Globo de Ouro premia filmes disponíveis no streaming

 

Considerado o grande termômetro do Oscar — que teve sua data remarcada de 27 de fevereiro para 27 de março, por conta da disseminação da variante Ômicron da Covid nos EUA —, o Globo de Ouro da noite de ontem veio cercado de muita polêmica. Denunciado como racista, misógino e corrupto pelo “politicamente correto” que tem em Hollywood um bastião, não foi transmitido ao vivo e teve seus vencedores anunciados nas redes sociais. Mas premiou na noite de ontem alguns filmes que já podem ser conferidos pelos brasileiros nas plataformas de streaming.

 

“Ataque dos Cães”, na Netflix, e “Being the Ricardos”, na Amazon Prime Video (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Exibido na Netflix desde 1º de dezembro, “Ataque dos Cães” (2021) levou na categoria de melhor filme de drama e de direção, para a neozelandesa Jane Campion; além de ator coadjuvante, para o jovem australiano Kodi Smit-McPhee. Disponível na Amazon Prime Video desde 10 de dezembro, “Beind the Ricardos” (2021), de Aaron Sorkin, deu o Globo de Ouro de melhor atriz de drama à australiana Nicole Kidman.

“O Piano”, estrelado por Hervey Keytel e Holly Hunter, Oscar de melhor atriz de 1994

“Ataque dos Cães” é um western-cabeça com poucas armas e nenhum duelo. E marca a volta de Jane Campion à direção 12 anos depois de seu último filme, “Brilho de uma Paixão” (2009). Ela se tornou conhecida mundialmente com o belíssimo “O Piano” (1993). Pelo qual foi a primeira cineasta mulher a ganhar a Palma de Ouro em Cannes e a segunda a ser indicada ao Oscar de melhor direção, levando a estatueta de melhor roteiro original.

Com participação na produção e adaptação do roteiro, Campion volta a apresentar em “Ataque dos Cães” suas marcas: grande virtude imagética, sobretudo nas tomadas externas, e trama baseada no conflito psicológico entre as personagens. Dois deles são irmãos rancheiros, bem diferentes em físico e personalidade, vividos por Benedict Cumberbatch e Jesse Plemons. Este se casa com a personagem Kistern Dunst, que leva o filho vivido por Kodi Smit-McPhee. Sensível, ele desenvolve relações ambíguas com a rusticidade do novo meio e do novo “tio”. O “sobrinho” representa o falecido Thomas Savage, autor do romance autobiográfico “O Poder do Cão”, adaptado no filme. Que traz um final inesperado no desfecho pelo antraz, o cabrunco dos campistas.

 

Relação ambígua entre a sensível personagem de Kodi Smit-McPhee e o rude cowboy de Benedict Cumberbatch

 

Já “Being the Ricardos” (“Apresentando os Ricardos”), roteirizado e dirigido por Aaron Sorkin, dá a Nicole Kidman um bom presságio: da última vez que ela levou o Globo de Ouro de melhor atriz de drama, faturou depois também o Oscar de melhor atriz, por sua soberba atuação como a atormentada escritora Virginia Woolf, em “As Horas” (2002), de Stephen Daldry.

 

Diálogo em alto nível entre Javier Barden e Nicole Kidman, em “Being the Ricardos”, sobre a série popular de TV “I Love Lucy”, que marcou época nos EUA dos anos 1950

 

No novo filme, a ex-senhora Tom Cruise (que nunca levou o Oscar) interpreta a assertiva Lucille Bel, que protagonizou o popularíssimo seriado “I Love Lucy”, marco da TV dos EUA em seu início, nos anos 1950. Se o talento de Kidman como atriz é inegável, incomoda cada vez mais sua cruel prisão física ao rosto de boneca mumificada em vida. Que só consegue sustentar através de visíveis cirurgias plásticas. E cujas marcas têm que ser sempre escondidas com muita maquiagem e franjas do seu cabelo ruivo.

 

Will Smith larga na frente na luta por seu primeiro Oscar, como pai e mentor das campeãs de tênis Venus e Serena Williams, em “King Richard: Criando Campeãs”

 

Nas telas de TV, ou atrás delas, a australiana Kidman atua em troca de alto nível com o espanhol Javier Barden. Ele interpreta o ator, músico e produtor cubano Desi Arnaz, marido de Lucille na vida real e na representação do seriado de TV. Como o inglês Benedict Cumberbatch, pelo papel em “Ataque dos Cães”, Barden também foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator de drama. Mas ambos perderam para o afro-estadunidense Will Smith, que levou o prêmio por sua atuação em “King Richard: Criando Campeãs” (2021), de Reinaldo Marcus Green. Conta a história da criação das campeãs de tênis Venus e Serena Williams, está disponível na HBO Max desde 7 de janeiro e pode finalmente render a Smith seu primeiro Oscar de melhor ator.

 

Ben Affleck e Tye Sherindan, em “Bar Doce Lar”, novo trabalho na direção, sem maior criatividade, do galã George Clooney

 

Outro filme que rendeu indicação ao Globo de Ouro, mas sem levar, e também estreou no último dia 7, pela Amazon Prime Video, é “Bar Doce Lar” (2021). É mais um trabalho do ator George Clooney como cineasta, na adaptação do livro autobiográfico “Bar, Doce Lar”, de J.R. Moehringer. Se a direção de Clooney não demonstra maior ambição, apesar da boa história e elenco, rendeu a indicação de Ben Affleck como ator coadjuvante de drama. Foi a categoria que premiou o jovem Kodi Smit-McPhee, por seu trabalho em “Ataque dos Cães”.

 

Grande sucesso da Netflix, “Não Olhe Para Cima” ficou a ver navios no Globo de Ouro

 

Grande sucesso da Netflix, desde que foi lançado na líder mundial de streaming em 24 de dezembro, a sátira “Não Olhe Para Cima” (2021), de Adam McKay, teve duas indicações ao Globo de Ouro, mas não levou nada. Na categoria de melhor filme comédia/musical, ganhou o musical “Amor, Sublime Amor” (2021), de Steven Spielberg, remake do clássico homônimo de 1961, dirigido por Jereme Robbins e Robert Wise. Já na categoria melhor ator comédia/musical, no qual Leonardo DiCaprio foi indicado, venceu Andrew Garfield, pelo filme “Tick, Tick… Boom!”, de Lin-Manuel Miranda.

Ao Oscar, os indicados serão anunciados em 8 de fevereiro.

 

Confira abaixo os trailers dos filmes “Ataque dos Cães”, “Beind the Ricardos”, “King Richard: Criando Campeãs” e “Bar Doce Lar”:

 

 

 

 

 

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