Cláudio Castro promete ação imediata em Barcelos e região

 

Com Cláudio Nogueira, Rodrigo Carneiro e Matheus Berriel

 

“Neste momento, a gente não vai ficar esperando. O que o Estado tiver que fazer de intervenção, ele vai fazer diretamente aqui, para que a gente possa solucionar o mais rápido possível esse problema”. Foi o que o governador Cláudio Castro disse na manhã de hoje, em entrevista ao vivo ao programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3. Ele estava ao lado do seu secretário de Governo, e deputado estadual de Campos, Rodrigo Bacellar (SD), e de Carla Machado (PP), prefeita de São João da Barra, cujo dique do Paraíba do Sul não suportou a cheia do rio com as águas da chuva, nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e se rompeu na tarde de ontem, na altura de Barcelos, invadindo e interditando a BR 356, no trecho Campos/Atafona.

“Se nós precisarmos, com a nossa equipe própria, do DER, se tiver que fazer alguma contratação agora, para hoje, para começar a fechar o buraco (do dique em Barcelos) hoje, começar a ver o que dá para fazer de forma emergencial”, garantiu o governador. Mas sem dar prazo à solução do problema. Ele também vai visitar outros municípios da região castigados pela chuva, como Itaperuna e Cambuci. Castro falou da sua pré-candidatura e das eleições a governador de outubro, bem como da importância do apoio do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), nessa disputa. E ressaltou a importância do projeto Fênix, elaborado pelo setor produtivo de Campos e região, com apoio do Grupo Folha, na busca de parceria com o poder público para o desenvolvimento regional.

 

Entre seu secretário de Governo, Rodrigo Bacellar, e a prefeita sanjoanense Carla Machado, o governador Cláudio Castro visita o distrito de Barcelos, onde o dique do rio Paraíba do Sul se rompeu, provocando alagamento e a interdição da BR 356 (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Presença e promessa de atuação imediata em SJB — Acabei de chegar aqui, estou com a prefeita Carla Machado (PP) ao meu lado, de São João da Barra. Ela já me colocou as principais questões urgentes. Também está conosco o nosso secretário de Governo, Rodrigo Bacellar, e ela (Carla) colocou as questões que são urgentes agora, dos diques, principalmente o dique que se rompeu (em Barcelos, na margem da BR 356, interditada naquele trecho) e aqueles que estão na iminência de se romper. Não adianta a gente só olhar para esse que rompeu agora e não olhar para aqueles que estão na iminência de romper, nem para os locais que ainda estão assoreados e podem causar muito estrago. Então, a gente vai agora dar uma olhada em alguns locais de rompimento. Trouxe comigo, além do secretário Bacellar, o secretário das Cidades, Uruan (Cintra); o secretário de Meio Ambiente, Thiago Pampolha; e o secretário de Defesa Civil, coronel Leandro (Sampaio Monteiro), para que a gente pudesse já dar as primeiras orientações emergenciais e já ver o que tem que ser feito ao longo dos próximos dias, para, caso novas chuvas venham, a gente não deixar a população de toda a região sofrer. Nós sabemos que não é só São João da Barra. Se esses diques romperem, vai ter um grande sofrimento na região inteira. Então, aqui é um trabalho totalmente regional. Eu falei ontem com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que está aguardando a gente dizer o que a gente precisa. Mas, neste momento, a gente não vai ficar esperando. O que o Estado tiver que fazer de intervenção, ele vai fazer diretamente aqui, para que a gente possa solucionar o mais rápido possível esse problema que, de ontem para hoje, se agravou muito.

Prazo para solução? — Estou chegando aqui exatamente para ver isso. Se nós precisarmos, com a nossa equipe própria, do DER, se tiver que fazer alguma contratação agora, para hoje, para começar a fechar o buraco hoje, começar a ver o que dá para fazer de forma emergencial, tem um engenheiro especialista que a prefeita contactou e está nos esperando. A gente vai conversar com engenheiros, eu também trouxe especialista do DER. A gente vai conversar agora, para ver o que dá para começar a fazer hoje e também nos próximos dias, para a gente evitar que um desastre maior aconteça.

