Morre Luiz Carlos Pontes França, ex-diretor da Folha

 

Com Dora Paula Paes, Matheus Berriel e Mario Sergio Junior

 

Luiz Carlos Pontes França (Foto: Kid Soares)

Morreu por volta das 6h da manhã de hoje, no Hospital das Clínicas de Niterói, Luiz Carlos Pontes França, aos 75 anos. Seu corpo será velado e depois cremado, a partir das 10h15 da manhã deste sábado (16), no Cemitério Parque da Colina, também em Niterói. França, como era mais conhecido, deixa a esposa Paula, o filho Pedro e a neta Alice. Ele foi diretor da Folha da Manhã, um pouco depois da sua fundação em 1978, até o final dos anos 1990. Depois trabalhou por cerca de 15 anos no marketing da Unimed-Campos e outros oito anos na Fundação Benedito Pereira Nunes, mantenedora do Hospital Escola Álvaro Alvim e Faculdade de Medicina de Campos.

Resindentes em Campos, França estava com a esposa Paula desde 24 de junho na cidade do Rio de Janeiro. Tinham ido visitar o filho Pedro e a neta Alice, de 3 anos. No dia 29, ele começou a sentir fortes dores nas costas, sendo internado no Hospital das Clínicas de Niterói. Inicialmente foi diagnosticada uma anemia profunda, sendo depois descoberta uma massa considerável na altura do seu pescoço, que se supõe ser um câncer. Ele foi internado na UTI do hospital três vezes. Na última, após ser entubado, seu quadro era considerado desde ontem (15) clinicamente irreversível. O que, infelizmente, veio a se confirmar na manhã de hoje. O mais importante, segundo a esposa, é que “França partiu com toda a assistência médica e sem nenhuma dor”.

 

Paula França

— Muito inteligente, culto, autodidata brilhante, um grande companheiro nestes 53 anos de casados, uma pessoa muito especial. Conheci França quando tinha 17 anos, hoje estou com 70. Antes da Folha, ele trabalhou como marceneiro e teve escritório de publicidade. Era meio fechado, mas ao mesmo tempo adorava bater papo, que pontuava com tiradas sarcásticas, ácidas. Mas não guardava rancor e nunca falava mal de ninguém. Ele sempre dizia: “não posso perder as minhas mãos, pois elas são o meu ganha pão”. E com as suas mãos desenhou com o mesmo talento móveis, imóveis, campanhas publicitárias. Levou a vida que quis levar, bebeu todas, gostava muito de viver — testemunhou Paula França sobre o marido falecido.

 

Diva Abreu Barbosa

— França ajudou a fundar a Folha, era um grande artista gráfico. Fez toda a campanha de abertura da Folha. Ficou bastante tempo aqui, chegou a ser diretor, e, mesmo depois que saiu, continuou amigo. Tanto é que, nos 40 anos da Folha, ele foi um dos ex-diretores que fizeram parte da escolha da logomarca comemorativa. Resumindo, ele é Folha de coração. Ajudou o jornal a nascer, foi seu criador também. As pessoas nobres não deveriam morrer nunca! Vá em Paz, companheiro de tantas jornadas na Folha e na Vida! Meu abraço fraterno à sua forte companheira Paula e ao seu filho Pedro! Que Deus esteja convosco! — disse Diva Abreu Barbosa, diretora do Grupo Folha.

 

Cláudio César Soares

— O chamava de Seu Francinha. Era inteligente e gentil. Seu papo variado atraía ouvintes atentos e encantados. Com sua verve de artista gráfico de extremo bom gosto, seus traços mudaram a história do grafismo de Campos e deixaram marca eterna na Folha da Manhã. Vai encantar o Céu com suas histórias — falou Cláudio César Soares, publicitário e ex-diretor da Folha.

 

Márcio Sidney

— O passamento de Luiz Carlos Pontes França deixa uma enorme lacuna entre nós, que demandará muito tempo para ser absorvida.
Possuidor de inúmeros saberes e raro senso de humor, Francinha é um amigo singular, de rara inteligência, sempre em busca de novos conhecimentos e aprendizados. Um insaciável apreciador das artes e da cultura, as quais mantinha em constante atualização.
A sua amizade fraterna, leal, sadia e sincera deixa em nós uma grande marca registrada. Trabalhamos juntos nos últimos 25 anos seguidos. França foi o carro-chefe do marketing da Unimed-Campos durante os 16 anos em que respondi pela presidência. Cumprida esta etapa, ingressamos imediatamente depois na Fundação Benedito Pereira Nunes, onde Luiz Carlos França foi o chefe do setor de comunicação e marketing ao longo dos últimos 9 anos. E de onde também saímos juntos há seis meses, após cumprida mais essa missão. Já estou com uma imensa saudade deste meu grande amigo e irmão do coração. À querida Amiga Paula, ao filho Pedro e à neta Alice, a minha solidariedade, o enorme pesar e o compartilhamento da dor. Descanse em paz, amigo França! Que Deus o receba para a Vida Eterna no Reino dos Céus! — contou Márcio Sidney, médico e ex-diretor da Unimed-Campos.

