Opiniões

Edmundo Siqueira — Nossa polarização é entre extremos?

 

Charge de Walter Jr.

 

Edmundo Siqueira, servidor público federal e blogueiro do Folha1

‘Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína’ — Nossa polarização é entre extremos?

Por Edmundo Siqueira

 

Na política, o significado de polarização, em seu sentido literal, é a divisão da sociedade em dois polos, em dois extremos em um determinado assunto. Porém, a polarização no Brasil não acontece entre dois extremos. Não há extrema-esquerda por aqui com alguma relevância. Não existem grupos organizados, com representantes eleitos ou ações de grande repercussão que pregam partido único, estado totalitário, igualdade plena (e utópica, portanto) ou uma revolução aramada que criasse uma sociedade sem classes. A “ameaça comunista” no país, limita-se ao imaginário de adultos com capacidade cognitiva reduzida, exercendo o mesmo papel do “o homem do saco” que assustava criancinhas. Já a extrema-direita não apenas existe como ocupa a Presidência e parte significativa do Congresso e da vida pública. Terraplanismo, antiglobalismo, movimentos antivacinas, teorias conspiratórias, mentiras institucionais, fundamentalismo religioso e violência contra a oposição, imprensa e grupos minoritários, são constantes.

Quando o extremismo — de direita ou de esquerda — ocupa as instituições, o risco de ruptura democrática é premente. Quando há grupos de poder que se fecham em suas convicções a democracia vai sendo corroída — por dentro, e com cara de legitimidade. As instituições podem manter-se em aparente exercício de suas funções constitucionais, mas estarem ineptas às ameaças democráticas, assistindo aos seus representantes do primeiro escalão afrontar a lei e sues códigos internos, e não serem sequer punidos por isso. E ainda protegidos, tendo o processo de “não-punição” mantido sob sigilo de 100 anos.

Impor ao presidente Bolsonaro a pecha de “extremista de direita” não é tarefa de seus opositores ou analistas. O próprio faz questão de manter-se como um sujeito descolado da realidade e submerso em negacionismos homicidas — “E eu pergunto: a vacina tem comprovação científica ou está em estado experimental ainda? Está em estado experimental” — essas foram as suas palavras na última quarta-feira (9), em Anápolis (GO). Além de ser uma declaração mentirosa, e cabível de responsabilização severa, é potencialmente danosa à saúde pública. Mas atrai adeptos. Afinal, ‘uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade’, como diz a máxima de Joseph Goebbels, braço direito de Hitler, que teve papel decisivo na adesão da sociedade alemã ao seu projeto nazista.

Usar a máquina da burocracia estatal para sustentar uma teoria conspiratória e materializar inimigos públicos imaginários, não é novo. Em 1937, o general Olímpio Mourão , quando servia no Estado-Maior do exército, redigiu o Plano Cohen, um documento falso, no qual era traçada uma suposta estratégia de tomada do poder pelos comunistas no Brasil. O documento apesar de ser oficial, produzido pelo Estado, era falso. Assim como a nota do Tribunal de Contas da União (TCU), apontando suposta “super-notificação” no número de mortes por Covid-19 em 2020. O documento foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (7) como se tivesse sido produzido pelo próprio TCU. O extremismo vem de um lado, apenas. Camisas vermelhas? Só as manchadas pelo sangue do negacionismo.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 2 comentários

  1. **…

    *Fui obrigado hoje, conversando com um colega que votará em Lula, fazer as seguintes perguntas:
    Você acha que os pedófilos votarão em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele disse: Lula.
    Você acha que os
    estupradores votarão
    em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele respondeu: Lula.
    E os traficantes votarão
    em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele disse: Lula.
    Você acha que
    os ladrões votarão
    em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele outra vez
    respondeu: Lula.
    Você acha que o grupo MST que invade terras e destroe plantações votará em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele disse: MST, claro que no Lula!
    E aquele ladrão que rouba seu celular e bate com a arma na sua cabeça, vai
    votar em Lula ou em Bolsonaro?
    Ele disse:
    Acho que no Lula, mas isso não vem ao caso.
    Eu: Vem sim!
    Você acha que aquelas pessoas que se manifestaram nuas,
    quebraram imagens de nossa senhora, colocaram uma cruz na bunda, querem liberação da maconha, da pedofilia, que arrastaram e cagaram na imagem de Jesus, votarão em quem?
    Ele me respondeu: Acho que em Lula…
    E aqueles que rasgaram a nossa bandeira e atearam fogo, votarão em Lula ou em Bolsonaro?
    Nessa hora ele demorou um pouco mais para responder.
    E ele disse: É, em Lula.
    Você acha que os integrantes das facções criminosas espalhadas pelo Brasil vão votar em Lula ou em Bolsonaro?
    Reinou novamente
    um silêncio…e depois ele
    respondeu: No Lula.
    Aí eu disse:
    -Então, você acha que
    eu deveria votar em quem?
    No mesmo candidato desses bandidos todos?
    Você já parou pra pensar que tipo de pessoa anda perseguindo o nosso Presidente Bolsonaro o tempo todo?
    Pense!!!
    O que nos faz melhor
    será sempre o nosso caráter, a nossa honra, a nossa moral e a preocupação pelo futuro do nosso país para as nossas crianças, os nossos filhos, netos e bisnetos.
    Ter votado em Bolsonaro
    foi a melhor opção e é com certeza a única esperança. Não porque ele seja perfeito ou capacitado em tudo, pois nem ele e nem ninguém é, até porque, como diz o próprio presidente, é Deus quem capacita os escolhidos.
    Agora você talvez entenda
    porque eu votei em Bolsonaro, muita gente também votou e porque votaremos novamente!
    Como falei antes, a guerra já não é mais política e sim do Bem contra o mal.

