Prefeito 2024 e reitor da Uenf 2023 no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra é o convidado do Folha no Ar desta quarta (22), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), que rendeu na quarta passada (15) a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) na Câmara Municipal.

Roberto também analisará a pesquisa GPP de março sobre Campos, projetando as urnas de 2024 a prefeito da cidade, além das de 2023, na eleição a reitor da Uenf. Por fim, falará da ascensão de Rodrigo à presidência da Alerj, e dos governos estadual Cláudio Castro (PL) e federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Paz entre Bacellar e Garotinhos no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de Campos, aliado político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) e primo do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), Helinho Nahim (Agir) é o convidado desta terça (21) do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a reunião da qual participou no Rio de Janeiro na terça passada (14), que na sessão de quarta (15) da Câmara Municipal concretizou a pacificação entre Garotinhos e Bacellar, com o seu voto e a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha (União).

Helinho analisará também a pesquisa do Instituto GPP de março sobre Campos, com vistas ao pleito municipal de 2024, e o governo de Wladimir. Por fim, analisará também as gestões do governador Cláudio Castro (PL) no RJ e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no país.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Com 55% de aprovação de governo, Wladimir lidera a 2024

 

Wladimir, Caio, Marquinho, Thiago, o PT e CVC pela pesquisa do Instituto GPP (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O governo Wladimir Garotinho (sem partido) é aprovado pela maioria da população campista. E, se o pleito municipal de 2024 fosse hoje, o prefeito de Campos seria reeleito, talvez ainda no primeiro turno. Seu possível adversário mais competitivo, a pouco mais de 18 meses das urnas, é o mesmo que disputou com ele o segundo turno em 2020: Caio Vianna (PSD). Este foi o cenário goitacá retratado pela pesquisa do Instituto GPP entre 10 e 12 de março, com 600 eleitores do município e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. O contratante foi o próprio instituto.

AVALIAÇÃO DE GOVERNO E INTENÇÃO DE VOTO ESTIMULADA — Hoje, Wladimir tem sua gestão considerada ótima (21,7%) ou boa (33,8%) por 55,5% dos campistas, enquanto 34,8% a consideram regular e outros 8,8%, ruim (3,3%) ou péssima (5,5%), com 0,9% que não souberam ou não responderam. Quanto às intenções de voto para 2024, na pesquisa estimulada, com a apresentação dos nomes ou referências dos possíveis candidatos, o prefeito liderou com 50,4% (61,4% dos votos válidos). E veio seguido por Caio, com 18,1% (22% dos válidos); o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), com 5,8% (7,1% dos válidos); o deputado estadual Thiago Rangel (Podemos), com 2,9% (3,5% dos válidos); o “Candidato do PT”, com 2,6% (3,2% dos válidos); e o suplente de vereador Carlos Victor Carvalho (Republicanos), ou “CVC da Direita Campos”, com 2,3% (2,8% dos válidos). Os que declararam votar nulo ou em nenhum desses nomes, foram 9,7%. Outros 8,2% não souberam ou quiseram responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

PESQUISA ESPONTÂNEA — No ano eleitoral, sobretudo após as convenções e definições de chapa, conta mais a consulta estimulada. A pouco mais de 1 ano e seis meses para a eleição, no entanto, ainda pesa muito a pesquisa espontânea, na qual o eleitor revela sua intenção de voto sem apresentação de nomes. E, nela, o prefeito hoje lidera com 38,6%; seguido de longe por Caio, com 2,7%; pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), com 1%; o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), com 0,9%; a ex-prefeita de São João da Barra deputada estadual, Carla Machado (PT), com 0,6%; e o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), e o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), com os mesmos 0,4% cada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELEIÇÃO ABERTA — Após quase ter ultrapassado Rafael na eleição a prefeito de 2020, sendo a revelação daquela disputa, a Professora Natália (Psol) registrou 0,2% de intenções de voto na consulta espontânea de março de 2023. Os que declararam votar nulo ou em nenhum nome foram 7,7%. Enquanto outros 46%, quase metade do eleitorado, ainda não souberam ou não quiseram responder. O que ressalta o óbvio: a pouco mais de um ano e seis meses da urna, a eleição de outubro de 2024 ainda está completamente aberta.

