Após Datafolha, Genial/Quaest também dá Lula no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno? Divulgada hoje, a exatos 114 dias das urnas de 2 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest reforçou essa possibilidade — que já havia sido apontada pela Datafolha do último dia 26. Pela consulta do primeiro instituto, o petista tem hoje 46% de intenções de votos na pesquisa induzida, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% do deputado federal André Janones (Avante) e 1% da senadora Simone Tebet (MDB). Os demais presidenciáveis não pontuaram. Descartados os 6% de indecisos, ou que pretendem votar em branco ou anular, Lula venceria a eleição em turno único, com 52,87% dos votos válidos.

A margem de erro da Genial/Quest é de dois pontos para mais ou menos. Feita entre os dias 2 e 5 deste mês de junho, a pesquisa ouviu 2.000 pessoas presencialmente — o que sempre gera maior confiabilidade aos resultados — em 27 estados. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03552/2022. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 16 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 24 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem bem mais que uma Minas Gerais de vantagem sobre Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

— A Genial/Quaest utilizou entrevistas presenciais, a de maior precisão e confiabilidade, entrevistando 2.000 eleitores com 16 anos ou mais em 120 municípios brasileiros. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a Genial/Quaest reproduziu a metodologia do Datafolha, porém utilizando uma amostragem um pouco menor, já que o Datafolha só trabalha com amostra acima de 2.500 entrevistados. Como a diferença entre as duas amostragens é bem pequena, as diferenças dos resultados são mínimas, tornando-se irrelevantes. Na intenção de voto para presidente na consulta estimulada, a Genial/Quaest apontou vitória de Lula no primeiro turno, com 46% no cenário mais provável, com André Janones e Simone Tebet. Ele também supera a soma de todos os demais candidatos (41%), excluindo indecisos, brancos, nulos e quem declarou que não vai votar. Assim, na análise consolidada, a Genial/Quaest aponta que, neste momento, Lula está entre a vitória e a quase vitória no primeiro turno, confirmando o Datafolha — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Se as projeções de vitória de Lula no primeiro turno não se confirmarem, a Genial/Quaest aponta que ele venceria Bolsonaro com facilidade também em um eventual segundo turno, marcado para 30 de outubro. Lá, se fosse hoje, o petista bateria o capitão por 54% a 32% das intenções de voto. Seriam 33 milhões de eleitores de vantagem. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Lula teria mais do que isso à frente de Bolsonaro no segundo turno. Nele, o ex-presidente também venceria, mas por margem ainda maior, se o adversário fosse Ciro Gomes: 52% a 25%, com 27 pontos de vantagem, ou 40,5 milhões de eleitores. Assim como a Simone Tebet, a quem o petista bateria no segundo turno por 56% a 20%, com 36 pontos de vantagem, ou 54 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Genial/Quest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 60% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Definidora da vitória do candidato Jair Bolsonaro em 2018, três anos e meio de governo Jair Bolsonaro depois, o antipetismo aparece também em 2022. Mas é suplantado de longe pelo antibolsonarismo. São 52% os eleitores brasileiros que têm mais medo da continuidade do capitão no Palácio do Planalto, contra 35% que temem mais a volta do PT ao poder. Os que temem os dois são 5%; nenhum, 2%; com 6% que não souberam responder. Embora seja menos considerada tão perto das urnas, a pesquisa espontânea revela uma eleição claramente polarizada. Sem que sejam apresentadas as opções de candidato ao eleitor, este, por conta própria, dá a Lula 32% de intenções de voto, contra 20% de Bolsonaro e 1% de Ciro.

 

 

— Na espontânea, Lula vence Bolsonaro por 32% a 20% e na rejeição, o ex-presidente apresenta 20% a menos de rejeição que o atual presidente (40% contra 60%), indicando inexistência de espaço para uma terceira via — concluiu William.

 

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