Opiniões

Pré-candidato a prefeito de Campos, Alexandre Tadeu espera apoio dos Bolsonaro

 

Nota 10 para o governo federal Jair Bolsonaro (sem partido), pela “grande tentativa de colocar o país em ordem”. E nota 3 para o governador Wilson Witzel (PSC) e o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), pelo “fechamento total do comércio nesse período de pandemia” da Covid-19, mantido aberto apenas aos serviços essenciais, como foi feito no resto do mundo. São as avaliações de Alexandre Tadeu, jornalista, apresentador da TV Record e pré-candidato a prefeito de Campos, cujo partido Republicanos recentemente abrigou dois filhos do presidente: o senador Flávio e o vereador carioca Carlos Bolsonaro. Tadeu espera contar com o apoio do clã presidencial, caso confirme sua candidatura. Católico, ele se considera “privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd (Igreja Universal do Reino e Deus) e Record”. Sem citar nomes, pregou a eliminação “do privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos”. E foi além: “A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso”.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Na condição de jornalista, político e cidadão, como está vendo a pandemia da Covid-19 em Campos, Norte e Noroeste Fluminense, Estado do Rio e Brasil?

Alexandre Tadeu – Vejo a pandemia como um problema que deve ser encarado com muita responsabilidade, independente da condição em que nos encontramos e do local onde estamos. A Covid-19 não escolhe as vítimas e está espalhada pelo mundo. E as consequências são inimagináveis. Vão muito além da propagação e de mortes. As consequências econômicas e psicológicas também vão tirar muitas vidas. Talvez até mais do que a própria doença em alguns lugares. Somos todos iguais para o coronavírus. Por isso, somente unidos seremos capazes de vencê-lo.

 

Folha – Ainda ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta projetou que a pandemia atingirá seu pico no final deste mês, que deve permanecer por maio e junho. A previsão de queda é só para agosto ou setembro. Acredita que o calendário eleitoral do pleito municipal será mantido para outubro? Se for adiado, isso seria bom ou ruim politicamente? Por quê?

Tadeu – Acho prematuro decidir algo neste momento. Faltam três meses para as convenções, quase cinco meses para o início da campanha eleitoral e seis meses para as eleições de outubro. Deve-se esperar um pouco mais. No entanto, se o pleito for adiado para dezembro não vejo prejuízo, porque serão poucos meses de diferença. Mas se for para 2022, certamente, alguns candidatos sairão ganhando e outros perdendo, porque o cenário político será outro.

 

Folha – O Republicanos e a TV Record são ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, cujo líder, Edir Macedo, postou em março um vídeo nas redes sociais chamando a Covid-19 de “inofensiva” e “invenção do Satanás”. Depois, pela repercussão ruim, apagou. Como você vê?

Tadeu – Eu não sou membro da Igreja Universal. Sou católico. Mas me sinto um privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd e Record TV. Essa união tem feito muito pelas pessoas e pelo país. Sobre a declaração do bispo, acredito que, na condição de líder espiritual, ele não tinha a intenção de levar pânico para as pessoas.

 

Folha – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também causou reações negativas ao chamar a Covid-19 de “gripezinha” e “resfriadinho” em rede nacional. Além pregar e agir abertamente contra o isolamento social adotado em todo o mundo para conter a pandemia. Qual a sua opinião? 

Tadeu – O presidente Bolsonaro, além da preocupação com a saúde, se preocupa com a economia do país, o que vejo como correto. Suas ações refletem a postura corajosa de um dirigente máximo da nação. Ele não transmite pavor para a população com a letalidade do vírus.

 

Folha – Sem conseguir montar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, para as eleições municipais, o clã Bolsonaro teve o senador Flávio e o vereador carioca Carlos abrigados no Republicanos, em acordo costurado com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O presidente ainda é muito popular em Campos. Conta com esse apoio, se confirmar sua candidatura a prefeito da cidade?