Agenda na região afetada pelas chuvas — Sábado eu vou a Itaperuna e Cambuci. Vamos ver o que precisa lá. A primeira coisa que nós precisamos é ajeitar o que está causando prejuízo nesse momento: rompimento, limpeza. Se houver obstruções, desobstruir. Na verdade, o comitê estadual das chuvas já está fazendo isso pelo estado inteiro. Com as fortes chuvas, enche, e quando diminui a chuva, estamos entrando rapidamente em todas as cidades. Entrou em Itaperuna, entrou em Carmo, entrou em várias cidades, entrou limpando rápido, e a vida da população está voltando rápido. Isso também se dá graças ao programa Limpa Rio, em que nós limpamos rios em 35 municípios no último ano. A projeção é de, em três anos, nós conseguirmos limpar todos os rios do estado, que geram transtorno na época das chuvas. Isso já tem dado um alívio enorme, porque, além de dificultar a enchente, ajuda a desaguar mais rapidamente quando o rio está limpo. Esse foi um projeto em que, só no ano passado, o Estado investiu R$ 200 milhões, e mais R$ 50 milhões em contenção de encostas, o que fez com que o desastre fosse bem menor do que seria em outras épocas.

Reconstrução da estrutura atingida — O secretário Bacellar já está vendo diretamente isso, nós também estamos em contato com o prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Toda a equipe do Estado já está na região desde a semana passada, vendo todas essas intervenções que têm que ser feitas. O que tiver que ser desobstruído, o que já foi, e algumas nós já estamos dando emergência agora, para já começar imediatamente a restauração. A gente sabe que leva uma semana, duas. A gente não pode abrir mão de atingir 100%, porque senão acontece o que a gente viu, no passado, acontecendo na Região Serrana. Mas, a gente está avançando rápido, fazendo todo o paliativo agora, que também é importante: abertura de vias, limpeza de vias, para que, dentro do mês de janeiro ainda, comecem os reparos.

Comitê de chuvas — O comitê de chuvas não é um comitê só de atender depois que aconteceu, ele é um comitê pensando no ano inteiro. Em 2020, assumi no final do ano, e nós atendemos a população no início de 2021. Em 2021, a primeira fase era limpeza de rios e contenção de encostas. Não adiantava fazer piscina, nada, com os rios que enchem totalmente assoreados. Então, tem que desassorear esses rios, cobrar os prefeitos que não deixem construir em lugar irregular. Não adianta ficar jogando a culpa toda na conta do Governo do Estado, os prefeitos têm que ter (essa responsabilidade). A maioria dos que estão hoje herdou isso, não estou falando que a culpa é do prefeito X, Y ou Z. Todos herdaram tudo construído à beira de rio. É demolir local em situação irregular, ter coragem de demolir, coragem de negar construção. E o Estado fazer uma contenção de encostas, fazer a limpeza de rios. Agora, com o Pacto RJ, todos os prefeitos estão tendo a oportunidade de mandar os seus projetos para o estado. A gente tem, hoje, R$ 17 bilhões para serem gastos. Todos os prefeitos, inclusive de situação, oposição, todos estão abertos para que mandem os seus projetos de acordo com as realidades locais, para que o Estado faça essas intervenções definitivas.

Assinatura do termo de compromisso com o Projeto Fênix, do setor produtivo de Campos e região, com apoio da Folha — Eu sou um entusiasta do desenvolvimento, principalmente do interior. Eu não me recordo de o interior ter um volume de investimento como já está tendo e como está previsto ter ao longo desse ano. As licitações já estão todas saindo. Há uma preocupação gigantesca com a legalidade. Não me lembro também de uma época com a cadeia produtiva sendo tão ouvida. Lembrando que de 60% a 70% do Pacto RJ são um programa da Firjan, chamado Canteiro de Obras, que eles encaminharam para nós. O resto é 100% o que os prefeitos estão colocando como prioridade nas suas regiões. Então, ele é um programa que ouve a cadeia produtiva, ouve os gestores municipais, faz uma atuação democrática do Governo do Estado. Tanto democrática nos projetos, tanto democrática no sentido de para onde o recurso vai, porque ele está indo para os 92 municípios, diferentemente do que foi feito até aqui. Então, eu acredito que ações como essa, em que a gente junta a cadeia produtiva, junta o gestor municipal, junta a política através dos deputados locais, a gente vai conseguir fazer o verdadeiro desenvolvimento, e não aquele que era pautado em pequenos interesses.

