Discussão de Rodrigo e Wladimir passa o limite aceitável

 

Rodrigo Bacellar e Wladmir Garotinho diante do mesmo microfone do Folha no Ar, na Folha FM 98,3 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para quem acompanha a política de Campos desde a eleição municipal de 1988, antes mesmo de valerem as novas regras da Constituição Federal promulgada naquele ano, não há favor em reconhecer o talento de jovens e promissores políticos goitacá. Como são o secretário de Governo do estado do Rio, Rodrigo Bacellar (SD), e o prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

Os dois políticos de Campos são da mesma geração, à qual pertencem também o ex-prefeito Rafael Diniz (Solidariedade) e o secretário de Ciência e Tecnologia Caio Vianna (PDT). Que é marcada tanto pelas redes sociais e sua diarreia verbal, quanto pelo respeito masculino devido ao empoderamento feminino na vida cotidiana e pública. O lugar da mulher na sociedade é onde ela quiser estar. Está aí a ainda chanceler da Alemanha Angela Merkel, reverenciada pelo mundo, para servir como exemplo.

Apesar de serem ambos aliados políticos do governador Cláudio Castro (PL), Rodrigo e Wladimir vêm trocando farpas nas redes sociais desde o processo eleitoral de 2020, no qual o segundo se elegeu prefeito. Mas ontem, infelizmente, essa polarização ultrapassou qualquer limite civilizacional aceitável.

Após ser criticado pelo atual prefeito de Campos por ter se reunido na sexta (24) com Rafael, Rodrigo escreveu na tarde de ontem (25), se direcionando publicamente a Wladimir: “O ex-prefeito atualmente está casado e feliz, não representa o perigo que você imagina, não leva pro coração esse recalque! Devia se preocupar mais com o futuro político dela, pois se for mesmo pra Brasília como você planeja, as chances de você ser passado pra trás são bem maiores”.

Wladimir tinha escrito sobre a reunião entre Rodrigo e Rafael no final da noite de sexta: “Reunião de um deputado estadual hoje contou até com a presença ilustre de Rafael Diniz. Os iguais se atraem e a dobradinha da eleição continua a todo o vapor. Mentir por povo nunca deu certo e o ditado popular continua de pé: quem se mistura com porco, farelo come”.

E, após ter sua esposa indevidamente metida na discussão na resposta de Rodrigo na tarde sábado, Wladimir reagiu no final da noite de ontem: “Ofender minha esposa com insinuações maldosas e ataques machistas mostra o quão desprezível é o secretário estadual de governo. Uma pena que o governador do RJ mantenha em sua antessala um cidadão tão mau caráter. Me encare, seu frouxo; não vai tocar na minha família”.

Não está incorreto quem lembra que o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) já usou publicamente das mesmas insinuações levianas e desrespeitosas contra a honra de mulheres, adversárias políticas ou esposas de quem julgava ser. Só que isso está em um passado que não merece ser revivido. E, sobretudo, certo está quem lembra que Wladimir, embora filho e herdeiro político, não é Garotinho.

No presente, o prefeito errou ao iniciar as provocações contra Rodrigo e Rafael. Mas o secretário perdeu qualquer razão ao envolver a primeira-dama Tassiana Oliveira nessa discussão, atentando contra sua honra enquanto mulher, esposa e mãe de família. Não por outro motivo, Bacellar, que é advogado, mereceu na tarde de hoje a manifestação de repúdio da OAB-RJ e OAB Mulher Campos:

 

A DIRETORIA DE MULHERES DA OAB-RJ E A OAB MULHER CAMPOS

repudia veementemente toda e qualquer violência sofrida pelas mulheres e por Tassiana Oliveira. Recentemente a primeira-dama de Campos dos Goytacazes/RJ se deparou com a produção e distribuição de conteúdo em mídias sociais, veiculando sua imagem à frase difamatória, de cunho sexista e misógino, implicando em desrespeito à dignidade humana, com a finalidade de desqualificar e deslegitimar a sua imagem.

É inadmissível que tal violência seja perpetrada por pessoas revestidas em cargos políticos, fragilizando assim diretamente a democracia.

As violências sofridas pelas mulheres, sejam elas físicas, patrimoniais, morais, sexuais, psicológicas, ou políticas de gênero são violências que superam o âmbito regional e até mesmo nacional.

Historicamente a política é um espaço masculino que exclui e marginaliza as mulheres e outros grupos subalternizados, reflexo do caráter machista e patriarcal enraizado nas estruturas institucionais e na cultura social.

Diariamente mulheres sofrem todos os tipos de violência em todo o mundo, personificando-se nas mídias sociais com conteúdos sexistas para deslegitimar sua imagem. São vítimas de ameaças de morte, são mortas para serem silenciadas, perseguidas, exiladas, agredidas, estupradas, além de terem seus corpos objetificados.

Por certo, rechaçamos que toda violência contra as mulheres deve ser combatida e com a devida responsabilização das condutas praticadas, que configuram crimes previstos no Código Penal. É inaceitável normalizar essa prática que reafirma uma cultura que deve ser desconstruída recorrentemente e combatida por toda sociedade e autoridades com a adoção das medidas cabíveis.

Reitera-se o compromisso desta Diretoria e Comissão com a constante defesa pela igualdade de gênero, proteção às mulheres, bem como a preservação do princípio da dignidade humana.

Marisa Gaudio – Diretora de Mulheres da OAB-RJ
Kelly Viter – Presidente da OAB Mulher Campos-RJ

 

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Este post tem um comentário

  1. O atual prefeito usa de dito popular. Sigo nesta linha ao lembrar que frutos não caem longe das árvores. Geração nova, século novo, velhos hábitos da velha política goitacá.

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