UFF, IFF e Uenf cobram social na metropolização da região

 

Ana Costa, pela UFF-Campos; Jefferson Manhães de Azevedo, pelo IFF; e Raul Palacio, pela Uenf, foram convocados pelo deputado Chico D’Ângelo ao debate sobre a metropolização da região da Bacia de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O processo de metropolização da região da Bacia de Campos é uma realidade irreversível, mas tem que acontecer com inclusão social. Em resumo, foi o que pontuaram os três dirigentes das maiores instituições de ensino público superior de Campos e da região: os professores Ana Costa, diretora da UFF-Campos; Jefferson Manhães de Azevedo e Raul Palacio, respectivamente reitores do IFF e da Uenf. Os três foram convocados ao debate, neste blog, pelo deputado federal campista Chico D’Ângelo (PDT), na última sexta (8).

Reflexo desse processo de metropolização regional, na terça (5) o blog anunciou que a Azul já está vendendo passagens na inédita abertura de voos comerciais regulares de Campos e Macaé para a Europa, com destino a Lisboa, capital de Portugal. Abaixo dos aviões de carreira, mas acima na prioridade, os dirigentes universitários deixaram claro que há muitas questões sociais a serem resolvidas nesse protagonismo econômico da região, tendo Campos como polo:

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Em função da complexidade desse debate sobre a metropolização e a reprodução do espaço no mundo contemporâneo em que ocorre o aprofundamento da contradição entre o processo de produção social do espaço e sua apropriação privada; momento em que os processos de trabalho e das condições de vida das pessoas são muito precarizados, necessário se faz ampliar esse debate, junto às universidades, faculdades e demais instituições de pesquisa, movimentos populares, sindicais e setores da sociedade que pensam e se envolvem, no sentido da redução das desigualdades e injustiças sociais, como apontou o deputado Chico D’Ângelo. O volume e a forma de incorporação de novas áreas pelos grandes projetos mostram como a terra ainda é um dos recursos naturais fundamentais de apropriação privada com fins de acumulação — ressaltou Ana Costa, diretora da UFF-Campos.

— Sabemos que esse processo de metropolização pode trazer consequências danosas para nossa região, tais como a urbanização descontrolada e a falta de infraestrutura e equipamentos públicos para a população, problemas de impactos ambientais, entre outros. Nesse sentido, temos que nos organizar para pensarmos, planejarmos e criarmos soluções para os diversos problemas que possam surgir. Todos os atores que compõem a chamada Bacia de Campos, o parque universitário de toda a região, os poderes públicos locais, as entidades classistas e as da sociedade civil organizada, deverão participar desse grande debate. Que, em defesa da região, deve ser inclusivo, sem acentuar a exclusão já exacerbada. O compromisso do IFF é o de colaborar para minimizar, pelo diálogo, os efeitos negativos; bem como maximizar as oportunidades desse fenômeno que, ao que tudo indica, é irreversível — projetou Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF.

— Temos que diferenciar entre crescimento e desenvolvimento. O crescimento metropolitano será uma realidade. Mas esse crescimento será no sentido do desenvolvimento sustentável, com aumento da qualidade de vida e criando um forte capital social? Para desenvolver, precisamos que sejam implementadas políticas públicas que tenham como figura central a liberdade do ser humano. O deputado Chico D’Ângelo está certo, pois a participação das universidades é fundamental. Só a modo de exemplo, na sexta, estávamos, representantes da Uenf, UFF, IFF e o presidente da Câmara Municipal (vereador Fábio Ribeiro, do PSD, que também já se posicinou ao blog sobre o processo de metropolização da região da Bacia de Campos), trabalhando na solução do assentamento Cícero Guedes e as necessidades das suas 260 famílias. Deixar o crescimento à espontaneidade do momento vai piorar a desordem que já temos hoje. Onde o sono dos moradores da Pelinca é atrapalhado pelo som que vem dos bares — exemplificou Raul Palacio, reitor da Uenf.

 

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