Às escuras e esburacada, procura-se governo em SJB

 

Registros de ruas escuras, esburacadas e alagadas em todo o município de SJB revelam quadro de abandono (Fotos: Facebook/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jorge Fernando Hissa, secretário de Obras de SJB

SJB tem explicações a dar

Na manhã de hoje, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o secretário de Obras de São João da Barra, Jorge Fernando Hissa. Como responsável pela pasta no governo Carla Machado (PP), ele terá muitas perguntas a responder da bancada do programa de rádio mais ouvida de Campos e região, composta pelo radialista Cláudio Nogueira e pelo Arnaldo Neto, que é sanjoanense, criado no balneário de Atafona. Não só na praia tradicionalmente frequentada também por campistas, o quadro de abandono de todo o município de SJB tem causado revolta em seus moradores. Inclusive naqueles que sempre foram carlistas.

 

Analiel Vianna, vereador governista de SJB

Município refém da escuridão e buracos

As reclamações sobre a iluminação pública e os buracos espalhados por todas as vias sanjoanenses são generalizadas. O quadro de abandono já é ecoado na Câmara Municipal de SJB, até entre os vereadores da situação. No último dia 19, o vereador governista Analiel Vianna (Cidadania) levou ao plenário do Legislativo um requerimento à secretaria municipal de Obras, para substituição de postes e refletores do campo de futebol do Açu. Em tom de desabafo, ele lembrou das constantes aprovações de excesso de arrecadação municipal, enquanto munícipes reclamam de ruas esburacadas e falta de iluminação.

 

Elísio Rodrigues, vereador governista de SJB

Cinco mil postes apagados

Naquela sessão da Câmara de SJB, o presidente governista da Casa, vereador Elísio Rodrigues (PL), contabilizou que o município já tem cerca de 5 mil postes apagados. Ele cobrou ação por parte da Prefeitura para a solução do problema, que também é de segurança pública. Elísio salientou, ainda, que a secretaria de Obras já prometeu três vezes que a falta de manutenção do serviço de iluminação pública seria solucionada, sem que nenhum prazo tenha sido cumprido. A Casa aprovou uma indicação assinada por todos os parlamentares, propondo ao Executivo a elaboração de um processo licitatório para terceirizar a iluminação pública.

 

Junior Monteiro, vereador governista de SJB

Contraste gritante

Cidade tradicional em sua polarização entre Congos e Chinês, “abelhas” e “marimbondos”, as cobranças ao governo Carla hoje são uma unanimidade em SJB. O vereador governista Analiel lembrou que as queixas não são mais de “figurinhas carimbadas”, ou “reclamões” das redes sociais. A situação chegou a tal ponto, que outro vereador governista, Junior Monteiro (Cidadania), relatou que moradores de Quixaba estavam arrecadando dinheiro para pagar um eletricista e buscar uma solução à iluminação pública. Isso no mesmo 5º distrito onde está instalado o Porto do Açu, no contraste gritante entre desenvolvimento e abandono.

 

Alan de Grussaí,vereador governista, e Danilo Barreto, candidato a vereador de SJB mais votado na “pedra”

Dinheiro não falta

Outro vereador governista, Alan de Grussaí (Cidadania) chegou a cobrar que o secretário de Obras Jorge Hissa entregue seu cargo, se não atender à população. Alan ressaltou que o município deve ter recorde de arrecadação. Com orçamento previsto de R$ 430 milhões para 2021, é esperado que ultrapasse os R$ 500 milhões. Candidato a vereador mais votado na “pedra” em 2020, embora não tenha sido eleito, o jovem administrador público Danilo Barreto (Patri), hoje diretor de Eficiência Governamental da Prefeitura de Brusque (SC), foi direto ao falar do seu município no Folha no Ar do último dia 21: “Não falta dinheiro, falta governo”.

 

Alcimar Chagas, economista, professor da Uenf e residente de SJB

Receita sem bem-estar

Professor da Uenf e residente em SJB, o economista Alcimar Chagas analisou a contradição: “São João contraria a tese de que uma maior receita orçamentária garante o bem-estar do cidadão. Neste ano, as receitas orçamentárias devem atingir R$11.842,85 por habitante, valor 3,63 maior que Campos. Mas o governo não tem compromisso com a população. O atendimento na saúde pública é precário. Os constantes alagamentos na área rural isolam os produtores. Na área urbana, os jovens não têm perspectiva. Empreendedores são inibidos e avança o desemprego. Isso numa cidade que tem o Porto do Açu e é produtora de petróleo”.

 

Hamilton Garcia, cientista político, professor da Uenf e residente de SJB

Descaso ambiental

Outro professor da Uenf e residente em Atafona, ontem o cientista político Hamilton Garcia denunciou que o abandono de SJB também é ambiental. Ele denunciou um bugre sem placa cujos ocupantes tiraram estacas de proteção para trafegar à beira-mar, mas nada foi feito: “O Projeto Tamar deixou de atuar nas praias de SJB por falta de colaboração municipal. Tenho conhecimento de fiscais ambientais que atuam sem apoio e são motivo de riso, por parte de colegas comissionados. Não vejo intencionalidade contra o meio-ambiente, mas de um descaso universal com a coisa pública, numa sociedade que valoriza o favor e o compadrio”.

 

Prefeita Carla Machado e deputado estadual Bruno Dauaire

Única obra que avança

Vereador governista de SJB, Elísio foi direto: “nossa prefeita e alguns secretários, não só o de Obras, não tratam o assunto da forma emergencial como deveriam”. No Folha no Ar de 28 de maio de 2020, quando o entrevistado foi o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), foi dito a ele que Carla Machado conquistaria seu quarto mandato como prefeita com 70% dos votos válidos. Em novembro, ela seria reeleita com 69,72%. Com a mesma independência na análise dos fatos, alvo da reprovação popular geral, Carla hoje teria sérias dificuldades para fazer seu sucessor. Em SJB, as únicas obras que avançam são no antigo bar da prefeita em Atafona.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Este post tem um comentário

  1. Paulo Cardoso

    Sou Campista, mas atualmente moro em Grussaí e concordo plenamente que as praias, assim como a sede do município estão abandonadas. Quem trafega pela Avenida Atlântica, tem que ficar desviando de buracos e quando chove tem que passar lentamente em um trecho próximo a passarela 4, pois corre risco de acidente, devido ao volume de água aprisionado na pista. Outro problema é a iluminação pública, várias ruas e avenidas completamente no escuro.

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