GOVERNOS WLADIMIR X ARNALDO — A liderança de Wladimir com mais de 32 pontos de vantagem sobre Caio na consulta estimulada (50,4% das intenções de voto contra 18,1%) se dá pela boa avaliação do atual governo de Campos. Entre os 50,4% dos campistas que votariam na reeleição do prefeito, a maior parte, ou 27,6% deles, o faria respondendo “boa administração, bom gestor, melhor que os anteriores”. Já entre os 18,1% das intenções de voto de Caio, a maior parte, ou 29,1%, não soube ou não respondeu. Já outros 28,4% votariam por gostar do seu pai, Arnaldo Vianna, e dos dois governos deste em Campos, entre 1997 e 2004.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CONHECIMENTO — Além da boa avaliação do seu governo, a liderança de Wladimir com quase 36 pontos de vantagem sobre Caio na consulta espontânea se dá porque o prefeito é também o mais conhecido entre os possíveis candidatos a prefeito em 2024. Na pesquisa GPP deste mês de março, 81,1% da população afirma “conhecer muito bem” Wladimir, enquanto 18,6% conhecem só “de ouvir falar” e apenas 0,3% afirma ainda “não conhecer”. Entre os demais nomes do levantamento, 55,1% do eleitorado “conhece muito bem” Caio; 35,9%, Marquinho Bacellar; 25,7%, Thiago Rangel; e, apenas 9%, CVC da Direita Campos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

IMAGENS POSITIVA E NEGATIVA — O maior desconhecimento do eleitor sobre os possíveis adversários eleitorais do atual prefeito, em tese, revela também um terreno mais amplo a ser explorado. Como foi, por exemplo, pela campanha do até então desconhecido governador Cláudio Castro (PL) em 2022. Só que, além de ter a máquina na mão, como Castro teve no ano passado, Wladimir lidera também na questão da imagem, que é positiva para 69,7% dos campistas. A de Caio é positiva a 48,2%; de Marquinho, a 33%; de Thiago, a 26,3%; e de CVC, a 5,9%. Em medição análoga à rejeição, Caio lidera a imagem negativa, com 24,3%. E é seguido de Wladimir, com 18,4%; de Marquinho, com 17,7%; de Thiago, com 11,3%; e de CVC, com apenas 7%. Entre estes três últimos, as imagens negativa e positiva são relacionadas ao conhecimento do eleitor sobre cada um.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

HOMOGENEIDADE — Daqui até outubro de 2024, a maior dificuldade que os eventuais adversários de uma tentativa de reeleição de Wladimir devem enfrentar é a homogeneidade da boa avaliação do governo de Campos e das intenções de voto do atual mandatário:

— De acordo com o cadastro eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), distribuição que foi reproduzida pela GPP, o que atesta a qualidade do seu levantamento, 49,1% do eleitorado campista tem 45 anos ou mais de idade e 53,8% são mulheres. Mas a pesquisa revela uma distribuição relativamente homogênea da intenção de voto em Wladimir, que aparece sempre com a preferência entre 40% e 60% do eleitorado em suas diferentes faixas. Mesmo a 1 ano e 6 meses da urna, a boa avaliação até aqui do governo, a forte percepção de bom gestor e o controle da máquina fazem do filho mais velho de Rosinha e Anthony Garotinho, dois ex-prefeitos e ex-governadores, o pré-candidato mais competitivo neste momento para a eleição de outubro de 2024 — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Publicado hoje da Folha da Manhã.

