Opiniões

Em meio a tiroteio, PV de Campos troca de mãos: Hans assume e sai Gustavo

 

Gustavo Matheus, Hans Muylaert, Rodrigo Bacellar, Rafael Diniz, Wladimir Garotinho e Thaís Tostes (Arte: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Partido que deu apoio à candidatura vencedora do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) em 2016, o PV de Campos mudou de mãos. No universo de 16 votos da executiva estadual dos verdes, ontem 12 elegeram o psicólogo Hans Muylaert como novo presidente municipal da legenda. Apenas dois votaram pela manutenção do jornalista Gustavo Matheus na presidência, com duas abstenções. O ex-presidente saiu atirando nas redes sociais. E fez Rafael e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) como alvos:

— São oito anos de Partido Verde, sempre com muito respeito, lealdade e vontade de fazer o certo de ambas as partes. Infelizmente o partido se apequena ao bel prazer da mais nova dupla sertaneja da infame política goitacá, Rodrigo e Rafael (…) O prefeito e o deputado fizeram um acordo. Se Rodrigo arrumasse um nome viável até as convenções partidárias Rafael sairia do pleito e apoiaria o candidato de Bacellar como o nome da máquina. Caso contrário, Rodrigo apoiaria a reeleição de Rafael, ou lançaria uma linha auxiliar financiada pelo governo falido pra atacar Caio Vianna (PDT) e Wladimir Garotinho (PSD), os líderes da pesquisa de intenção de voto. A manobra de Rodrigo em lançar nomes ao tabuleiro serve para nada mais, nada menos que escolher o vice de Rafael. E o PV, que em breve terá como presidente o diretor de Turismo de Diniz, se presta a este papel, mas eu não.

Após a derrota e a perda de controle do partido, Gustavo também anunciou sua desfiliação:

— Ferindo o municipalismo e respeito aos cidadãos campistas, que já não aguentam a atual gestão, o PV cospe pra cima e não sai do lugar. Por isso, estou me desfiliando. Nunca compactuei com acordos que excluem ou ludibriam a população. Estou fora!

Diretor municipal de Turismo citado pelo ex-verde, Hans Muylaert falou ao blog sobre sua condução à presidência municipal do PV e do posicionamento público do seu antecessor:

— O passado presidente municipal fez da sigla sua personificação platônica, buscando a sua manutenção em acordos, mesmo que com transferência domiciliar (Gustavo estaria alternando residência entre São Paulo e Campos), se coloca ainda como munícipe de uma cidade que temos que continuar a seguir. Assumi em 2018 a coordenação regional do partido, depois de 16 anos como membro partidário, ainda vivendo toda dinâmica pela perda insubstituível do fundador e coordenador partidário Joca Muylaert (jornalista falecido, verde histórico de Campos e pai de Hans), que me ensinou ser muito mais que filho. Agora assumo novo desafio, além de manter a coordenação regional em meio à pandemia, a presidência do nosso partido em nossa cidade conduzida por votação da executiva estadual. É uma responsabilidade que não passa por conversas personificadas e sim, por assumir o grande desafio de representar cada fundador, seus membros e a diretriz partidária que fica esquecida nessa corrida para se cumprir os prazos eleitorais.

Ao blog do Edmundo Siqueira, Gustavo Matheus falou (aqui) da sua relação com Hans, que vai substituí-lo na presidência municipal do PV:

— Não há racha entre a gente. Ele preferiu seguir no governo quando saímos, faz parte. Quanto ao saudoso Joca, seu pai, eu não estaria no PV se não fosse por ele. Afinal, Joca foi quem me filiou, assinou minha ficha e fez o convite. A avaliação que faço é a realizada no texto. O partido verde resolveu apoiar o governo, desrespeitando o princípio do municipalismo, que já foi forte dentro da sigla. Não há nenhum tipo de retorno de gestão política dentro do partido. Há oportunismo eleitoral. Se tivesse a ver com gestão partidária, não fariam este movimento há seis meses da eleição e há um dia do prazo final de filiações. É sempre assim. Partido na cabeça de algumas pessoas só tem utilidade na hora eleição. Infelizmente, com muita tristeza, deixo o partido, meu único partido em toda vida, minha casa. Lugar onde consegui ser o candidato a vereador mais votado da história do PV em Campos.

Se falou em “oportunismo eleitoral” na sua perda do comando da legenda em Campos, Gustavo teve sua trajetória no PV analisada por Hans, que evocou uma história partidária de “liberações, mas não libertinagens”:

— Há um tempo o coordenador regional do meu partido me ligava, eu morava longe da minha cidade, mas sempre atento ao que acontecia por nossa Campos. Então, me é apresentado, por descrição, o novo presidente municipal do nosso partido. A princípio, seria uma afronta à gestão da época, colocar o sobrinho (Gustavo é sobrinho do ex-governador Anthony Garotinho, sem partido) que iniciava a árdua tarefa de articulador do mais respeitado meio de comunicação da região, como presidente do partido da linha de frente oposicionista, mas em seguida foi por um belo projeto de ver um jovem, ainda verde, representar o melhor. Viu-se que o partido em Campos foi se apresentando controverso no caminhar da tarefa de uma sigla que desde a fundação caminha a passos de seu próprio ritmo de formar o que somos, verdes. A história do Partido Verde em Campos não se inicia há alguns anos, e sim com grandes movimentos de plantio de milhares de mudas por toda a cidade, numa corrente verde de transgressão das sungas de crochê a liberações, mas não a libertinagens.

A menção de Hans à trajetória do ex-presidente municipal do PV no “mais respeitado meio de comunicação da região”, se refere à passagem profissional do último na Folha da Manhã, onde foi repórter de política, além de ter mantido um blog hospedado no site do jornal. Gustavo, que citou seu bom desempenho (1.312 votos) no pleito a vereador de 2016, concorreu depois na eleição a deputado estadual de 2018, antes da qual se deu sua ruptura com o governo municipal. No pleito, teve 2.364 votos. Outra jornalista com passagem pela redação da Folha, que até hoje mantém seu blog “Na Lata” hospedado no Folha1, Thaís Tostes também concorreu a deputada estadual, pelo Rede Sustentabilidade, em 2018. E obteve 2.485 votos.

Criticado por Gustavo, o deputado estadual Rodrigo Bacellar respondeu apenas: “cachorro morto não se chuta”. Também citados, o prefeito Rafael Diniz e o deputado federal Wladimir Garotinho, primo do ex-presidente municipal do PV, preferiram não se pronunciar. Confira aqui a posição do pré-candidato a prefeito Caio Vianna.

 

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Este post tem um comentário

  1. eu sou filiado ao pv,,,,,,,,gostaria que viesse para sao francisco do itabapoana

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