Bruno Calil, pré-candidato a prefeito: “Crise de Campos não me dá medo”

 

Após vários nomes cogitados, o médico Bruno Calil (SD) foi o primeiro a ser formalmente apresentado como pré-candidato a prefeito pelo grupo político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). A certeza, como com todos os demais prefeitáveis, só se terá a partir da homologação das candidaturas entre 31 deste mês e 16 de setembro. Bruno chega com o discurso de confiança à disputa: “Confio muito em nosso projeto, quem sabe não podemos surpreender e vencer no primeiro turno?”. Tanto que, como o blog Opiniões adiantou desde 6 de agosto, a sua pré-candidatura deve trazer de volta ao páreo (confira aqui) o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). Cujo líder e pai, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), chegou a conversar com Rodrigo. Anunciado depois disso, Bruno aposta na pacificação: “Chega de prejudicar a cidade por conta de brigas políticas”. Mas, ao mesmo tempo, ressalta sua diferença com prováveis adversários: “Eu não sou o filho do Garotinho, o filho do Arnaldo, nem o neto do Zezé Barbosa”. Ele admite o grave quadro financeiro do município que pretende governar, mas usa sua trajetória pessoal como exemplo para superá-la: “A crise de Campos não me dá medo. A vida inteira encarei de frente todas as dificuldades e dessa vez não será diferente (…) A situação não é fácil, é grave, mas Campos sairá da UTI”.

 

(Foto: Rodolfo Lins)

 

Folha da Manhã – Você é o quinto pré-candidato a prefeito de Campos do SD, depois do juiz aposentado Pedro Henrique Alves, dos médicos Cândida Barcelos e Eduardo Terra, além do vereador Igor Pereira. Como analisa estes nomes e o que o seu traz de diferença?

Bruno Calil – Deixa eu contar um pouco da minha trajetória. Sou nascido e criado em Murundu, cresci em Vila Nova, vivi no interior. Desde criança lidei com as dificuldades e aprendi a dar valor ao estudo e ao trabalho. Trabalhei desde os 11 anos ajudando o meu pai na padaria e sempre precisei custear o meu sonho de me formar em medicina. Por ter passado por tudo isso, eu sei exatamente o que a população de Campos sente e precisa. Nós atravessamos o pior momento econômico da história. E foi nesse momento que eu escolhi ajudar a cidade. Sobre a minha indicação, não vejo como uma competição pelo primeiro lugar. Os nomes do nosso grupo demonstram a nossa força política. São pessoas muito capacitadas e com muita vontade de ajudar. Estou muito feliz que eles tenham apoiado a escolha do meu nome e estejam ao meu lado nessa caminhada.

 

Folha – Antes de lançar seu nome a prefeito e mesmo de sondar os anteriores, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) era considerado o principal articulador da pré-candidatura de Caio Vianna (PDT). Em entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o vereador Ivan Machado (PDT) disse que essa ruptura entre os dois poderia ser revista. Como você avalia?

Bruno – Rodrigo disse várias vezes que não há nenhuma mágoa com Caio, que a separação foi amigável. São visões diferentes, pode não ter dado química. O nosso grupo como um todo definiu que o melhor projeto seria uma candidatura própria. Caso o PDT queira apoiar a nossa candidatura, será bem-vindo. Não descartamos conversar em um eventual segundo turno. É a velha máxima, ser adversário é bem diferente de ser inimigo.

 

Folha – Cogitado (confira aqui) como pré-candidato a prefeito do PSD, o ex-vereador Fábio Ribeiro disse também ao Folha no Ar que o grupo político dele estava (confira aqui) conversando com o seu. Consta que Rodrigo teria chegado a falar por telefone com o ex-governador Anthony Garotinho. Como sua pré-candidatura foi lançada depois disso, ela quer dizer que não há mais possibilidade de aliança do seu grupo com o garotismo? Ela chegou a existir?