Ano eleitoral e pré-candidatura à reeleição — Eu vejo o processo eleitoral com muita tranquilidade. Um político muito antigo dizia que a urna é o julgamento do trabalho do gestor. Então, eu entendo que qualquer processo de eleição, e principalmente de reeleição, ele vem fazer esse julgamento do trabalho que foi feito. Então, aquele que não está no cargo tem que fazer crítica, tem que fazer oposição, tem que mostrar o que está errado. Ele tem que ficar fazendo campanha antecipada o tempo todo. Mas, àquele que está no cargo, o que resta é trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Se a população achar que aquele trabalho é bem feito, a continuidade é uma naturalidade. Papel não só meu, mas de qualquer outro. Ano retrasado teve eleição de prefeito, e nós vimos que os que trabalharam tiveram o seu processo de reeleição com tranquilidade, e aqueles que tiveram mais dificuldade não conseguiram se reeleger. Então, o papel do governador que está na cadeira, que é o meu caso, é trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Hoje, eu estou muito feliz por a gente ter conseguido fazer um processo de pacificação no Rio, que tinha uma questão política muito complicada. Hoje, eu dialogo com os 92 prefeitos, dialogo com praticamente os 70 deputados da Alerj, os 46 praticamente da Câmara Federal. Para você ver, eu dialogo, hoje, com Marcelo Freixo (PSB, deputado federal e também pré-candidato a governador). No final do ano, nós mandamos mensagem um para o outro. Aqui não tem inimigo, tem no máximo adversário, cada um no seu ponto de vista pessoal, político e ideológico, naquilo que acredita. Eu respeito muito as forças políticas e as bandeiras que não são as minhas. Eu não me acho o dono da verdade. Até por isso, o Rio hoje está crescendo, é o Estado que mais cresce na Federação, em virtude desse processo de união que a gente conseguiu implantar aqui.

Prefeito do Rio, Eduardo Paes, como a “noiva preferida” dos pré-candidatos a governador — Eu sou tão amigo da Cris, esposa do Eduardo, que eu não posso falar isso dele. Eduardo é um grande amigo, já de muitos e muitos anos. O primeiro voto da minha vida a vereador foi no Eduardo Paes, em 1996. Nós somos amigos desde essa época. O Eduardo é um político experiente, ele vai saber tomar a melhor decisão na hora certa. Acho que o Governo do Estado e a Prefeitura (do Rio) estão fazendo uma grande parceria. Só para a Prefeitura, agora, com a concessão da Cedae, são mais de R$ 5 bilhões, o que faz a Prefeitura conseguir levantar o caixa e levantar possibilidade de trabalhar. O Eduardo está vendo o que está sendo feito. É um amigo de muitos anos, que está vendo o que está sendo feito, e um político experiente. Acho que ele tem os ingredientes necessários para tomar a melhor decisão dele.

Restaurante Popular de Guarus, prometido para novembro passado — A nossa ideia já é inaugurar, durante este ano, os 26 (Restaurantes Populares) que faltam. Como eu falei, está tudo sendo licitado. São licitações complexas, é um volume muito grande de licitações. A gente tem Tribunal de Contas, Procuradoria, toda essa questão. O Pacto RJ tem uma coisa principal, que é a transparência. Então, esse processo de transparência, para que a gente não passe de novo o que passou no passado com casos de corrupção, com casos de decepção. Pior do que a corrupção é a decepção que ela causa na população. Isso, às vezes, faz a coisa demorar um pouquinho mais. Mas, é o respeito ao dinheiro do contribuinte, é o respeito à ética, que não tem que ser exaltada pelo político, mas tem que ser uma condição mínima para ele começar o trabalho.

Necessidade de visita da secretaria estadual de Saúde para liberar pagamento de seis Estratégias de Saúde da Família (ESF’s) — Vou falar com o secretário (estadual de Saúde, Alexandre) Chieppe hoje. Saúde para a gente é prioridade. Só no final do ano foi mais de R$ 1 bilhão transferido para que os municípios possam investir em atenção básica. Eu sou um fã, sou entusiasta da atenção básica. Por isso, transferi o recurso fundo a fundo, para os municípios. A gente sabe que, quando a atenção básica funciona, impacta menos nos hospitais e sobra mais recurso para que a gente possa investir mais ainda na atenção básica. Então, a atenção básica é a verdadeira solução para que a gente possa ter uma saúde pública melhor.

 

Confira no vídeo abaixo a íntegra da entrevista do governador Cláudio Castro ao Folha no Ar da manhã de hoje:

 

 

Com o dique de Barcelos rompido e a BR 356 interditada naquele trecho, confira abaixo as duas rotas alternativas entre os municípios de Campos e São João da Barra:

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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