Tadeu – Todo apoio de pessoas corretas, com responsabilidade com o próximo e sem medo de desafios, será sempre muito bem recebido. Por isso, o Republicanos acolheu a família Bolsonaro. E ter o apoio do presidente da República será fundamental para apresentarmos uma forma de administração municipal semelhante à que vem sendo aplicada no país, ou seja, acabando com práticas da velha política, eliminando o privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos. A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso, é a hora do governo da libertação.

 

Folha – Quem também conta com o apoio dos Bolsonaro nas eleições a prefeito de Campos é o deputado estadual Gil Vianna (PSL). Como vê essa disputa local pelo apoio presidencial?

Tadeu – Gil é um grande amigo, mas não acredito que haverá disputa. Até porque Gil permaneceu no PSL, contrariando a família Bolsonaro.

 

Folha – Em 2016, você estava bem nas pesquisas a prefeito de Campos. Mas o ex-governador Anthony Garotinho costurou por cima e levou o apoio do então PRB, atual Republicanos, para a chapa dele encabeçada por Dr. Chicão, em troca do apoio do PR à candidatura de Marcelo Crivella a prefeito do Rio. Receia que algo assim possa acontecer de novo?

Tadeu – Não. Estou muito tranquilo quanto a isso. O cenário é outro. Há uma determinação do Republicanos nacional para que haja candidatura própria para o Executivo em todas as cidades com mais de 100 mil eleitores.

 

Folha – Em 2012, você foi o segundo vereador mais votado de Campos, com 5.341 votos. Mas, depois de não conseguir emplacar a candidatura a prefeito em 2016, perdeu a reeleição na Câmara Municipal naquele ano, com 1.815 votos. A que credita essa perda de eleitores?

Tadeu – Sem dúvida, o motivo foi o acordo costurado por Garotinho para a retirada da minha candidatura. Liderei as pesquisas por longos meses e o povo estava confiante na minha vitória. Eu estava com mais de 10 pontos na frente de Rafael Diniz (Cidadania). Faltavam poucos meses para as eleições quando fui obrigado a sacrificar minha candidatura para garantir o apoio a Crivella no Rio. O povo sentiu a dor da manobra. Os eleitores que votariam em mim para prefeito já tinham decidido o voto para vereador. Mesmo assim mantive a confiança de 1.815 campistas. Mas não foi o suficiente para a reeleição.

 

Folha – O vereador eleito em 2016 por seu grupo político foi o Pastor Vandelry, com 5.227 votos. Como avalia a atuação dele, como integrante da base governista?

Tadeu – Tenho grande respeito pelo Pastor Vanderly, mas a base governista assim como o governo, não teve e não tem a aprovação da população, por uma série de ingerências. Falo como cidadão.

 

Folha – A expectativa é que o Pastor Vanderly não concorra à reeleição, como é a prática de revezamento político da Universal entre seus pastores, para ceder lugar nas eleições municipais ao Pastor Anderson, presidente do Republicanos em Campos. É isso mesmo ou uma candidatura sua a prefeito faria crescer essa nominata?

Tadeu – O pastor Anderson de Matos, presidente do Republicanos, sendo confirmado em convenção, é quem disputará o pleito no lugar do Pastor Vanderly.

 

Folha – Só três partidos em Campos estariam ainda soltos na questão de apoio à eleição majoritária: o PMB, o Rede e o Patri. O Republicanos está conversando com algum deles?

Tadeu – Não estamos conversando com nenhum deles.

 

Folha – Se tivesse que dar uma nota de 0 a 10, tendo que justificar, como avaliaria as atuações dos governos Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC) e Rafael? No todo e no enfrentamento de cada um à pandemia da Covid-19?

