Opiniões

Enrique a reitor: “Por que a Uenf foi montada? Diminuir as desigualdades sociais”

 

Na bancada do Folha no Ar, os professores Enrique Medina-Acosta (esq.) e RodrigoTavares Nogueira (dir.), candidatos a reitor e vice-reitor da Uenf (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“Existe uma relação indissociável entre a qualidade do ensino público superior com a qualidade do ensino fundamental e médio (…) A Uenf pode fazer isso, mas nós temos que sair ao campo e trabalhar em parceria. Nós temos programas de extensão maravilhosos da Uenf, que precisam ser regionalizados para capacitação de professores da rede pública de ensino. E como nós vamos resolver isso? Educando melhor e tendo um número maior de alunos qualificados entrando na universidade pública”. Entre outras coisas, é o que pretende fazer o professor de biotecnologia colombiano Enrique Medina-Acosta, caso se eleja reitor da Uenf. Com seu candidato a vice-reitor, o professor campista de engenharia Rodrigo Tavares Nogueira, eles fecharam na manhã de hoje o ciclo de entrevistas do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, com os três candidatos ao comando da maior universidade de Campos e região. Na terça (27), Carlão Rezende abriu (aqui) a série, seguido do professor Raul Palacio (aqui) na quarta (28).

A eleição à reitoria da Uenf começa já no sábado (31), nos polos da Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus de Campos e no campi da universidade em Macaé. O universo é de aproximadamente 8 mil alunos, divididos entre cerca de 300 professores, 600 técnicos e 7 mil alunos. Na definição do resultado, os votos dos professores terão peso de 70%, cabendo 15% aos alunos e os outros 15% aos técnicos. Se nenhum dos candidatos alcançar mais de 50% do colégio eleitoral, os dois primeiros colocados disputarão o segundo turno.

O reforço na extensão da Uenf é proposto dos seus três candidatos a reitor. “Ela é uma pauta comum porque faz parte do tripé da fundamentação da Uenf (definido por seu idealizador, o antropólogo Darcy Ribeiro): excelência no ensino, pesquisa e extensão. E cada docente concursado na Uenf se pauta por esse tripé. Mas, na extensão, ele ganha uma visão muito importante na tradução do que se tem diretamente nos seus melhores saberes, nas suas técnicas de ensino, para a sociedade. A Uenf tem uma história excelente na exteriorização das suas atividades na região. Agora precisamos regionalizar e pautar a relação entre a qualidade do ensino médio em relação ao futuro aluno que entre na universidade”, explicou Enrique.

Da extensão à pesquisa, o candidato a reitor propõe redimensionar o papel histórico da universidade com o Norte Fluminense: “Lembremos o que é a Uenf. Por que a Uenf foi montada? O que se queria com a Uenf? Alavancar a região. Mas para quê? Diminuir as desigualdades sociais. Nós temos que aumentar o potencial de ação da universidade com sua responsabilidade social revista e ampliada. Quando eu falo em revisar, não é que estava errada. É redimensionar, atualizar, renovar. Para que a maioria das ações que nós fazemos em pesquisa, por exemplo, se traduzam em resolução dos dilemas das desigualdades regionais”.

Nos microfones da Folha FM, Medina-Acosta foi complementado por seu candidato a vice-reitor: “Estou recebendo e-mails de alunos que ainda não terminaram os cursos de graduação e pós, mas já estão contratados por empresas satélites da Petrobras. Pelo menos para engenharia, o mercado está começando a ficar aquecido. A gente não está com dificuldade de pegar formandos nossos e colocar no mercado de trabalho. A Uenf não quer ser sobrevivente. Nesse mar de crise que a gente vive, quer ser vencedora”, pregou Rodrigo Tavares Nogueira.

Como já havia sido com os candidatos Carlão Rezende e seu vice Juraci Sampaio, da chapa 11, e Raul Palacio, pela chapa 10, Enrique e Rodrigo responderam na manhã de hoje a uma pauta comum às três candidaturas a reitor da Uenf. E nela falaram sobre a autonomia financeira da universidade (saiba mais aqui), o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus Leonel Brizola com Campos, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico.

Os representantes da chapa 13 também falaram da importância simbólica da Casa de Cultura Villa Maria. Construído em 1919, pelo arquiteto italiano José Benevento, o palacete foi um presente do usineiro e engenheiro Atilano Chrysóstomo de Oliveira à sua esposa, D. Maria Queiroz de Oliveira. Conhecida como Dona Finazinha, por ter nascido no Dia de Finados, e por seu interesse na promoção de atividades culturais, ela morreu em 1970, quando deixou o prédio em testamento para que viesse a funcionar como sede da futura universidade no Norte Fluminense. Antes da instalação da Uenf em 1993, a Villa chegou a ser sede da Prefeitura de Campos.

As respostas de Enrique e Rodrigo sobre essa pauta comum às três candidaturas podem ser conhecidas nos vídeos do programa ao final desta postagem, ou na edição da Folha da Manhã desta sexta (30). Em rádio e jornal, o mesmo espaço foi ocupado pelos representantes das duas outras chapas.

Trincheira na luta pela Uenf desde antes da sua implantação, em 1993, a Folha cumpriu seu papel com a divulgação e o debate das propostas ao comando da mais importante universidade de Campos e região, pelos próximos quatro anos. Quem define, nestes sábado e terça, é a escolha democrática dos seus professores, técnicos e alunos.

 

 

 

 

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