 

Márcia Angela

— França foi meu colega de Liceu. Nós estudamos juntos, e ele sempre gostava muito de desenhar, estava sempre desenhando, com um traço muito bonito. E depois a gente se encontrou na Folha da Manhã, onde ele era um dos diretores da casa. Ele sempre com aquele jeito dele, quieto, observando, mas brincalhão, tinha umas tiradas engraçadas. Sempre gostei muito dele. Participei de festas animadas na casa dele, com grupo da nossa época. França foi uma pessoa importante, que também marcou a minha vida desde a juventude, no Liceu de Humanidade de Campos – recordou Márcia Angela, jornalista e colunista da Folha da Manhã.

 

Saulo Pessanha

— A minha relação com França começou no princípio dos anos 1970, quando ele integrou um grupo de colaboradores do (hoje extinto) jornal A Notícia, do mestre Hervé Salgado Rodrigues, e eu estava lá, atuando como repórter. Desenhista de mão cheia, França foi o responsável por um mural no Bar Doce Bar, sob o nosso comando, que pontuou à época na noite de Campos. Profissionalmente, reencontrei França anos depois, ele fazendo parte dos quadros de diretores da Folha da Manhã, e eu atuando na redação. Recebo com pesar o seu passamento. Muita luz para ele e sua família!” – disse Saulo Pessanha, jornalista e colunista da Folha da Manhã.

 

Genilson Soares

— Conheci o Luiz Carlos França em 1980, quando eu colaborava com a Folha da Manhã. E ele sempre foi motivo de inspiração. Na época, tinha o suplemento infantil A Folhinha, com ilustrações de e para crianças. Eu já conhecia o trabalho de França e passei a lidar diretamente com ele. Posteriormente, na publicidade, sempre trocávamos informações. Sempre tive admiração pela pessoa e pelo artista que ele foi — disse Genilson Soares, publicitário e artista plástico.

 

Ricardo André Vasconcelos

— Me uno aos amigos, parentes, especialmente a Paula, neste momento difícil em que oramos por uma passagem tranquila para o França, com quem convivi em várias de minhas passagens pela Folha, eu como repórter e depois editor, e ele, como diretor. Para mim, França sempre foi muito “na dele”, quase distante. Mas nos aproximamos nos primórdios da informatização da Folha. A coluna quase sagrada do jornalista Carlos Castello Branco, que a Folha publicava junto com o Jornal do Brasil, chegava à Redação via telex. Com a informatização incipiente, o texto do justificadamente festejado Castelinho, passou a ser enviado à redação por um complexo e quase incompreensível sistema de comandos e códigos, via o pioneiro computador que ficava na sala dele (França). Bastava seguir a sequência quase interminável para o qual só Luiz Carlos França fora treinando. Um belo dia, por ter uma viagem de férias pela frente, França me escolheu para transmitir os secretos códigos para receber a sagrada coluna do Castello. Tarefa que exerci com orgulho, por duas semanas, com o desesperado medo do insucesso. Anos depois, em mais um interregno de minhas vivências na Folha, foi França quem me ajudou a montar meu primeiro PC (Personal Computer), um 386, hoje jurássico. Acho que ainda tenho o orçamento desta minha primeira aventura pelo mundo da informática  com a caligrafia dele. Que Deus, em sua infinita bondade, lhe permita uma boa passagem e conforte o coração de Paula, parentes, amigos e admiradores — testemunhou Ricardo André Vasconcelos, jornalista e advogado.

 

Jane Nunes

— Ah, meu Deus! Eu perturbava tanto ele para me deixar colocar um “macarrão”, como chamávamos a página avulsa de jornal, nas edições que tinham muitos assuntos. E ele, sempre tão paciente, falava “vamos ver com o comercial”, mas nunca negou. Tinha uma visão ampla do jornal, das notícias . Que dor! — lamentou Jane Nunes, jornalista.

 

Sérgio Cunha

— Nossos sentimentos à esposa Paula, ao filho Pedro. França foi colega com quem tive a honra de trabalhar, era profissional de talento e uma pessoa de humor e inteligência fina. E era uma presença em nossa família: amigo, colega e irmão de meu pai, José Cunha, trabalhamos ainda eu e meu irmão, Marcus, com o Francinha. Deus conforte a todos da família e amigos — desejou Sérgio Cunha, jornalista e secretário de Comunicação de Campos.

 

 

Wellington Cordeiro

— Trabalhei com França na assessoria de comunicação da Fundação Benedito Pereira Nunes e realmente era uma pessoa muito especial. Dono de uma memória privilegiada e de conhecimentos de cultura geral impressionantes. Com ele aprendi muito, seja seriedade no trabalho, ou descontração na mesa de bar. Tinha um gosto musical, gastronômico e etílico apuradíssimo. Se associou à Associação de Imprensa Campista, a meu convite, e logo aceitou fazer parte da chapa na minha eleição, no Conselho Fiscal. A tristeza desse momento se justifica pela falta que ele fará — disse Wellington Cordeiro, jornalista e presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC).