 

Apoio de Rodrigo aprova contas de Rosinha a Wladimir

 

Wladimir só aprovou as contas de Rosinha de 2016 em 2023 poque Rodrigo honrou sua palavra na pacificação (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Contas de Rosinha e pesquisa GPP

A semana foi boa ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido). Com o apoio do presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), e do governador Cláudio Castro (PL), ele conseguiu os 17 votos que precisava para aprovar na Câmara Municipal as contas de 2016 da sua mãe, a ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), na sessão da última quarta (15). No mesmo dia, ficou pronta a pesquisa do Instituto GPP, feita em Campos entre os dias 10 e 12. Que registrou a aprovação da maioria dos munícipes ao governo e uma folgada liderança de intenções de voto na provável tentativa de reeleição em 2024, com possibilidade de definição em turno único.

 

Bode na sala

Para aprovar as contas de Rosinha, como o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) tinha sido pela reprovação, Wladimir precisava de 2/3 da Câmara. Ou 17 vereadores, quatro a mais do que a maioria mínima de 13 que hoje tem o governo. Com a reprovação das contas na Legislatura passada, mas anulada no primeiro biênio da atual, recolocá-la na pauta é uma prerrogativa do presidente da Casa, Marquinho Bacellar (SD). Que o fez para pôr o bode na sala, depois que a negociação da pacificação entre Wladimir e Rodrigo, com endosso de Castro, empacou na negociação de espaços para a oposição no governo municipal.

 

Impasse

Como tinha a maioria que o elegeu presidente, Marquinho queria dar ao seu grupo o direito de escolha dos vereadores que ocupariam os espaços. Enquanto o grupo dos Garotinho não aceitava que fossem aquinhoados no governo vereadores como Maicon Cruz (sem partido), que traiu a situação e definiu a vitória da oposição na eleição da Mesa Diretora; ou de Anderson de Matos (Republicanos), por seus ataques mais fortes na tribuna. Nem que Raphael Thuin (PTB) saísse da cadeira de vereador, por exemplo, para dar vaga ao suplente Cláudio Andrade (PTB), que se marcou na vereança passada pelos ataques a Rosinha.

 

Jogo invertido e aposta dobrada

O impasse piorou quando os vereadores Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante), insatisfeitos com o espaço na oposição após ajudarem a eleger Marquinho presidente, negociaram em separado com o governo. A quem deram a maioria mínima de 13 a 12, invertendo o jogo. Nildo ainda confirmou da tribuna que a oposição negociava espaços no governo. Marquinho usou as contas de Rosinha para dobrar sua aposta. Que perdeu, com o apoio de Rodrigo a Wladimir. E os votos pela aprovação de quatro edis da oposição: Helinho Nahim (Adir), Bruno Vianna (PSD), Luciano Rio Lu (PDT) e Marquinho do Transporte (PDT).

 

Ironia do destino

Ao cobrar a aprovação das contas de Rosinha, logo no início de 2021 e do governo Wladimir, em reunião com os vereadores governistas de uma base então mais ampla, o ex-governador Anthony Garotinho (União) começou a gerar descontentamentos. Que redundaram, com outros erros políticos do governo, na vitória da oposição na eleição da nova Mesa Diretora da Câmara. E, numa ironia do destino, foram novamente as contas de Rosinha, agora aprovadas, que fizeram Marquinho atender involuntariamente o desejo de Garotinho. Sem combinar, mas na base do mesmo é tudo ou nada, a aposta perdida por um cobriu a aposta perdida do outro.

 

A lição do contexto

Um dos maiores erros do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e seus principais assessores foi supor que a vitória em turno único de 2016 foi deles, não de um contexto. E, do antigarotismo que souberam surfar, ajudaram a eleger Wladimir Garotinho em 2020. O jornalista e escritor Elio Gaspari relatou que o general Golbery do Couto e Silva disse a um interlocutor, em 1979, ao ver o colega João Batista Figueiredo subir a rampa do Palácio do Planalto todo pimpão para tomar posse como nosso último general/presidente: “Olha lá, está achando que é ele. Esqueceu que é só fruto de um contexto”. Do Planalto à planície, a lição é valiosa. E presente.

