Opiniões

Menáge à trois — Bolsonaro, o leite condensado e o Centrão

 

(Foto: Divulgação)

 

Jair Bolsonaro (sem partido) e o leite condensado são uma piada pronta. Que, dado o gosto do presidente pelo alimento açucarado, explorado em sua campanha presidencial de 2018 para se vender como homem do povo, desde ontem viralizou nas redes sociais. Foi após o site Metrópoles divulgar que o governo federal gastou (confira aqui) R$ 15,6 milhões com leite condensado em 2020. Que foi comprado da empresa de uma residente em Campos dos Goytacazes, como revelou desde ontem (confira aqui) o blog do Gilberto Gomes, hospedado no Folha1.

Alvo das fake news que tem o hábito de propagar pelo seu “gabinete do ódio”, mesmo contra a vida humana, como no caso da Covid-19, o governo respondeu dizendo que a maior parte da aquisição de leite condensado foi para as Forças Armadas Brasileiras. De fato, pelo menos desde a II Guerra (1939/1945), leite condensado faz parte da alimentação dos soldados pelo mundo. Mas o presidente, também ontem, jogou qualquer explicação racional pelo ralo, com a sua habitual retórica de esgoto:

— Vai pra puta que pariu, porra. Essa imprensa de merda, é pra enfiar no rabo de vocês, de vocês da imprensa, essas latas de leite condensado aí.

 

 

As metáforas sexuais parecem ser outra obsessão do presidente. Sobretudo quando envolvem a homossexualidade e outras vertentes mais, digamos, heterodoxas. Como fez no carnaval brasileiro de 2019, quando postou no Twitter o vídeo de um homem urinando sobre o outro. E perguntou:

— O que é golden shower?

 

 

Com apoio ostensivo de Bolsonaro, é bem provável que Arthur Lira (PP/AL) vença a eleição à presidência da Câmara Federal na próxima segunda, 1º de fevereiro. O que tornaria pouco provável um dos mais de 60 pedidos de impeachment do presidente da República, dormitando no Legislativo, ser apreciado até 2022. Mas, até lá, com o abandono da pauta liberal pelo governo federal que com ela se elegeu, seria providencial se pensar em outros gastos para 2021.

Muito além da largura de qualquer recipiente conhecido de leite condensado, talvez a aquisição de lubrificante tonasse menos doloroso o que o Centrão de Arthur Lira, ao qual Bolsonaro sempre pertenceu em seus 30 anos de vida parlamentar opaca, fará com o seu governo: devorá-lo pelas entranhas até o bagaço.

 

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