    Texto Maravilhoso ….autor desconhecido.***

    1. Caro Elio Ulliam,

      Mesmo a quem tem certeza de que não votará nem em Lula, nem em Bolsonaro, no primeiro turno da eleição presidencial de 2022, o “texto maravilhoso” de “autor desconhecido” abre margem a um diálogo entre outras perguntas e respostas bem conhecidas:
      — Você acha que os milicianos vão votar em quem a presidente?
      — Bolsonaro!
      — E os maus policiais em busca de salvo conduto para praticar extermínio de gente nas comunidades carentes Brasil afora?
      — Bolsonaro!
      — E os desmatadores ilegais que queimam criminosamente a Amazônia, o Pantanal, o que sobrou da nossa mata atlântica e a imagem do Brasil diante do mundo?
      — Bolsonaro!
      — E os garimpeiros que invadem as áreas de proteção indígena, matando esta por envenenamento de mercúrio ou simplesmente à bala?
      — Bolsonaro!
      — E os proprietários rurais autuados por trabalho escravo?
      — Bolsonaro!
      — E os sinhozinhos e sinhás que não suportam ver pobre e negro frequentando universidades e aeroportos?
      — Bolsonaro!
      — E os defensores do trabalho infantil?
      — Bolsonaro!
      — E as “vivandeiras alvoroçadas” que têm orgasmos com coturno e cano longo, enquanto deliram com a volta da ditadura no Brasil?
      — Bolsonaro!
      — E os homens agressores covardes de mulheres?
      — Bolsonaro!
      — E os torturadores?
      — Bolsonaro!
      — E os homofóbicos em dúvida enrustida da própria sexualidade?
      — Bolsonaro!
      — E os racistas?
      — Bolsonaro!
      — E os nazifascistas?
      — Bolsonaro!
      — E os negacionistas das vacinas, das máscaras de proteção e da ciência?
      — Bolsonaro!
      — E os capazes de acreditar, em pleno séc. 21, que a Terra é plana?
      — Bolsonaro!
      — E os teocratas pré-iluministas de pensamento medieval?
      — Bolsonaro!
      — E os que produzem e disseminam fake news?
      — Bolsonaro!
      — E os inimigos da arte e da cultura?
      — Bolsonaro!
      — E toda a espécie de ressentidos da própria ignorância?
      — Bolsonaro!
      — E quem dedicou décadas da vida a excessos de sexo e drogas, mas agora posa de defensor da “moral” e dos “bons costumes”?
      — Bolsonaro!
      — E quem acusa corrupção na vida pública, reside e anda de carro de luxo em Campos, mas sonega imposto ao emplacar no Espírito Santo?
      — Bolsonaro!
      Você já parou pra pensar que tipo de pessoa apoia o presidente Bolsonaro a despeito de qualquer sandice que ele fale ou faça?
      Pense!!!
      O que nos faz melhor será sempre o nosso caráter, a nossa honra, a nossa moral e a preocupação pelo futuro do nosso país para as nossas crianças, os nossos filhos, netos e bisnetos.
      Não ter votado em Bolsonaro foi a melhor opção e é com certeza a única esperança. Não porque qualquer opositor seja perfeito ou capacitado em tudo.
      Agora você talvez entenda quem jamais votará em Bolsonaro, muita gente também não votou e não votará novamente!
      A guerra já não é mais política e sim contra o Mal.

      Grato pela chance do diálogo!

      Aluysio

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