 

Pesquisa GPP (I)

No contexto presente, a pesquisa GPP sobre avaliação de governo de Campos e intenções de voto para 2024 confirmou o que esta coluna adiantou desde 1º de março: se a eleição fosse hoje, Wladimir seria favorito a se reeleger. Só que é daqui a pouco mais de 18 meses. Nos quais vale a advertência do falecido conservador Marco Maciel, que foi governador biônico (nomeado) da ditadura militar em Pernambuco, antes de se eleger democraticamente duas vezes vice-presidente aos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002: “Tudo pode acontecer, inclusive nada”. Entre tudo e nada, a paz entre Rodrigo e Wladimir.

 

Pesquisa GPP (II)

“Wladimir apareceu com 38,6% das intenções de voto na consulta espontânea, subindo a 50,4% na estimulada. Que evidencia Caio, adversário de Wladimir no segundo turno de 2020, como a segunda maior força eleitoral do município, com a preferência de 18,1% do eleitorado. Marquinho Bacellar (5,8%), Thiago Rangel (2,9%), um possível candidato do PT (2,6%) e Carlos Victor Carvalho (CVC), o líder do Movimento Direita Campos (2,3%) aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 4 pontos para mais ou para menos”, resumiu a ópera William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Sérgio Cabral encerra a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-governador do estado do Rio, o jornalista Sérgio Cabral Filho é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta sexta (17), na Folha FM 98,3. Ele falará das suas condenações por corrupção, dos seis anos de prisão, da recente liberdade condicional e do afastamento do juiz federal Marcelo Bretas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Cabral também analisará a sucessão do poder no RJ, o governo Cláudio Castro (PL), a ascensão do deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (PL) na Alerj que ele também presidiu e a Campos sob o governo Wladimir Garotinho (sem partido). Por fim, falará do Brasil pós-Jair Bolsonaro (PL) e no novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Silvana Siqueira lança seu primeiro livro nesta terça

 

Silvana Siqueira lança nesta terça “o outro lado de mim”, seu primeiro livro de poesia

“Sou muitas num só lugar/ Sou única em meu existir/ Sou todas que precisam gritar”. Nestes três últimos versos do poema “Conflito” talvez esteja a melhor autodefinição de Silvana Siqueira, como mulher e poeta. Jornalista formada e professora de Português, especializada em revisão, após graduação também em Letras, ela lança às 19h desta terça (14), na Santa Paciência Casa Criativa, seu primeiro livro “o outro lado de mim”. O título é o primeiro verso do poema “Metades”, que compõe a publicação integralmente dedicada à poesia.

Dedicado aos três filhos, Juliana, Rodrigo e Beatriz, o livro é assumidamente motivado pela condição de avó de Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz. “Nunca tive a pretensão de publicar um livro ou me tornar escritora. Mas senti a necessidade de reunir o que escrevo nos últimos 40 anos, desde que me formei em jornalismo nos anos 1980. Para que meus netos possam conhecer integralmente sua avó, achei importante não deixar isso se perder entre cadernos e agendas”, explicou Silvana.

Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz merecem um poema cada, logo ao começo do livro. Que é aberto com prosa poética “Netos”, baseado numa brincadeira na qual a avó escolhe uma palavra para os netos darem sinônimos: “Bela – bonita/ Feliz – contente/ Velha – vovó Sissil…”.

Orgulhosa dos netos, a sinonímia com “velha” aos olhos destes não compõe nenhum anacronismo à condição sensual feminina. Que é exposta, entre outros, no poema “Assim,”: “Com a gente é assim/ Seu corpo no meu/ Colado/ Melado,/ Mel (…) Basta você olhar pra mim/ que eu fico/ Apaixonada/ Alucinada,/ A fim”.

