Paes cresce e lidera isolado a governador. Disputa acirrada ao Senado

 

 

Paes lidera isolado

Ontem, o triste episódio da facada desferida no presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), durante passeata de campanha em Juiz de Fora, tomou grande parte da coluna. E sobrou apenas uma nota para analisar a última pesquisa Datafolha a governador do Rio. Divulgada no mesmo dia do atentado é a que torna mais clara a disputa ao Palácio Guanabara, na urna de daqui a exatamente 29 dias. Foram duas consultas Datafolha feitas até aqui: a primeira, de 20 e 21 de agosto; a última, de 4 a 6 deste mês. Entre as duas, Eduardo Paes (DEM) está em franca ascensão e se isolou na liderança, pulando de 18% para 24% das intenções de voto.

 

Romário e Garotinho caem

No melhor cenário possível ao ex-prefeito carioca, seus dois concorrentes mais próximos estão em queda: nas duas Datafolha, Romário Faria (Podemos) passou de 14% para 10%, enquanto Anthony Garotinho (PRP), desidratou de 12% para 10%. No bloco inferior, mas já pedindo passagem, está o único candidato que cresceu além de Paes: Tarcísio Motta (Psol) passou de 5% para 7% e já está empate técnico com Garotinho. Na margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos, o político campista fica junto tanto de Romário, na briga pelo segundo lugar, quanto de Tarcísio, na disputa entre terceiro e quarto.

 

Desafio de Tarcísio

Por sua vez, Tarcísio também está em empate técnico com Indio da Costa (PSD), que manteve seus 5%. Na margem de erro, os dois estão juntos de Pedro Fernandes (PDT), 3%; Márcia Tiburi (PT), 2%; e Marcelo Trindade (Novo), Wilson Witzel (PSC), André Monteiro (PRTB) e Dayse Oliveira (PSTU), todos com 1%. Com a maioria estacionada em seus baixos índices de intenção de voto, o único cuja ascensão ameaça o bloco de cima é o candidato do Psol. Pela consistência que apresenta nos debates, e repetiu ao falar de questões regionais em entrevista à Folha, publicada no dia 1º, Tarcísio tem muito potencial, mas pouco tempo até o voto.

 

Momento certo

Todos os dados são da consulta induzida, a que vale em período próximo à urna, mas a espontânea Datafolha é útil para se avaliar a consistência dos votos. Nela, Paes também é líder isolado, com 12%. E vem seguido por Romário e Garotinho (ambos com 6%), Tarcísio (3%) e Indio, Fernandes e Witzel (todos com 1%). Quando comparadas as duas Datafolha, fica também evidenciado a solidez do crescimento do candidato do DEM: ele tinha 7% na espontânea, índice em que cresceu cinco pontos entre o eleitorado fluminense nos últimos 15 dias. A menos de um mês das urnas, parece ser o momento certo.

 

Garotinho inelegível

Ao que tudo indica, ou Paes conseguiu se livrar do ônus da ligação com o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), ou seus principais opositores conseguem ter defeitos ainda piores, na visão do eleitor. Em contrapartida, apesar de se ufanar de ser o denunciante de Cabral, Garotinho vive mais um inferno astral. Depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), na última terça, por formação de quadrilha armada, ele ainda teve sua inelegibilidade decretada por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), na quinta.

 

Pior do que 2014?

Com base na Lei da Ficha Limpa, a decisão do TRE se deu pela condenação de Garotinho no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), relativa ao desvio de R$ 234,4 milhões, quando era secretário do governo estadual Rosinha. Ele vai poder fazer campanha, enquanto recorre ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas concorrerá sub judice. Líder na rejeição (subiu de 45% a 46%), em queda nas intenções de voto, distante do líder Paes e ameaçado por Tarcísio, o político de Campos pode ter cometido um erro ao se candidatar novamente a governador — ainda mais grave do que em 2014, quando não foi nem ao segundo turno.

 

Briga ao Senado

Aparentemente mais indefinida do que a disputa a governador, é a corrida pelas duas cadeiras que o Estado do Rio elegerá no Senador Federal. Entre as duas últimas Datafolha, quem aparece liderando é outro ex-prefeito carioca: César Maia (DEM), que subiu de 18% a 21% nas intenções de voto. Ele está empatado tecnicamente com Lindbergh Farias (PT), que manteve seus 18%; e Flávio Bolsonaro (PSL), que diminuiu de 18% para 17%. Quem também está na briga é Chico Alencar (Psol), mas ele caiu de 17% para 14%, ficando próximo a Miro Teixeira (Rede), que teve leve crescimento: de 11% a 12%.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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