Lula oferece a cabeça da neta de Miguel Arraes para isolar Ciro

 

Marília Arraes, esperança de renovação do PT em seu reduto eleitoral do Nordeste, e Lula

 

Da prisão, Lula opera para impedir a renovação da esquerda brasileira e do próprio PT. Com objetivo de isolar a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT), o ex-presidente entregou a cabeça da promissora candidatura petista de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. Livre da concorrência em seu maior reduto eleitoral, o PSB pagará o desimpedimento à candidatura de reeleição do governador Paulo Câmara: se declarará neutro na eleição presidencial, deixando Ciro correr sozinho, com menos apoio partidário e tempo de propaganda eleitoral.

Embora insista em jogar para sua torcida com a candidatura presidencial de Lula, cuja “inelegibilidade chapada” (evidente) já foi antecipada (aqui) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT sabe que seu líder preso não poderá concorrer, e que nenhum dos seus suplentes tem chance real de chegar ao segundo turno. Assim, o partido só vislumbra sobrevida no comando de uma oposição de esquerda nos eventuais governos Jair Bolsonaro (PSL) ou Geraldo Alckmin (PSDB).

Se Ciro fosse eleito presidente, assumiria naturalmente a condição de líder da esquerda brasileira — ainda que dificilmente fosse governar sem o pragmatismo necessário. Ex-petista, Marina Silva (Rede) já sabe o quão baixo sua antiga legenda é capaz de jogar, depois dos ataques desleais que sofreu da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), na sua campanha de reeleição em 2014. Vacinada, Marina já fechou com o PV, que compôs a chapa com Eduardo Jorge de vice.

Apesar dos méritos na ascensão social promovida nos 13 anos em que governou o Brasil, desde o impeachment de Dilma o PT conduz a esquerda brasileira à prospecção do fundo do poço. Em 1998, Lula e José Dirceu fizeram com Wladimir Palmeira e o PT do Rio o mesmo feito agora nacionalmente com Ciro, às custas da cabeça da neta de Miguel Arraes. Há 20 anos, o objetivo era apoiar a candidatura a governador de Anthony Garotinho (à época, no mesmo PDT de Ciro), que se elegeu e depois abandonou o PT, apelidando-o de “partido da boquinha”.

No Rio, o PT nunca mais se reergueu. Veremos o que o futuro reserva à esquerda brasileira…

 

 

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