Avó, mãe e mulher, a poeta não é dada ao “Claustro”. É o título do poema em que prega: “Minha mudez rasga os segredos guardados/ nos livros sagrados./ A inquisição não me cala!/ Minha voz é a chave de acesso à liberdade./ Grito e me exponho./ Incendiada, não queimo./ Sobrevivo/ naqueles que rompem o silêncio/ Livres de qualquer temor”.

Patrícia Rehder Galvão, Pagu

Os versos de Silvana parecem ecoar os de Rita Lee, que se recupera de um câncer, e Zélia Duncan, na música “Pagu”, mais famosa na voz de Maria Rita: “Mexo, remexo na inquisição/ Só quem já morreu na fogueira/ Sabe o que é ser carvão/ Eu sou pau pra toda obra/ Deus dá asas à minha cobra/ Hum! Hum!/ Minha força não é bruta/ Não sou freira, nem sou puta/ Porque nem toda feiticeira é corcunda/ Nem toda brasileira é bunda”. Ícone dos movimentos feminista e modernista no Brasil da primeira metade do século 20, Pagu também era poeta.

Ana Cristina Cesar

Silvana assume a influência da poeta “marginal” Ana Cristina Cesar, da “geração mimeógrafo” dos anos 1970. Cujos versos “e a tarde pendurada no raminho de um/ fogáceo arborescente/ deixava-se ir/ muda feita uma coisa última”, do poema “Dias não menos dias”, parecem deitar seu jogo de luz e sombra em “Voyer”: “A tarde chega com todo seu esplendor de outono/ E, sem pedir licença, debruça sua beleza/ Nas hastes verticais da minha janela./ Uma mistura de cores silenciosas e espessas./ Eu, voyer em pudor”.

João Cabral de Melo Neto

Outra influência, Silvana diz que João Cabral de Melo Neto a marcou “pelo esmero com as palavras e a intensidade”. De fato, o “medo da morte” que o poeta maior de Pernambuco assume para encerrar seu “Os três mal amados” surge em “O último mandamento”. Onde, em meio a uma ceia “sobre o sangue/ coagulado pelos gritos/ De dor”, a poeta acrescenta mais um aos 10 mandamentos dados por Deus a Moisés: “Ah, meus inimigos!/ Onde estão?/ Fadas e duendes/ Visitas das alucinações etílicas/ Escrevem o último mandamento:/ ‘Não morrerás’”.

Clarice Lispector

O “último mandamento” é contradito por outras “metades” da obra de Silvana, em faz a junção de Macabéa, protagonista de “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, com o clássico do cinema “Blade Runner – O caçador de androides” (1982), de Ridley Scott. Que têm em comum a busca existencial das duas obras, reunidas numa terceira, “Time to die, Macabéa”: “Se finalmente encontrar/ A definição do que sou/ E o que resta de mim/ Dentro de uma metade/ Escreverei um final nada feliz/ Atropelado pela vontade de ficar/ Voando lento e molhada nas asas/ Da replicante Macabéa: ‘Time to die!’”.

Campos também bate ponto na obra de Silvana, como a Itabira do mineiro Carlos Drummond de Andrade, ou a Alexandria do grego Konstantinos Kaváfis. Em “Cidade…”: “Um vento nordeste/ insistente e larápio/ sopra lá na curva/ revolta, embaraça/ e levanta os cabelos, as saias/ e suspeitas…/ As águas serpenteadas do Paraíba/ vão inundando as margens profanas da cidade,/ Até o encontro do seu amor maior,/ O mar/ em Atafona”.

Manoel de Barros

A memória da sua cidade, inundada numa cheia famosa do mesmo Paraíba, se junta à do pai, quando a avó de hoje projeta da retina da menina de “1966”: “Tinha apenas sete anos/ Quando o rio abraçou a minha rua (…) E eu navegando com meus barquinhos de papel// Meu pai construiu uma ponte de madeira/ Ligando a nossa casa até a padaria da esquina// Ao longo da vida ele viria a construir outras pontes. Era um engenheiro de facilidades”, sentencia na influência semântica de Manoel de Barros, outra referência da poeta.

