Opiniões

Reforma administrativa e a inteligência política de Bolsonaro que Guedes não tem

 

(Foto: André Borges – Getty Imagens)

 

Com respeito aos acordos já firmados, como o mercado sempre cobra quando se trata das empresas, a reforma administrativa chegou hoje e vai passar no Congresso Nacional. Em quais termos, sobretudo na definição das agora cobiçadas “carreiras de Estado”, é coisa ainda a se discutir. Mas é uma necessidade orçamentária do país. Na analogia creditada ao ex-presidente Getúlio Vargas, Campos está aí como espelho do Brasil — trincado pela folha de pagamento de servidor — para não deixar ninguém mentir.

A conversão de Bolsonaro ao liberalismo em 2018 tem o mesmo valor do seu batismo evangélico nas águas do rio Jordão em 2016, com o Pastor Everaldo como João Batista. Só não é motivo de riso a quem ignora o deputado que propôs em 1999 o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique pelas privatizações. O capitão fez carreira parlamentar por 30 anos como líder corporativo — primeiro dos militares, depois das polícias. Como as outras corporações do serviço público que agora também farão seus lobbies no Congresso.

Com o envio hoje da proposta de reforma administrativa, que temia fazer desde os protestos do Chile em 2019, Bolsonaro fez um aceno ao mercado. Suposto representante deste no governo federal, Paulo Guedes inventou agora de brigar com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia. A quem deveria ter como aliado natural nas reformas. Isso, logo depois de o (ainda) ministro da Economia já ter brigado publicamente com o Senado.

Com outra reforma que nunca apoiou, Bolsonaro enfia mais uma vez no bolso a direita traveca — aquela que se diz liberal na economia e conservadora nos costumes. E nisso demonstra mais inteligência política do que Guedes e seus defensores. O que não chega a ser grande vantagem.

 

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