Oposição dos Bacellar engessa Orçamento em Campos e SJB

 

Prefeitos Wladimir Garotinho e Carla Caputi e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Montagem: Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir com Rafael, Bacellar com Wladimir

Vereador Igor Pereira e ex-prefeito Rafael Diniz

“Ser oposição ao governo é uma coisa, à cidade é outra. Todo governo precisa de margem de remanejamento orçamentário”. Foi o que o então deputado federal Wladimir Garotinho (hoje, sem partido) disse ao blog Opiniões em 15 de janeiro de 2020. A discussão era sobre o percentual de remanejamento que um grupo de vereadores liderados por Igor Pereira (hoje, SD), ligado ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (hoje, PL), queria impor ao então prefeito Rafael Diniz (Cidadania): de 30% a 10%. Com apoio de Wladimir, o percentual ficou em 20%. Voltou a 30% em 2022. E o grupo de vereadores dos Bacellar agora quer reduzir a 5%.

 

Recordar é viver

Campos entrou naquele ano eleitoral de 2020 sem Orçamento. A coisa só foi resolvida após o então presidente da Câmara, Fred Machado (Cidadania), aliado do prefeito Rafael, entrar em contato com o deputado Wladimir. Que orientou a bancada garotista, na oposição desde o primeiro dia da gestão anterior, a votar pelos 20%. Não nos 10% que queriam os ex-rafaelistas liderados por Igor, já aliado dos Bacellar. Deputado estadual eleito em 2018 com a ajuda de Rafael, Rodrigo apoiava naquele início de 2020 a pré-candidatura de Caio Vianna (hoje, PSD) a prefeito. Os dois romperiam pouco depois, mas hoje posam novamente como aliados.

 

Após romperem em 2020, Rodrigo Bacellar e Caio Vianna novamente aliados (Foto: Instagram de Caio Vianna)

 

Fred Machado

Advertência de Fred Machado

Desde o pleito à presidência da Câmara Municipal de 15 de fevereiro, que poderia ser marcado até dezembro e foi adiantado em erro primário do governo, a oposição mantém a maioria de 13 contra 12. Foi ela que elegeu Marquinho Bacellar (SD) presidente, em eleição anulada pela atual Mesa Diretora. Até pela união pontual com Wladimir para favorecer ao último ano do governo Rafael, Fred é o vereador que agora mais tem tentado convencer seus pares da oposição reduzir o remanejamento, dos atuais 30% a 20%. “Reduzir para 5% pode passar à população a impressão que queremos achacar a Prefeitura”, admitiu ele ontem à coluna.

 

“Votarei com o grupo”

Fred também advertiu sobre a crise institucional que o impasse pode criar. “Se a oposição tentar impor os 5% de remanejamento por maioria simples, o prefeito vai vetar. Para derrubar o veto, não temos os 2/3 necessários. Aí ficaria 0% de remanejamento ao governo e à Câmara. Se os 20% foram justos a Rafael, são justos a Wladimir. O Legislativo tem que fiscalizar, mas não chamar para si uma responsabilidade do Executivo. Também ajudaria se Wladimir ficasse quieto e parasse de provocar a oposição. Vou tentar o acordo até o último momento. Mas, se não vier, votarei com o grupo”, garantiu, endossando a unidade da oposição.

 

Presidente da Câmara de SJB, Elisio Rodrigues, e Rodrigo Bacellar no último sábado, em Barcelos (Foto: Facebook de Elísio Rodrigues)

De Campos a SJB

Apesar da iniciativa de Fred de chamar oposição e governo ao bom senso, a tentativa de tentar emparedar governos municipais não alinhados não é exclusiva de Campos. No último sábado (2), o presidente da Câmara São João da Barra, vereador Elísio Rodrigues (PL), fez da sua prestação de contas em Barcelos um evento para receber o aliado Rodrigo Bacellar em sua pré-candidatura à reeleição a deputado estadual. E, dois dias depois, o Blog do Arnaldo Neto anunciou na segunda (4) que a maioria legislativa da oposição em SJB quer impor à prefeita Carla Caputi (sem partido) o mesmo limite de remanejamento de 5%. Lá, atualmente, são 40%.

 

Presfeitas de SFI, Francimara Barbosa Lemos, e de Quissamã, Fátima Pacheco

E SFI e Quissamã?

Campos tem 25 vereadores e maioria mínima da oposição de 13 a 12, comandada pelos Bacellar. SJB tem 9 vereadores e maioria mínima da oposição de 5 a 4, aliada dos Bacellar. E, nos dois municípios vizinhos, seus prefeitos têm a mesma espada dos 5% de remanejamento orçamentário balançando sobre o pescoço. Para se ter elementos também vizinhos de comparação, em São Francisco de Itabapoana, a prefeita Francimara Barbosa Lemos (SD) tem 12 dos 13 vereadores, com 40% de remanejamento. Em Quissamã, a prefeita Fátima Pacheco (PSD) tem 9 dos 11 vereadores, com os mesmos 40% de remanejamento.

 

O que é remanejamento?

A questão do remanejamento orçamentário pode até parecer complexa. Mas, como exemplificada pela bancada do programa Folha no Ar de 17 de maio, quando o entrevistado foi o vereador Marquinho Bacellar, é relativamente simples. Remanejamento é o seguinte: na reforma da sua casa, o sujeito orçou gastar 2X na sala e 1X no banheiro. No correr da obra, a sala saiu por 1,7X, enquanto a do banheiro estourou o orçamento. No caso do prefeito, ele pega esses 30% que sobraram de um lugar e remaneja a outro. Com 5%, só poderia usar os 25% restantes da sala na reforma do banheiro com autorização da Câmara.

 

Ex-presidente Lula, presidente Jair Bolsonaro e presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Da planície ao Planalto

Ganhe Lula (PT) ou Jair Bolsonaro (PL) nas urnas presidenciais de outubro, quem conhece política para além da torcida tem pouca dúvida em quem de fato manda e quer continuar a mandar no Brasil: o Centrão do atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL). Mesmo que todas as pesquisas se confirmem e seu aliado Bolsonaro perca, Lira já articula não só para tentar se reeleger presidente da Câmara em fevereiro, como o controle do Orçamento Secreto em 2023, que já tem destinados R$ 19 bilhões do dinheiro público. No Mensalão em 2003 e 2004, dois primeiros anos dos oito do governo Lula, foram movimentados R$ 101 milhões.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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