Título de dois poemas do livro lançado hoje, um escrito nos anos 1980, outro mais recente, “Solidão” também é tema recorrente na obra de Silvana. Nos versos mais antigos, a solidão “é travesseiro com cheiro de saudade”, “é poesia inacabada”. Nos mais recentes, “talvez eu seja apenas um mensageiro/ entre o que existo/ e o abstrato da busca”. Mas solidão se cura com outra boa autodefinição da poeta, em “Metamorphose”: “Sou o sonho/ Transformado em abraço”.

“Estou prenhe de palavras”, versejou a mãe de três filhos que, após 40 anos de poesia, nesta terça dá à luz o seu primeiro livro.

 

 

Cerveja irlandesa para brindar o Êxodo do Egito a Israel

 

Cercadas pelo Egito Édipo de hoje, as três grandes pirâmides de Gizé da janela do avião, em 26 de janeiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Era o início da manhã de quinta, 26 de janeiro. O pai ainda tinha à flor da pele a emoção da subida ao cume do Monte Sinai, com o filho, na madrugada do dia anterior. Fizeram o check out no hotel e foram ao aeroporto de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, Egito “europeu” na porção asiática do país de maior parte africana.

Para continuar a seguir os passos de Moisés, tinham comprado desde o Brasil as passagens a Tel Aviv, capital de Israel. Até que, no check in ao voo, foram encaminhados, por autoridades israelenses no Egito, a uma autoridade deste país. Que, bem mais deseducado, se limitou a informar que só poderiam sair pelo mesmo lugar que entraram: a capital Cairo, onde pai e filho tinham desembarcado, vindos da Holanda, há 20 dias.

O pai perguntou por que isso não havia sido informado na compra da passagem de Sharm el-Sheikh a Tel Aviv. E como seria ressarcido diante daquele impedimento que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Cujo objetivo é forçar sobre os visitantes estrangeiros uma reserva de mercado às companhias áreas do Egito. A autoridade do país deu de ombros, passando a atender um senhor que vivia o mesmo dilema.

Foram ao estande da única companhia aérea egípcia aberta, manhã cedo, no aeroporto de Sharm el-Sheikh. E compraram a passagem do primeiro voo ao Cairo. E, de lá, a Tel Aviv. O dia, assim que chegassem lá, estava praticamente perdido, mas era a única solução. Logo depois chegou o senhor também barrado no caminho mais curto e simples, pela mesma imposição da ditadura militar do Egito. Ele falava árabe em busca da mesma alternativa.

Pai, filho e o senhor árabe embarcaram de Sharm el-Sheikh ao Cairo no final da manhã. Lá, naturalmente se juntaram em direção ao portão do voo seguinte a Tel Aviv. Este identificado, foram os três a um café próximo, que permitia fumar. Como a França, o Egito também tinha espaço reservado ao consumo de tabaco nos aeroportos. Com uma peculiar diferença: entre os egípcios, os fumódromos funcionavam com as portas abertas. Na prática, só se fingia cumprir a lei e o respeito aos não fumantes.

Como esperado, o senhor árabe não falava português. Só que também falava inglês muito mal, o que dificultou a comunicação. Como pai e filho brasileiros, tampouco, falavam árabe, prevaleceu o esperanto do mesmo perrengue. Nele, a sentença do cronista Otto Lara Rezende extrapolou o horizonte montanhoso das Minas Gerais para se tornar universal: “o mineiro só é solidário no câncer”.

