Favorito a presidente da Alerj, petista ensina esquerda sobre mundo real

 

 

Dias Toffoli antes

Recusado duas vezes em concurso público para juiz de primeira instância em São Paulo, o saber jurídico nunca foi o forte do atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Não é novidade a ninguém que ele só chegou lá por ter sido advogado do PT e depois advogado geral da União no governo Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2009 o indicou ao STF. De lá para cá, sempre foi visto como um ministro de decisões contrárias aos interesses da maioria da população brasileira, ao lado de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello.

 

Dias Toffoli depois

A despeito das suas limitações, após chegar à presidência do STF em setembro de 2018, Dias Toffoli parece ter compreendido a gravidade do cargo, em momento delicado do país. E até aqui, parece estar agindo de acordo com a importância do novo papel. Foi o que fez em 19 de dezembro, ao suspender mais uma liminar açodada de Marco Aurélio, que contrariava decisão colegiada do próprio STF, na tentativa de soltar todos os presos após condenação em segunda instância. Entre eles Lula, encarcerado desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pela decisão, Toffoli foi duramente criticado pelos petistas que o viam como aliado.

 

Evo antes e depois

Outro exemplo recente de adequação ao novo cenário foi dado pelo presidente boliviano Evo Morales. Apesar de se perpetuar no poder desde 2006, como um dos principais nomes do bolivarianismo na América do Sul, o índio uru-aimará foi à posse presidencial de Jair Bolsonaro (PSL). E para confirmar que prefere o jogo jogado ao jogo para a galera das ideologias, Evo ainda expulsaria da Bolívia o terrorista italiano Cesare Battisti, antes tratado como exilado político pelos governos do PT no Brasil, mesmo condenado por quatro assassinatos em seu país. Da esquerda à direita, a Itália inteira agradeceu pela chance de finalmente fazer justiça.

 

Ceciliano

Guardadas as proporções devidas, o mesmo pragmatismo de Toffoli e Morales pode ser observado também no deputado estadual André Ceciliano (PT). Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por força das circunstâncias, é agora o favorito a permanecer no cargo na eleição da nova mesa diretora da Casa. Nela, terá papel fundamental nos muitos desafios que aguardam os fluminenses sob a nova gestão do governador Wilson Witzel (PSC). Para ajudar a superá-los, Ceciliano aposta na retomada da produção de petróleo na Bacia de Campos, como revelou em entrevista (aqui) nas duas páginas anteriores desta edição.

 

Mundo real

Na entrevista à Folha, Ceciliano chegou a apostar na candidatura única à presidência da Alerj. Prefeito duas vezes de Paracambi e deputado estadual em quarto mandato, sempre foi filiado ao PT. Supor que alguém do partido de Lula pudesse estar à frente do Legislativo fluminense, seria impensável após as urnas de outubro revelarem o massacre promovido no Estado pelo bolsonarismo. Contra a maioria esmagadora de 12 deputados estaduais eleitos pelo PSL, tudo indica que o petista vencerá não pela radicalidade, mas na conciliação. Toffoli, Morales e Ceciliano podem não ser brilhantes, mas têm muito a ensinar à esquerda sobre o mundo real.

 

Em alta

A praia de Atafona, em São João da Barra, sempre foi um dos destinos mais procurados na alta temporada pelos campistas. E isso parece não ter mudado. O movimento é intenso no litoral, especialmente aos fins de semana. O comércio só tem a agradecer. Para se ter uma ideia, no tradicional restaurante do Ricardinho, por exemplo, tem cliente tentando reservar mesa, já que corre risco de chegar ao local, especialmente aos sábados e domingos, e não encontrar lugar disponível.

 

Faz sucesso

E não são só os bares e restaurantes que estão faturando. Os vendedores ambulantes aproveitam a oportunidade. Seja nos shows que acontecem no Balneário ou nos locais mais movimentados para vender de tudo: do tradicional picolé a artigos de artesanato, panelas, redes, entre outros produtos. No entorno da igreja e no trevo, além dos pescadores locais, alguns de Gargaú aproveitam para vender peixes e caranguejo. Aliás, o crustáceo faz sucesso na praia. É melhor acordar cedo, porque quem deixar para comprar depois das 11h dificilmente vai encontrar um produto de qualidade.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã

 

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