Cenário da eleição a presidente e governador a 47 dias das urnas

 

 

 

Após debates, pesquisas

Após dois debates entre os candidatos a presidente e um a governador, o clima de campanha esquentou de vez com a divulgação de três pesquisas ontem. Também foram duas ao Palácio do Planalto e uma ao Guanabara. Na primeira disputa, as consultas CNT/MDA e Ibope colocaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bem à frente dos demais. Mas preso desde 7 de abril e virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa, Lula teve grande diferença na capacidade de transferência de votos pelos dois institutos. A governador, o Ibope apontou um empate técnico entre Romário (Pode), Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PRP).

 

Igual e (bem) diferente

Com Lula como opção, os números CNT/MDA e Ibope foram muito parecidos. O líder petista liderou nos dois, respectivamente, com 37,3% e 37%; seguido de Jair Bolsonaro (PSL), 18,3% e 18%; Marina Silva (Rede), 5,6% e 6%; Geraldo Alckmin (PSDB), 4,9% e 5%; Ciro Gomes (PDT), 4,1% e 5%; e Álvaro Dias (Pode), 2,7% e 3%. Mas a consulta que a realidade projeta é sem Lula. E nela a diferença foi abissal entre os dois institutos. Enquanto, para o CNT/MDA, o ex-presidente transfere 17,35% de intenções de voto ao seu substituto Fernando Haddad (PT), este não passou dos 4% no Ibope.

 

47 dias (I)

Assim, os petistas que no almoço comemoraram o desempenho de Haddad no CNT/MDA, tomaram uma ducha de água fria no jantar, quando o Ibope revelou seus números. Sem Lula, Bolsonaro segue líder, com 20%, acompanhado de Marina, 12%; Ciro, 9%; e Alckmin, 7%. Atrás do tucano, Haddad (4%) só ficou à frente de Álvaro Dias (3%). Além de Eymael (DC), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo), Cabo Daciolo (Patri), Vera (PSTU) e João Goulart Filho (PPL), todos com 1%. A diferença se deu porque o CNT/MDA colocou Haddad como “candidato de Lula”. Ligação mais difícil de ser feita a cada dia, nos 47 que ainda separam eleitor e urna.

 

47 dias (II)

Enquanto o PT finge que Lula será candidato, a maior herdeira dos seus votos é uma ex-petista. Sem o ex-presidente, de quem foi ministra, Marina pula de 6% a 12%. Seu quinhão de seis pontos percentuais do eleitorado lulista supera os 4 que ganham Haddad e Ciro, ou dos 2 que sobram até para Alckmin e Bolsonaro. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos do Ibope, que ouviu 2.002 pessoas de 17 a 19 de agosto, Marina teve empate técnico em segundo com Ciro. Mas o fato é que Bolsonaro e ela só ficam atrás de Lula nas pesquisas. Não apenas ontem, mas há dois anos. Os demais têm 47 dias para mudar o jogo.

 

Líderes no RJ

A disputa também é acirrada ao governo do Rio. Divulgada ontem, a pesquisa Ibope ouviu 1.204 eleitores, entre 17 e 20 de agosto. Em empate técnico, na margem de erro de três pontos para mais ou menos, lideram Romário Faria (Pode), com 14%; Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PRP), ambos com 12%. Além da queda de Romário, que liderava a com folga, surpreendeu o crescimento de Tarcísio Motta (Psol), com 5%, superando Indio da Costa (PSD), com 3%. Mesmo no empate técnico, parece reflexo do debate da Band, no dia 16, onde Tarcísio teve bom desempenho, enquanto Indio fez escada para Garotinho bater em Paes.

 

Todos juntos…

A inelegibilidade de Lula parece certa. E a possibilidade de outra assombra um dos principais concorrentes ao Palácio Guanabara. Ontem, o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação de Garotinho, baseado em sua condenação em segunda instância pelo desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde em 2005 e 2006, quando era secretário do governo Rosinha. Isso depois dele ter afirmado no debate da Band, em tabela com o ex-juiz federal e também candidato Wilson Witzel (PSC), que estavam para sair os mandados de prisão advindos da delação de Alexandre Pinto, ex-secretário de Obras de Paes na Prefeitura do Rio.

 

…E misturados

Numa disputa entre os líderes da corrida ao governo do Rio, um dia depois do debate da Band, na sexta (17) foi divulgado que Romário teve um Porsche apreendido em sua casa, para pagamento de dívidas. O ex-craque alegou que o veículo avaliado em R$ 350 mil era da sua irmã e ele apenas “usava emprestado”. Por sua vez, Garotinho se defendeu do pedido de inelegibilidade do MPE: “Criaram a figura do enriquecimento ilícito de terceiros. A Lei da Ficha Limpa diz que tem que ter enriquecimento ilícito do agente público. Até agradeço ao MPE por ter reconhecido minha honestidade, já que não houve enriquecimento ilícito meu”.

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Savio Gomes

    Nunca vi tanta falta de opção! Sinceramente! Um com dívidas de mais de 20 milhões, além de ter sido abordado dirigindo bêbado, os outros dois também com o pé atolado na Justiça! Ou seja, não temos candidato! Mas, aceito qualquer coisa, menos o conhecido “acachapado, derrotado, campeão de fakes e mentiras deslavadas”.

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