Opiniões

Rafael dá limites ao conflito entre vereadores do G-10 e secretários pré-candidatos

 

Rafael Diniz, Luiz Alberto Neném, Igor Pereira, Jorginho Virgílio, Alexandre Bastos e Fred Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Oficialmente, o governo Rafael Diniz (Cidadania) tenta não antecipar o debate das eleições municipais de 2020. Mas o fato é que esquentou publicamente a discussão política da semana passada, entre dois importantes grupos governistas: vereadores da base reunidos no G-10 e secretários municipais considerados pré-candidatos à Câmara Municipal. Edis governistas reclamam que os secretários com ambição eleitoral no próximo ano estariam ignorando seus pedidos, feitos para atender à população das suas bases. Ouvido pela Folha, o próprio prefeito Rafael deu os limites ao seu grupo político:

— Em todas as reuniões com os secretários, sempre friso: temos que respeitar a autoridade legitimamente constituída dos vereadores. E sempre procuro estar atento a qualquer dificuldade política de um secretário técnico que nunca foi político. Sobre a questão eleitoral, ela será definida em momento oportuno. Entre secretários e superintendentes, temos quatro que são pré-candidatos a vereador: Abdu Neme (PR, Saúde), que vai concorrer à reeleição; os ex-vereadores Nildo Cardoso (DEM, do Abastecimento), Rogério Matoso (sem partido, Trabalho e Renda), que são ex-vereadores; e Helinho Nahim (Cidadania, Entretenimento), filho do ex-presidente da Câmara Municipal Nelson Nahim (MDB). Fora eles, os nossos pré-candidatos a vereador são aqueles que são vereadores.

Antes do prefeito se manifestar sobre o caso, na sessão de terça (17), o vereador Luiz Alberto Neném (PTB) usou a tribuna da Câmara para (aqui) dar vazão às queixas de um grupo de vereadores da base:

— O que está acontecendo é que tem alguns secretários que não atendem ligações dos vereadores. Quando ligamos para o prefeito, ele atende, mas alguns secretários, não. É uma inversão total. Tenho muito respeito por Rafael, acho que ele pegou uma furada quando entrou na Prefeitura, mas é preciso planejamento. Quando ligo para um secretário é porque alguém da população me procurou e espera uma resposta. Vocês (secretários) estão pensando em ser vereadores e monopolizando a estrutura das secretarias para isso?

Vereadores governistas refundaram um grupo que, embora se chame de “independente”, sempre foi governista e já teve vários numerais. Até terça, formavam o G9: Jorginho Virgílio (Patri), Álvaro César (PRTB), Igor Pereira (PSB), Joilza Rangel (PSD), Jairinho É Show (PTC), Enockes Amaral (PHS), Marcelo Perfil (PHS ), Ivan Machado (PTB), Paulo Arantes (PSDB). Mas chamado para uma reunião com eles na terça e recebido com o convite “chegou nosso camisa 10”, Neném aceitou entrar no grupo, que passou a se chamar G-10.

Um dos seus líderes informais, Igor Pereira foi procurado várias vezes pela reportagem da Folha, mas não retornou, como os secretários municipais dos quais se queixou, em apoio à fala de Neném na sessão de terça. Mas indicou claramente não querer falar, nem revelar seus motivos. Em abril deste ano, a coluna Ponto Final divulgou (aqui) que Igor teria sido sondado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) para apoiar a pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT) em 2020. Naquela época, o vereador falou (aqui) com a Folha para negar.

Outra liderança informal do G-10, Jorginho Virgílio endossou a queixa aos secretários, mas quebrou o estranho silêncio de Igor para impor o limite político à atuação do grupo:

— Se for para reforçar o papel dos vereadores junto ao governo, estou dentro. Caso contrário, eu saio, como Silvinho (Martins, Patri) já saiu (em fevereiro deste ano, aqui, no fim do então G-5). Mas se for para tentar colocar o prefeito contra a parede, estou fora.

Na terça, como representante do G-10, Álvaro César teve uma reunião com o secretário de Governo Alexandre Bastos, para levar os pleitos do grupo de vereadores da base:

— Recebi o vereador Álvaro César. Mas independente desta conversa com ele, tenho dialogado frequentemente com todos os integrantes da base. Como ocorre em todo tipo de relação, é normal que haja atrito, mas não é nada que não possa ser superado com respeito e diálogo. É bom lembrar que o prefeito Rafael Diniz mudou a forma de relação entre Executivo e Legislativo. A gestão anterior se achava dona da Câmara. Nossa gestão sabe que o primeiro passo para a boa política passa pelo respeito entre os poderes — garantiu Bastos.

Também ouvido, o presidente da Câmara Municipal, vereador Fred Machado (Cidadania), propôs na sessão de terça que os parlamentares queixosos com a atuação de secretários e superintendentes do governo enviassem seus pleitos ao prefeito na forma de um ofício:

— Época próxima de eleição é sempre complicada. Existem secretários que realmente têm pretensão política. Mas, até o prazo legal para saírem do governo, vai ter vereador achando que há secretários fazendo política para si. Como presidente da Câmara, eu tenho contato direto com Rafael. Mas vejo que outros colegas não têm o mesmo acesso, tendo seus motivos para reclamar em alguns casos. Por isso propôs na terça que as demandas fossem reunidas em um ofício para enviarmos ao prefeito. Mas até agora nenhum vereador me procurou.

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Este post tem um comentário

  1. Caro Aluysio Abreu Barbosa, Aluysinho, como prefiro me dirigir a ti, eu vejo com meu olhar estranho, calidoscópico, meio de lado essa coisa de G10, de G5 e fico perguntando aos meus botões, “que diabos isso significa?” É a pergunta que não quer calar …
    E eles – os meus botões – me responderam que, o pano de fundo, é a disputa de espaço, de “benesses”, e aí me lembrei de que isso não deveria ocorrer em momento algum, pois as funções precípuas de um edil são, a saber, a de fiscalizar os atos do executivo (o prefeito, personalizando) e a de propor Leis de interesse da sociedade civil organizada e isto durante o exercício de seu mandato, ele vai se reeleger, se cumprir zelosamente essas funções, simples assim.
    A “política” que vem sendo praticada é a de troca de favores, percebemos que, no transcorrer do cotidiano da nossa “ágora”, da nossa “polis” goitacá o que acontece é a “política menor do toma lá, dá cá” e planejamento estratégico, projetos de crescimento econômico, geração de trabalho e renda, enfim, aquilo que o cidadão espera que as autoridades façam, pois para isso foram eleitas, não acontecem,o que vemos na prática, é inércia, como a tônica.

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