Bruno – O interesse de outras correntes partidárias em ter uma aliança com o nosso grupo político só demonstra a nossa força. Política é a arte de conversar, estaremos sempre de portas abertas para discutir o melhor para Campos, em torno de projetos benéficos para o município. Brigas, fofocas, ataques, picuinhas não vão fazer uma Campos melhor. Chega de prejudicar a cidade por conta de brigas políticas. É hora de pensarmos no futuro da nossa cidade, de oferecer algo novo à população que, tenho certeza, não aguenta mais esse clima de guerra. Nossa candidatura é uma candidatura que apresenta à população algo novo. Nunca fiz carreira política, nem ninguém da minha família. Eu não sou o filho do Garotinho, o filho do Arnaldo, nem o neto do Zezé Barbosa. Sou aquele cara do interior que teve poucas oportunidades, mas conseguiu um lugar ao sol à custa de muito suor. Com relação à ligação do Garotinho, tenho certeza de que Rodrigo atendeu de forma cordial e educada. Não houve nada além disso.

 

Folha – No lançamento da sua pré-candidatura, o blog Opiniões adiantou que ela poderia forçar Wladimir a voltar ao páreo pela Prefeitura, pela impossibilidade de fortalecimento de Fábio. E que este movimento seria uma aposta de Rodrigo, de que Wladimir perderia para prefeito em um eventual segundo turno, na tradicional união de todos contra o garotismo. Como você analisa?

Bruno – O nosso grupo político lançou pré-candidatura própria por ser coeso, forte e ser capaz de fazer o melhor para Campos. Confio muito em nosso projeto, quem sabe não podemos surpreender e vencer no primeiro turno? Acredito muito na força do trabalho e na nossa capacidade nas urnas. Com relação aos movimentos políticos de outros grupos, estamos muito focados em nossa candidatura, não nos cabe avaliar.

 

Folha – Caio parece apostar na baixa rejeição em um segundo turno, se comparada com ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e Wladimir ou qualquer outro prefeitável que herde a rejeição de Garotinho. Menos conhecido que os três pré-candidatos, você também tem essa vantagem da baixa rejeição? Por outro lado, como se tornar conhecido, em uma campanha com contato físico limitado por conta da pandemia da Covid-19, para estar no turno final?

Bruno – Em toda a minha vida só fiz o bem e cuidei do próximo, não cultivei inimizades. A baixa rejeição citada por você reflete a minha trajetória. Talvez não seja alguém tão conhecido na “pedra”, mas no interior a população sabe quem eu sou. Tenho certeza de que todos vão me conhecer, de norte a sul do município, de Farol de São Thomé até Santo Eduardo. Todos vão conhecer as nossas propostas e entender que temos o melhor projeto para a nossa cidade. A Covid fará dessa uma campanha atípica, sem dúvida, vivemos a pior crise sanitária da história da OMS. Então, acima de tudo está a saúde da população. Vamos respeitar todos os protocolos sanitários impostos pelas autoridades durante a campanha. E, claro, estaremos presentes nos meios digitais dialogando com a população da cidade.

 

Folha – Desde a tentativa conjunta de reabrir (confira aqui) o Restaurante Popular em Campos, Rodrigo e Rafael mantêm uma relação amistosa. Como nada indica que ela tenha se rompido, a sua pré-candidatura indica também a crença nas dificuldades do prefeito em se reeleger?

Bruno – Como deputado estadual, Rodrigo sempre vai atuar a favor do município, independentemente de quem seja o prefeito, e vem fazendo isso exemplarmente. Não é porque o nosso grupo político faz oposição ao atual governo que Rodrigo vai virar as costas para o município. Não podemos ter brigas políticas que atrapalhem o desenvolvimento da nossa cidade, e Rodrigo e Rafael vêm mostrando que adversários podem conversar. Somos adversários, não inimigos.

 

Folha – Como Cândida e Eduardo, você é médico, categoria que recentemente deu a Campos dois prefeitos, Arnaldo Vianna (PDT) e Alexandre Mocaiber (sem partido), e um vice-prefeito, Dr. Chicão (SD). Como analisa o legado destes? E, respeitado o impedimento legal para se falar em projetos, o que você traria da sua experiência na medicina para gerir a cidade de Campos?

