Opiniões

Pesquisas: Bolsonaro sangra, Lula lidera e eleitor é revelado

 

(Foto: Sergio Lima/Poder 360)

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue sangrando popularidade. Divulgada na segunda (17), a pesquisa XP/Ipespe já havia registrado seu recorde negativo na avaliação do governo federal: 63% dos brasileiros o desaprovam, enquanto 29% aprovam e 8% não souberam opinar. Com metodologias diferentes, são quase os mesmos números da nova pesquisa PoderData, divulgada hoje (19): 64% dos brasileiros desaprovam a administração Bolsonaro, enquanto 31% aprovam e 5% não souberam responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em outra avaliação de governo, a má fase do capitão junto à população também se repetiu. Na XP, seu governo é ruim ou péssimo para 54% dos brasileiros, enquanto 23% o consideram ótimo ou bom, com 20% de regular. Por sua vez, na Poder Data, 56% classificam o governo como ruim ou péssimo, 28% como ótimo ou bom, com 13% de regular. A XP foi realizada entre 11 e 14 de agosto, ouvindo 1 mil pessoas, com margem de erro de 3,2 pontos para mais ou menos. A PoderData foi feita entre 16 e 18 de agosto, ouvindo 2,5 mil pessoas, com margem de erro de 2 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula lidera corrida presidencial

A XP também estendeu sua pesquisa à eleição presidencial de 2022, daqui a pouco mais de 1 ano. Na consulta estimulada, houve dois cenários, alterando alguns nomes. No primeiro, Lula liderou a corrida isolado, com 40%. E foi seguido de Bolsonaro, com 24%; de Ciro Gomes (PDT), com 10%; Sérgio Moro (sem partido), com 9%; e Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Eduardo Leite (PSDB), com 4% cada. No segundo cenário, Lula também liderou, com 37%. Mas com uma diferença menor para Bolsonaro, com 28%; Ciro, com 11%; Mandetta e João Doria (PSDB) e José Luiz Datena (PSL), com 5% cada; e Rodrigo Pacheco (DEM), com 1%.

 

Segundo turno e rejeição

Competitivo no primeiro turno, bem à frente das opções da chamada “terceira via”, Bolsonaro perdeu todas as simulações de segundo turno feitas pela XP. Não só contra Lula (51% a 32% ao petista), mas também contra Ciro (44% a 32% ao pedetista), Moro (36% a 30% ao ex-juiz federal), Doria (37% a 35% ao governador paulista), Mandetta (38% a 34% ao ex-ministro da Saúde), Leite (35% a 33% ao governador gaúcho). Contra os quatro últimos, a desvantagem do presidente está dentro da margem de erro da pesquisa, configurando empate técnico. Ele tem a maior rejeição, com proibitivos 61%, seguido de Lula, com também altos 45% que dizem não votar nele de jeito nenhum.

 

Pefil do eleitor antibolsonaro e bolsonarista

A PoderData não estendeu sua pesquisa à eleição presidencial de 2022. Mas, restrita à aprovação de governo, mapeou o perfil do eleitor mais avesso e mais fiel de Bolsonaro. Os mais críticos a ele são mulheres (66%), de 16 a 24 anos (76%), da região Nordeste (72%), de ensino superior (66%) e ganham entre dois a 10 salários mínimos (65%). Os mais fiéis ao presidente são homens (37%), de 60 anos ou mais (39%), da região Norte (52%), têm ensino médio (34%) e ganham mais de 10 salários mínimos (38%).

 

(Infográfico: Poder 360)

 

Cientistas políticos de Campos analisam

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

— As duas pesquisas mostram o equívoco do Bolsonaro de ter optado por polarizar com o vírus, brigando com a realidade ao invés de governar e enfrentar os problemas. De outro lado, o Lula acertou ao ficar na moita, em não se expor, em mostrar certa moderação, pelo menos desde que saiu da cadeia e foi colocado na condição de candidato pelo Supremo. Acho que as pesquisas estão espelhando essas estratégias de um e outro lado. E a fragmentação do campo político continua grande. O somatório de todos aqueles que não estão com o Lula ainda é expressivo. Mas resta saber se a  dinâmica política vai beneficiar essa terceira via. Isso ainda está em aberto —avaliou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

Vitor Peixoto, cientista político e professor da Uenf

— Deve estar batendo desespero nos estrategistas dos candidatos a candidato da terceira via. Bolsonaro ainda mantém um núcleo duro muito consistente de eleitores entre 24% e 28%. É um patamar muito alto para ser ultrapassado na corrida para quem irá enfrentar o Lula. Quanto à pesquisa PoderData, a avaliação de governo é o principal preditor de voto quando se tem o titular na disputa. E não há grandes mudanças nesse cenário. A estratégia do Bolsonaro, de jogar cortina de fumaça a todo momento, não tem funcionado. Mas ele mantém um núcleo duro, que para a terceira via é péssimo. Se eu tivesse com expectativa de ganhos com a terceira via, apostaria numa derrubada do Bolsonaro, via acordo com Mourão — projetou o cientista político Vitor Peixoto, também professor da Uenf.

 

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Este post tem 7 comentários

  1. Algum otário acredita nessas pesquisas compradas pela esquerda? segundo essas mesmas pesquisas, o STF é o órgão com maior credibilidade no país…

    1. Caro Ralf,

      O grande Bezerra da Silva jé legislou “Os Direitos do Otário” em samba: “Aonde pintar um otário/ Tem caguetagem e malícia/ Otário é a imagem do cão/ E também cachorrinho/ De polícia”.

      Apesar de atravessar o ritmo, o desespero bolsonarista com as pesquisas, que buscam negar como fizeram com a Covid, é um fenômeno antropológico interessante. E, confesso, até divertido de ser observado de fora.

      Noves fora o seu negacionismo, que tem o valor retórico de afirmar que a parede branca é uma mesa cor de abóbora, fique com a triste realidade de 2018, antecipada mais de um ano pela Datafolha: https://opinioes.folha1.com.br/2017/10/22/brasil-entre-lula-e-bolsonaro/

      Grato pela chance de espargir as sombras do seu pensamento!

      Aluysio

  2. É só entrar na Internet. Pesquisa para Presidente em 2022. Ao vivo na Enquete pode votar quem quizer. Lá, como é livre, dê uma olhada e ve qual a posição de cada candidato. Você que acredita nestas pesquisas, vai ficarr surpreso.

    1. Caro Paulo César da Cunha Lima,

      Quer dizer que além de querer substituir as notícias checadas do jornalismo profisional pelas fake news das redes sociais, os bolsonaristas agora querem substituir os critérios estatísticos das pesquisas de avaliação de govermo e eleitorais por… enquetes de internet? Pode até provocar riso ou vergonha, no Brasil e no mundo, mas nenhum delírio bolsonarista é capaz de supreender mais ninguém.

      Grato pela chance de expor os fatos!

      Aluysio

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