O que a aliança Castro/Garotinho muda em Campos?

 

Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Marquinho Bacellar, Frederico Paes, Washington Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Castro/ Garotinho/Campos (I)

O que o apoio do ex-governador Anthony Garotinho (União) ao governador Cláudio Castro (PL), na convenção estadual do União de domingo (31), muda entre o governo Wladimir Garotinho (sem partido) e a oposição em Campos, comandada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL)? Pelo visto, ninguém ainda sabe direito. Na sessão de ontem (2) da Câmara Municipal, o edil Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo disse: “Dou minha palavra e de Rodrigo, se houver acordo entre Castro e Garotinho, ele (Rodrigo) deixa o governo (Castro). Se Rodrigo fizer acordo com Garotinho, eu chuto meu irmão e deixo meu mandato”.

 

Castro/Garotinho/Campos (II)

Após fazer pesados ataques a Castro, Garotinho surpreendeu ao abraçá-lo no domingo. O constrangimento dos dois era visível. Tanto que foi alvo da mídia nacional. Em Campos, especula-se que o apoio poderia arrefecer a intenção da oposição de reduzir o remanejamento de Wladimir no Orçamento de 2023, dos atuais 30%, para apenas 5%. Como na composição da nova Mesa Diretora da Câmara, na qual Marquinho chegou a ser eleito presidente no último dia 15 de fevereiro. O pleito foi depois anulado pela atual Mesa, mas a oposição ainda detém a maioria dos votos. E nada indica que isso vá mudar até dezembro, limite para a eleição.

 

Castro/Garotinho/Campos (III)

Após o pai no domingo, na segunda (1) Wladimir também foi ao Rio se encontrar e posar para foto com Castro. E com o candidato a vice na chapa de reeleição do governador, Washington Reis (MDB). Ex-prefeito de Duque de Caxias, ele talvez seja a principal figura na reaproximação entre Castro e os Garotinhos. Aliado destes, Reis rivaliza com Rodrigo uma briga interna no poder estadual. Em que tinha sido derrotado com o irmão Rosenverg Reis (MDB) na eleição a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Vencida pelo deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), na paga por antes ter perdido a secretaria estadual de Governo para Rodrigo.

 

Castro/Garotinho/Campos (IV)

Não é preciso entender de política para constatar a diferença na expressão constrangida de Castro e Garotinho no domingo, com o alívio das expressões na segunda do mesmo Castro, de Reis e de Wladimir. Que, na noite do mesmo dia, foi nominalmente lembrado pelo jornalista da Globo News André Trigueiro, no telejornal Em Pauta das 20h, como o principal motivo para o giro de 180º do pai em relação a Castro. Que na segunda convidou o prefeito de Campos para, junto com o de Macaé, Welbert Rezende (Cidadania), coordenar a campanha de reeleição do governador em todo o Norte Fluminense e parte do Noroeste.

 

Castro/Garotinho/Campos (V)

Junto com Wladimir, Castro e Reis, estiveram também no Rio o deputado estadual Bruno Dauaire (União) e o vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Todos ouviram o que foi acordado entre o governador e o prefeito. Este, no entanto, não quis adiantar. Na manhã de ontem, se limitou a dizer ao blog Opiniões: “Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele”. Vale lembrar, no entanto, que quando foi vereador carioca, mesmo sendo de oposição ao então prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), Castro votou contra seu engessamento no remanejamento orçamentário.

 

Castro/Garotinho/Campos (VI)

Helinho Nahim

Outro vereador de oposição, além de primo de Wladimir e sobrinho de Garotinho, Helinho Nahim (Agir) adiantou na manhã ao blog Opiniões a toada da sua fala na sessão da tarde: “Falei ontem (na segunda) por telefone com o nosso líder, o deputado estadual Rodrigo Bacellar. E orientação dele foi de que nada mudou na Câmara. O que tem que mudar é a maturidade do prefeito. Rodrigo disse que Castro não esperava o apoio de Garotinho e ficou até constrangido”. Wladimir respondeu: “Quanto às palavras do vereador Helinho Nahim, quem precisa de maturidade é ele, que ainda não entendeu que não vou ceder à chantagem”.

 

Castro/Garotinho/Campos (VII)

A tréplica de Helinho viria na tribuna da Câmara: “O acordo do ex-governador nada passa por esta Câmara. Em meu nome, dos colegas vereadores e de Rodrigo Bacellar. Se é que tem acordo, passa pela vergonha na cara e lavar a boca de falar o que falou. Seja homem (Wladimir) como há muito tempo não é. Se for homem, fale qual é a chantagem. Se realmente falou, seja homem para dizer. Ou vai dizer que o jornalista errou? É afirmação: seja homem ou coloque o rabinho entre as pernas e peça desculpa”. Diante do jornalista que ouviu ele e o primo prefeito, Helinho é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, no início da manhã de hoje.

 

Castro/Garotinho/Campos (VIII)

Fred Machado

A unidade dos 13 vereadores de oposição que deram a vitória a Marquinho na eleição anulada a presidente da Câmara pode ser atestada por seu nome mais equilibrado. Fred Machado (Cidadania) admitiu à coluna no dia 6: “Reduzir para 5% pode passar a impressão que queremos achacar a Prefeitura”. Ainda assim, reforçou seu compromisso: “Se os 20% foram justos a Rafael (Diniz, no Orçamento de 2020), são justos a Wladimir. Também ajudaria se Wladimir parasse de provocar a oposição. Vou tentar o acordo até o último momento. Mas, se não vier, votarei com o grupo”. O fator Castro/Garotinho ainda não estava na equação. A ver…

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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