Bruno – A minha trajetória pessoal e profissional dá a população a certeza de que o seu representante saberá exatamente quais são os seus problemas e necessidades. Vivi de perto e senti na pele a maioria deles. Trabalhei a maioria desses anos nas UBS de Campos, e sei o quanto a população vem sofrendo com as gestões ruins na Prefeitura. Campos precisa de trabalho, muito trabalho. A população necessita de um gestor que saiba o valor disso, e eu fui trabalhador a vida inteira. Sobre o legado, a maioria dos governos tinha muito recurso em caixa, mas entregou muito pouco. Campos era para ser uma potência, mas a realidade é o quadro atual. Mas quem avalia é a população, que já fez o seu julgamento. E não adianta ficar olhando para trás, temos é que pensar Campos para o futuro.

 

Folha – Em painel com empreendedores sobre a crise econômica de Campos, o arquiteto Ricardo Paes Teixeira disse (confira aqui) que a situação financeira do município é como a de um paciente em estado grave numa UTI. Como gerir um município com orçamento estimado em R$ 1,57 bilhão para 2021, com R$ 1,1 bilhão já comprometido só com folha de pagamento de servidor, e após o inédito R$ 0,00 de participação especial de petróleo neste mês de agosto?

Bruno – Há vários caminhos em busca de uma solução para a cidade. Precisamos não só reduzir as despesas, é fundamental aumentar a arrecadação. Campos não pode viver eternamente do petróleo. É preciso investir no agronegócio, na agricultura familiar, atrair indústrias. A classe empresarial tem que estar por perto, ser ouvida. Investir em parcerias público-privadas, conversar com empresários de fora de Campos e dar a eles a segurança que a nossa cidade é um local atraente para investimentos. Sobre as despesas, o caminho é uma administração séria e eficiente, não podemos desperdiçar verba pública. Um bom exemplo é o contrato de aluguel de um espaço para o Restaurante Popular, onde se paga R$ 18 mil/mês e o local nunca foi utilizado. Nossa folha é enorme, mas não podemos entender que o servidor é o nosso maior problema. Eu, como servidor público, sei o quanto somos importantes para o município.

 

Folha – O Folha no Ar já ouviu vários pré-candidatos a prefeito. Quase todos afirmaram a necessidade de enxugamento da máquina pública, mas ninguém disse onde e como. De maneira objetiva, qual o seu diagnóstico, indicação de tratamento e receita de remédio?

Bruno – Ninguém melhor que um médico para tratar de um paciente na UTI. Ninguém quer tocar o dedo na ferida porque a velha política é assim. Não interessa para ela uma administração eficiente. Como disse anteriormente, o enxugamento da máquina pública passa de forma imediata por revisar as despesas desnecessárias. Não podemos achar normal um contrato de R$ 3,9 milhões para plantas ornamentais, R$ 500 mil em show de Luan Santana, R$ 40 milhões em reforma da Praça São Salvador. Tenho certeza de que há solução, basta ter coragem, vontade e quadros técnicos competentes.

 

Folha – Você tinha uma pré-candidatura a vereador considerada com boas possibilidades. O que o fez trocá-la pela de prefeito, diante da talvez maior crise financeira de Campos, em seus 185 anos de história?

Bruno – Eu refleti muito e percebi que é nesse momento que meu município mais precisa de mim. A crise de Campos não me dá medo. A vida inteira encarei de frente todas as dificuldades e dessa vez não será diferente. Essa é mais uma que iremos superar. Chegou a hora de interromper o ciclo vicioso que não está ajudando a nossa cidade, que cai nas mãos sempre dos mesmos grupos. É o momento de oxigenar a política. Eu hoje represento um grupo político preparado, com grandes nomes capacitados em todas as áreas. A situação não é fácil, é grave, mas Campos sairá da UTI.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Mara Valéria Mendonça Martins

    Dr Bruno Callil uma esperança renovada pra um desafio de governar nosso Município com a atenção que nossos munícipes anseiam e merecem … Parabéns Deputado Rodrigo Bacellar por sua escolha !!!Vamos em frente!!!

  2. Vitor Machado

    João Damásio foi o pré candidato até agora mais coerente e convencedor entre todos! Além disso ele é e vive como o povo!
    Deveriam abrir espaço para ele aqui (trecho excluído pela moderação)

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