Erros econômicos da Campos de Arnaldo, Mocaiber, Rosinha, Rafael a Wladimir

 

Campos teve análise econômica crítica do professor Alcimar Chagas, de Arnaldo, a Mocaiber, a Rosinha e Garotinho, a Rafael e Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Infelizmente, nós temos uma prática de mudar as pessoas, mas as ações de governar são as mesmas. Na época (participou do segundo dos 11 painéis promovidos pela Folha, entre julho a setembro de 2020, sobre a crise financeira do município) nós já indicávamos que Campos tinha uma estrutura de gastos muito elevada de custeio, fruto da falta de planejamento relacionada aos royalties, que chegaram a 70% do orçamento e depois vieram caindo gradativamente; hoje é muito menos, 20% ou 30%. Os gestores não observaram isso e mantiveram os gastos de custeio. E o resultado foi que o município perdeu sua capacidade de investimento. Faltou gerenciamento, faltou gestão realmente. Nós pregávamos uma reengenharia e hoje o prefeito (Wladimir Garotinho, PSD) parece que não entendeu isso e continua desenvolvendo a sua gestão sem grandes mudanças”. No programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, foi o diagnóstico financeiro de Campos feito no início da manhã de hoje pelo economista Alcimar Chagas, professor da Uenf. E é quase tão ruim quanto o que seria revelado no final da manhã, com 100% de ocupação dos leitos de UTI para Covid no município.

Entretanto, a cobrança e avaliação negativa de Alcimar sobre a gestão da crise financeira de Campos não foi restrita ao atual prefeito de Campos, cujo governo tem só pouco mais de dois meses e meio:

— Eu diria que no início dos anos 2000, de 2004 a 2009 (do governo Arnaldo Vianna ao início do governo Rosinha, passando por Carlos Alberto Campista e Alexandre Mocaiber), nós tivemos uma avalanche de receita de royalties, que é quando a produção de petróleo alcança o seu máximo na Bacia de Campos, com 87% da produção nacional, e isso vem diminuindo gradativamente, sem quem ninguém observe isso. E o choque maior (com a queda brusca do preço internacional do barril de petróleo) foi em 2014. Sem dúvida, foram governos (municipais) perdulários. O governo de Arnaldo, está na memória de muita gente, até a estrutura contábil da Prefeitura se desidratou. E os gastos, sem critério. O Mocaiber também foi um desastre. Por incrível que pareça, mas o governo da Rosinha e do Garotinho, parece que eles foram mais organizados. Eles tiveram mais responsabilidade com investimento. Eu não estou falando a qualidade do investimento, mas do percentual do orçamento. O que a gente pode analisar é o número.

Embora tivesse contado com bem menos recursos do petróleo que os prefeitos anteriores, o governo Rafael Diniz (Cidadania) também não escapou da análise crítica do economista. E, ao contrário do mote da campanha fracassada do ex-prefeito na sua tentativa de reeleição em 2020, quando terminou o 1º turno em 4º lugar, Alcimar acha que o que faltou à gestão municipal passada foi justamente coragem:

— O governo Rafael também não soube aproveitar as oportunidades. Apesar do período complicado, acho que se ele agisse de maneira diferente, se ele tivesse mais coragem, acho que poderia ter feito um governo melhor. Mas, como eu falei anteriormente, a forma de governar parece que é a mesma. E como já estava em um período complicado, com a própria recessão do país, do choque do petróleo, com uma participação muito menor da receita de royalties no orçamento, e a falta de coragem dele de fazer uma reengenharia na estrutura de custeio da Prefeitura, na forma de usar melhor, otimizar os recursos, ele teria feito um governo melhor. Mas ele não fez dessa maneira. A estrutura de custeio continuou a aumentar, mesmo em um ambiente de declínio da receita. E o resultado foi o que nós vimos. O cara senta naquela cadeira e a coragem desaparece. Ninguém quer assumir riscos. Quando eu falo coragem, é assumir risco. Se eu tenho que reduzir a minha estrutura de despesa, eu vou reduzir. Vai ferir muita gente, naturalmente.

Do final do governo Rafael, Alcimar também cobrou a contabilidade do último bimestre de 2020, que denunciou até agora não existir ou ter sido divulgada. Mas, além de não enxergar a mudança estrutural que julga necessária nas despesas do município, ele também questionou no início do governo Wladimir o que se tornou um mantra deste, desde a campanha eleitoral do ano passado, o “dinheiro novo”:

— Como não tem dinheiro? Se até outubro, com 10 meses de contabilidade do ano 2020, o município tinha uma receita média mensal de R$ 132 milhões? Naturalmente essa média deveria ocorrer também em novembro e dezembro. E teria o dinheiro para pagar o salário (do servidor). Se não pagou, se deixou déficit, essa coisa tinha que ser mais transparente. E não é porque a contabilidade está parada no 5ª bimestre de 2020; a gente não sabe o valor total da receita do ano ainda. Realmente, passamos o ano de 2020 com pandemia e entramos em 2021 com ela mais aprofundada. Entretanto, a receita mensal do município, de alguma maneira, vem se mantendo. Mas eu não vi nenhum programa, nenhum projeto (do governo Wladimir) para potencializar essa receita ou reduzir custeio. Parece que o custeio continua aumentando com nomeações. Aí tem o discurso do “dinheiro novo”, das emendas. Mas, de repente, a emenda passou a ser a salvação da pátria. Eu considero “dinheiro novo” como fruto da dinâmica econômica. Você começa a melhorar a economia, você começa a gerar possibilidade de “dinheiro novo”, como as transferências de ICMS, transferências federais, impostos locais. Enfim, isso é “dinheiro novo” para mim. As emendas, eu não sei se elas terão papel fundamental.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista do economista Alcimar Chagas, professor da Uenf, ao Folha no Ar na manhã de hoje:

 

 

 

 

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