 

 

— A Associação de Imprensa Campista registra com profundo pesar, o falecimento do Conselheiro Fiscal da Associação de Imprensa Campista, Luiz Carlos França, aos 75 anos. França estava internado no Hospital das Clínicas de Niterói, onde veio a falecer às 6h da manhã desta sexta-feira (15). Ele foi diretor do jornal Folha da Manhã e atuou cerca de 16 anos no Setor de Marketing da Unimed-Campos. Finalizou sua carreira como assessor de comunicação da Fundação Benedito Pereira Nunes, entre os anos de 2013 e 2021. Seu corpo será cremado neste sábado no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. A AIC expressa solidariedade e as mais sinceras condolências a seus familiares e amigos — registrou em nota oficial a Associação de Imprensa Campista.

 

 

José Cunha Filho

— Era para ser a “Navalha de Ockam”. Tal como preconizam os monges cartuxos. Simples, rápida, direta e objetiva. Assim se procede uma informação correta. Não dá. Meu amigo Luiz Carlos Pontes França, o querido Francinha, morreu no quarto de UTI de um hospital em Niterói. Atendi o telefone na sexta, cedo ainda, crente de que falaria com Dom Luiz, como o chamava Marcio Moreira Alves, outro amigo de ontem. Mas, não era ele, era o Pedro, seu filho e meu aprendiz de xadrez quando tinha ainda 6 anos. Com a voz embargada, Pedro me disse que o Dom Luiz estava à morte, vítima de uma doença parida por algum monstro como o câncer ou ataques hemofílicos. Caí do chão ou no chão, lá sei, minha mulher me ergueu e me consolou. E eu fiquei órfão da presença/ausência do amigo/irmão. Dom Luiz encantou-se de repente. Possa que tenha tomado carona na lua cheia e bela, viaje rumo ao infinito, em paz. Sim, em paz, diz o Pedro, chorando, que ele parece dormir, calmo e tranquilo. Há muitas moradas na casa do Pai, falam as Escrituras. Mas, poderiam ter permitido que ele gozasse mais um pouco deste louco país e alucinado planetinha azul que marcha para a extinção a galope. Êi, Francinha! Dá para degustar, entre as constelações reveladas pelo James Webb um gole de Periquita, que nem o bebido por nós num restaurante de Grussaí?Aproveite, exija o da melhor safra dourada pelo sol português e brindemos que é boa a vida, boa deve ser a sua viagem também, que você é merecedor, artista, poeta, ilustrador, bom conversador e se bobear até mesmo, se lhe dessem chance, convenceria a “indesejada das gentes” a lhe dar mais um tempinho a ser compartilhado com a gente aqui. Náufragos que somos. Somos todos. Órfãos de sua presença, amigo! Esteja em paz, Francinha! — escreveu José Cunha Filho, jornalista.

 

 

Ana Helena Ribeiro Gomes

— Amanheço mais pobre. Menos amizade, menos brindes. Perco também um pouco da memória de décadas, sem ter a quem recorrer por lembranças, datas, acontecimentos. Dom Luiz, nome cunhado pelo poeta Thiago de Mello diante da fidalguia de Luuiz Carlos França fala bem do seu refinado humor, aponta para seu gosto pela cozinha, a casa sempre impecável, as flores e as cores espalhadas. Nossa navegação pelo Amazonas, a travessia de quatro baías de águas avassaladoras, dias até chegar a Belém dormindo em rede e comendo a comida de bordo, no terceiro dia da viagem, já mais acostumado voltou do almoço no andar de baixo da embarcação. Diante da estrada do infinito que meu amigo tomou, urge evocar a arte de perder, poema da inglesa Elizabeth Bishop que fala da sensibilidade que exigem os vazios. Já os ganhos podem ser espalhafatosos e costumam ser alardeados. Perder é arte. Luz no portal, Dom Luiz! Vou fazer um réquiem em sua homenagem —testemunhou Ana Helena Ribeiro Gomes, jornalista.

 

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Este post tem um comentário

  1. França, grande amigo, uma pessoa de extrema sensibilidade e que me ensinou muito nos meados dos anos 90, quando nos tornamos sócios para montar um negócio de edição informatizada para diversos veículos de propaganda. Aprendi a admirá-lo pela facilidade na elaboração de textos escritos ou desenhados. Naquela época o França já era um grande design digital usando apenas um lápis e uma folha de papel. Fica aqui meu respeito e admiração pelo grande amigo.
    Desejo a Paula e Pedro que Deus conforte seus corações. Com toda certeza ele evoluiu para um plano superior.
    Carlos Ramiro Pessanha

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