Opiniões

Cientista político aposta em 2º turno entre Wladimir, Caio, Calil e Rafael

 

Cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos, George Gomes Coutinho projetou hoje, no Folha no Ar, as urnas goitacá daqui a apenas quatro dias (Foto: Divulgação)

 

 

“A lógica, o desenrolar dos acontecimentos, leva (Campos) a um segundo turno. Pela seguinte razão: há um quantitativo de chapas (11) para a Prefeitura que é algo que nós não tínhamos em outras eleições. Para que não tivéssemos primeiro turno, nós teríamos que ter um grande favorito. E o grande favorito, nessas circunstâncias, poderia ser o candidato da situação, seria o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), que neste momento tem a máquina. Mas o grande favorito teria que estar muito bem avaliado para que levasse no primeiro turno. Em um cenário em que não há grandes favoritos e, com o quantitativo de candidaturas que nós temos, é lógico e natural que exista a pulverização dos votos, que leve ao segundo turno. A não ser que, com esse grande quantitativo de indecisos, aconteça a migração dos mesmos para algum nome, que pode ser o Rafael Diniz, o Wladimir Garotinho (PSD), o Bruno Calil (SD), o Caio Vianna (PDT), pelo que tem dado nas pesquisas. Eu arrisco esses quatro nomes com possibilidade numérica de chegar ao segundo turno. Dado que esse grau de indecisão, você tem mais de 40% de indecisos, ele pode promover reviravoltas, pode desmentir pesquisas no domingo (15)”. A quatro dias das urnas, foi o que projetou na manhã de hoje o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. Ele falou em entrevista ao vivo no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.

O cientista político também analisou cada um dos 11 candidatos a governar Campos a partir de 1º de janeiro de 2021:

Wladimir Garotinho — “Wladimir Garotinho é o herdeiro do maior capital político que Campos conseguiu gerar pós-1988 (ano da promulgação da atual Constituição Federal). E não estou fazendo nenhum alinhamento automático de filho com os pais; traz traços genéticos, mas não é a mesma pessoa”.

Caio Vianna — “Caio Vianna me parece uma liderança bastante jovem ainda e, em termos comparativos com Wladimir, me parece com menos experiência. E, neste momento, para a imaginação política local, ele representa as boas memórias que eu acho que parte da população tem do governo Arnaldo Vianna”.

Dr. Bruno Calil — “Bruno Calil me parece um agente político bastante ambicioso. E não estou dizendo ambição negativa ou positiva, não; estou dizendo do agente político que se apresenta neste pleito com bastante ambições. Mas, politicamente, me parece um artefato muito recente ainda, para que eu faça qualquer apontamento”.

Rafael Diniz — “Rafael Diniz, eu acho que é um agente político que teve uma experiência no Legislativo, assumiu a Prefeitura de Campos. Teve pontos de acerto, não vou aqui enumerá-los, mas existem pontos de acerto; eu acho importante que se faça justiça. Nem todas as críticas dão conta da complexidade que foi o governo Rafael Diniz. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que ele assumiu demais uma postura gerencialista, demasiadamente gerencialista. Que, sem dúvida alguma, é pauta de parte da classe média e dos grupos empresariais de Campos, mas não é pauta majoritária da população. Campos precisava de algo mais do que um excesso de gerencialismo”.

Professora Natália — “É difícil, pela seguinte razão: ela foi com quem eu tive mais contato profissional. Eu tive o prazer e a honra de ter Natália como estudante na UFF, na graduação; eu fui professor dela. Primeiro, ela é uma excelente estudante, aplicadíssima, apaixonada pelo conhecimento. Ela me parece uma liderança ascendente, uma liderança popular sensível e ascendente, na minha perspectiva”.

Odisséia — “Odisséia é uma liderança também do campo popular. É uma mulher que tem longa tradição sindical no Sepe, ela conhece as questões, os desafios da educação regional. E, neste momento, assume, acho que muito corajosamente, a tarefa de levar o nome do Partido dos Trabalhadores em um momento em que o partido está se reconstruindo nacionalmente. Acho que é um nome, uma interlocutora, assim como todos os outros. Espero que quem venha a levar o pleito, quem for o vencedor, convide vários desses nomes como interlocutores nos próximos quatro anos, porque Campos não tem poucos desafios. E eu acho que a Odisséia é um nome a contribuir também”.

Tadeu Tô Contigo — “Eu acho que o Tadeu Tô Contigo é uma das faces da direita. Do que se chama de bolsonarismo. do que se chama de fenômeno da direita no Brasil, de 2018 para cá, ele é multifacetado, tem vários aspectos. E Tadeu, não o conheço em profundidade, mas me parece que ele faz um pouco da linha dos comunicadores que se lançam, que têm um apelo popular importante e se lançam como nome político. Como o Celso Russomano, por exemplo, em São Paulo, mas com menos capital político que ele. O Russomano vinha com uma trajetória política formal. E Tadeu se lança. Vamos ver o que ele vai angariar”.

Roberto Henriques — “Roberto Henriques é um político profissional. É um remanescente do Muda Campos (movimento político que levou Anthony Garotinho a e eleger prefeito de Campos pela primeira vez, em 1989), é um político experiente, tem uma trajetória de ter circulado em diversos partidos. É um homem que conhece a política local e, assim como eu falei no caso da Odisséia, eu acho que ele seria um interlocutor importante em qualquer governo”.

Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Eu acho que ele também é um sintoma desse movimento da direita brasileira. Você criou os comunicadores, você criou a ideia do empresário/político. Eu acho que o Cláudio se apresenta como um nome da ideia: ‘olha, nós temos aqui um empresário e ele vai, necessariamente, vai ser um bom governante’. Eu sempre lembro o eleitor: pode ler Maquiavel, pode ler ‘O Príncipe’, você vai ver que ele não morde, e que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Às vezes o cara pode ser muito bem sucedido no âmbito privado e ser um desastre na vida pública”.

Jonathan Paes — “Está aí um nome que eu tenho muito pouca informação. Aí ele me parece um pouco o representante do bolsonarismo avant la léttre (“antes do estado definitivo”). Porque é o tipo de nome que poderia acontecer mesmo, para surfar uma onda. Mas me parece que não colou, não vingou.

Dra. Carla Waleska — “A Carla é um nome muito recente. Mas eu acho que o PSDB e o PT local têm desafios que ainda não conseguiram responder totalmente, dado o tamanho dos dois partidos nacionalmente. Em âmbito local, Campos, o PSDB tem uma agenda ainda a apresentar à altura do tamanho do partido nacionalmente. Isso não é uma crítica destrutiva, é uma reflexão. Tanto o PSDB, quanto o PT, precisam pensar e construir localmente”.

 

Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:

 

 

 

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