Campos define lockdown que MPRJ vai pedir na Justiça para SJB, SFI e SF

 

Promotora de Justiça Maristela Naurath foi a convidada de hoje do Folha no Ar

No Folha no Ar do início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, a promotora de Justiça Maristela Naurath disse que entraria na semana que vem com  ações na Justiça na próxima semana para pedir o lockdown nos municípios de Campos, São João da Barra (SJB), São Francisco de Itabapoana (SFI) e São Fidélis(SF), com objetivo conter a aceleração da pandemia da Covid-19. No final da tarde de hoje, o prefeito Rafael Diniz se antecipou e decidiu (confira aqui) pelo lockdown em Campos a partir da próxima segunda (18). Encarregada da fiscalização da saúde nos quatro municípios, pela 1ª e 3ª Promotorias de Tutela Coletiva da comarca, Maristela explicou que o endurecimento das regras de quarentena é para tentar evitar o colapso das suas redes de saúde e funerárias dos municípios:

— Eu vou me basear tanto no estudo da Fiocruz (que, desde o último dia 6, alertou o governador Wilson Wiztel sobre a necessidade de decretar o lockdown em todo o estado do Rio), como outros, que foram disponibilizados pelo nosso centro de apoio operacional, para instruir uma ação solicitando ao Judiciário a adoção do lockdown. Temos recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS) instruindo para essa demanda. E tentaremos (na Justiça) uma decisão favorável. Vou levar em conta o percentual de ocupação de leitos, tantos ambulatoriais e de UTI, a inércia do poder público, o aumento geométrico do número de casos e a letalidade. Acho que na próxima semana a gente vai entrar num nível bastante crítico. Inevitável que os sistemas de saúde entrem em colapso e o sistema funerário também. A gente vê que as pessoas estão nas ruas, os comércios estão abertos. Então há necessidade de medidas mais drásticas, de fiscalização mais rigorosa. Para ter uma nova abertura, há a necessidade de que os índices de letalidade e de ocupação de leito melhorem. Temos que pensar o contrário: em isolar, em fechar, em lockdown.

Na última sexta (08), a promotora pediu (confira aqui) aos prefeitos de Campos, São João, São Francisco e São Fidélis o envio de estudo técnico para fundamentar a decisão de decretar ou não lockdown por conta própria. O prazo venceu hoje, sem que nenhum tenha atendido à solicitação do Ministério Público. Campos porque decidiu pelo lockdown. Dos outros três, apenas São Fidélis pediu ampliação do prazo de envio para segunda-feira (18).

Por decisão própria, Rafael e Carla Machado, prefeita de SJB, decidiram fechar seus comércios desde março. O de São Fidélis, com população de 38.669 habitantes e 114 casos confirmados de Covid-19 até a tarde de hoje, é o município mais infectado de todo o Norte e Noroeste Fluminense, com índice de um caso da doença a cada 339,2 moradores. Ainda assim, por decisão do prefeito Amarildo Henrique Alcântara, o comércio fidelense se mantinha aberto. E só foi fechado na quarta (13) por decisão judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que na segunda (11) acatou a o pedido da Defesa Pública pelo fechamento. Governado por Francimara Barbosa Lemos, São Francisco ainda mantém o comércio aberto.

Indagada no Folha no Ar de hoje sobre a perspectiva de 20% do total de infectados, que foram e serão obrigados a recorrer à internação hospitalar, entrando sem saber se sairão ou voltarão a ver seus entes queridos, a promotora revelou uma característica que falta a alguns governantes: a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Assumindo-a como ser humano, Maristela disse:

— É assustador! É assustador! Entrar no hospital com uma suspeita de Covid, olhar para os leitos ao lado e ver todas as pessoas sentindo os sintomas, a falta do ar, sendo levado para uma UTI e intubado, é uma perspectiva tão assustadora… É realmente muito complicado!… É difícil!… É difícil! É difícil! Não gostaria de estar no lugar dos médicos que estão ali, os enfermeiros, os técnicos de enfermagem, dentre outros que estão ali na ponta, correndo um sério risco de se contaminar, de estarem no mesmo lugar, ocupando o mesmo leito, passando pelos mesmos problemas… É uma emoção, uma emoção ruim!… Ah, me desculpa, é muito complicado isso — desabafou, visivelmente emocionada.

 

Com os trechos da matéria extraídos do terceiro bloco, confira os três abaixo nos vídeos do Folha no Ar de hoje com a promotora de Justiça Maristela Naurath:

 

 

 

 

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