Capitólio dos EUA e MG: a morte segue quem ignora os fatos

 

Invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e a queda do paredão de pedra no município mineiro de Capitólio, em 8 de janeiro de 2022 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Em 6 de janeiro de 2021, a invasão ao Capitólio em Washington. Foi obra de militantes incitados pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, inconformado pela derrota por larga margemna sua tentativa de reeleição, em 3 de novembro de 2020. Em 8 de janeiro de 2022, a queda de um paredão de rocha, pela erosão das águas da chuva, no Lago de Furnas, em Capitólio (MG). Além da estranha coincidência dos nomes, da proximidade das datas e de, até se darem na vida real, parecerem cenas de ficção: o que os dois fatos trágicos têm em comum?

Na capital dos EUA, o saldo foram cinco mortos. No município mineiro, foram 10 óbitos até o momento confirmados. Mas, talvez ainda mais que as vidas humanas perdidas, o que impressiona nos dois casos é a capacidade das pessoas de ignorarem solenemente os fatos. Até serem fatalmente atropelados por eles.

Nos EUA de Trump, o fato foi o resultado de uma eleição definida por mais de 7 milhões de votos populares e 306 a 232 votos no colégio eleitoral. Números ignorados por quem invadiu o Capitólio por preferir acreditar nas denúncias de “fraude”, nos votos pelos correios adotados naquele país desde o século 19, feitas sem apresentar uma única prova por quem sabia antes que iria perder.

No Brasil do “Trump dos Trópicos”, tragicamente resumido nas águas paradisíacas de Capitólio, o fato ignorado foram os muitos alertas verbais às pedras caindo diante dos olhos das próprias vítimas, em meio à erosão natural provocada pela água das chuvas, antes que todo o paredão do cânion infelizmente viesse abaixo sobre elas. Confira no vídeo abaixo:

 

 

A quem assistiu ao filme “Não Olhe Para Cima” (2021), de Adam Mckay, sucesso da Netflix, onde um cometa em rota de colisão com a Terra é ignorado por governantes e seus apoiadores, a sensação que fica é de déjà vu. A desconstrução sistemática da verdade, massificada através das redes sociais, nos trouxe a estes tempos estranhos. Onde as pessoas parecem não acreditar nem mais naquilo que estão vendo. E morrem ou até matam por conta disso.

 

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