cientista político George Gomes Coutinho: “E depois ainda me perguntam sobre a importância da imprensa regional… é para isso, dentre outras coisas”.

      Abç e grato pela participação!

      Aluysio

  2. House of cards e qualquer ficção perdem para essas narrativas políticas e seus movimentos de xadrez, considero.

  3. Caro “Eu mesmo”, comentarista das 15h49 de 05/06, IP: 162.158.122.39,

    Por motivos de ordem ética e legal, comentários anônimos são vetados nos blogs hospedados no Folha1. Se quiser repetir o seu, ou fazer qualquer outro, sobre este ou qualquer outro post, com pretensão de publicação, use o seu nome verdadeiro. Liberdade, pelo menos nos blogs do Folha1, demanda responsabilidade.

    Grato pela chance de resssaltar o princípio!

    Aluysio

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