Tadeu – A nota para o presidente Bolsonaro seria 10. Medidas necessárias têm sido tomadas por seu governo. Há uma grande tentativa de colocar o país em ordem, apesar de muitos políticos tentarem o contrário. Para o governador Witzel e o prefeito Rafael Diniz, a nota seria 3. Entre muitos pontos que discordo em suas administrações, está o fechamento total do comércio nesse período de pandemia. Eles politizaram a questão.

 

Folha – Como pré-candidato a prefeito de Campos, você tem um discurso de valorização do servidor. Rafael sofreu muitas críticas porque, diferente do que prometeu em campanha, não reajustou o servidor e suspendeu Restaurante Popular, Cheque-Cidadão e Passagem Social. Com um orçamento estimado para 2021 em R$ 1,7 bilhão, antes de sofrer os graves efeitos da crise econômica mundial da Covid-19, e uma folha de pagamento de pessoal de cerca de R$ 1,1 bilhão, seria possível valorizar o servidor, ou retomar esses programas sociais? Como?

Tadeu – Entendo que a valorização de um servidor não se dá apenas com reajuste salarial, mas também com reconhecimento, com investimento profissional, com condições de trabalho e com amparo às suas famílias. Nada disso é feito pelo atual governo. Aquele servidor que na Câmara era defendido com discursos bonitos, hoje se encontra abandonado e certo de que serviu apenas como trampolim para mais uma eleição. O orçamento enxuto pode dificultar a execução de programas sociais, mas a população carente precisa ser olhada com carinho e atenção. Para isso, parcerias com os governos estadual e federal serão fundamentais.

 

Folha – Por enquanto, está mantido para 29 de abril o julgamento da partilha dos royalties no Supremo Tribunal Federal (STF). Que, se valer como aprovada no Congresso, vai piorar muito a situação econômica de Campos, já ruim pela queda das receitas do petróleo. Que cairão ainda mais com a diminuição da demanda mundial por combustível fóssil, consequência do isolamento social para conter a pandemia. Há saída financeira ao município?  

Tadeu – Não acredito na aprovação da redistribuição dos royalties. Está comprovado que o repasse para os municípios não produtores de petróleo será insignificante para suas receitas. Enquanto que os municípios produtores seriam brutalmente atingidos economicamente. Nada justifica a nova partilha.

 

Folha – Sem dúvida, o governo Crivella no Rio é o grande outdoor do seu grupo político no poder executivo. No seu entender, a referência ajuda ou atrapalha? Por quê?

Tadeu – Crivela é um grande líder, um grande político, um pai de família, que representa muito bem os Republicanos. Tem meu respeito e admiração. Fez muito pelo país como senador e, apesar das dificuldades, continua fazendo muito pela cidade do Rio de Janeiro.

 

Página 2 da edição de hoje (19) da Folha da Manhã

 

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Este post tem 14 comentários

  1. Tadeu, eu tô contigo!

  2. Mais um importado na cidade. Não se reelegeu como vereador , não fez nenhuma projeto útil quando lá esteve é agora quer ser o salvador da Pátria.

  3. Campos em Boas mãos! #finalmente

  4. Se bolsonaro está com Tadeu, EU TO CONTIGO!

  5. Tadeu para a mudança desse governo atual

  6. Por uma campos melhor, Tadeu eu tô contigo!

  7. Que vergonha dessa cidade…só piora. Reflexo da população.

  8. Se Bolsonaro está com tadeu, Eu to contigo!

  9. Para sobrar recursos basta não roubar ou furtar o dinheiro público! Aplicar o orçamento nas diretrizesno crescimento do plano diretor! É isso que darei em São João da barra! Otavio Carvalho!

  10. Fora Bolsonaro e Tadeu!!!

  11. Tadeu não foi um bom vereador, por isso não se reelegeu. Agora como pre candidato a prefeito tenho minhas dúvidas, sou Bolsonaro Até o fim. Campos está mal de pre candidato nenhum na minha opinião está preparado para função, Campos é grande precisa de um político que pense no campista com muito carinho. Não aguentamos mais promessas em vão.

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