No café do aeroporto do Cairo, com a ajuda do tradutor do aplicativo celular, os companheiros involuntários de jornada trocaram nomes, origens e histórias em resumo. O senhor se chamava Bilal, era da Palestina, onde visitaria parentes e amigos a partir de Israel. Morava na cidade de Ismit, na Turquia, onde tinha uma serralheria de esquadrias de alumínio. Cujo movimento, exibiu orgulhoso no celular, acompanhava em tempo real pelas câmeras.

Comum entre os fumantes de cultura árabe, e o pai aprendera em 20 dias no Egito, trocou com o senhor palestino um cigarro, cada qual da sua marca, como gesto de cortesia e confiança. Entre tragos de nicotina e goles de café, Bilal se disse islâmico e perguntou da religião de pai e filho. Que responderam terem sido criados como católicos romanos. Indagou também o tamanho do Islã no Brasil e nas Américas. E ficou desapontado ao saber que seu credo é professado por parcela ínfima da população do país e continente, com as poucas mesquitas restritas aos seus maiores centros urbanos.

Após finalmente passarem pelo check in do voo a Tel Aviv, pai e filho não voltariam a se cruzar com o senhor palestino. Mas, país de contrastes ainda maiores que o Brasil, a saída do Egito reservava mais surpresas desagradáveis. Lotado de judeus, como era de se esperar em voo à capital de Israel, o ônibus que os levou do portão de embarque ao avião parou ao lado deste. E sem nenhuma explicação do motorista, separado dos passageiros pelo vidro, passou cerca de meia hora parado, sem refrigeração do ar condicionado, sob o sol forte do início da tarde.

No calor do veículo apinhado de gente, o pai se lembrou do filme “A Lista de Schlinder” (1993), de Steven Spielberg, sobre o Holocausto dos judeus pelos nazistas na II Guerra Mundial (1939/1945). Mais especificamente, da cena em que os judeus são amontoados em vagões de trem para transporte de gado, com destino aos abatedouros humanos dos campos de extermínio. Mas sem nenhum Schlinder a tentar atenuar o sofrimento alheio com água.

Personagem incrédula da cena, o pai ponderou se aquilo seria só mais um exemplo do caos do país do qual tentava sair desde o início da manhã. Ou se não teria se metido, com o filho, no meio de uma vendeta egípcia pelas derrotas, junto de outros países árabes, sofridas para Israel nas Guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). Cujas existências são simplesmente sonegadas no Museu Militar Nacional do Cairo, na mesma pretensão de reescrever a História que o bolsonarismo ambicionava ao Brasil. Era a ebulição do pensamento enquanto os corpos sufocavam trancados sob a luz mais quente do dia, no principal aeroporto do Egito.

Se o brasileiro pensava em explicações, os judeus do ônibus, todos com parentes exterminados em meio às cenas reais de “A Lista de Schlinder” na II Guerra, passaram a agir. Além dos protestos gritados, alguns passaram a socar os vidros das janelas. Só aí abriram a porta, revelando o motivo do atraso: não sabiam se as malas despachadas, empilhadas ao lado do avião, seriam daquele voo. E pediram que os passageiros identificassem as suas, para que fossem colocadas no compartimento de carga. Não era vingança, só incompetência.

Se tinha usado o Êxodo como bússola da viagem com o filho, o pai não esperava tantas dificuldades para seguir do Egito a Israel, três milênios depois. Incompetente para abrir o Mar Vermelho e sem 40 anos para caminhar, sobrevoou o Deserto do Sinai duas vezes no mesmo dia, na ida e volta irracionais da reserva de mercado de uma ditadura militar corrupta.

Antes de ultrapassar as nuvens, o pai observou da janela do avião as três grandes pirâmides de Gizé. Talvez, pela última vez. Agradecido pela vivência delas do chão, de Saqqara, de Tel el-Amarna, de Alexandria, de Aswan, de Abu Simbel, de Luxor, do Vale dos Reis, do Saara, do curso do Nilo e da afluência consigo no cume do Sinai, agradeceu também por conseguir sair daquele país Édipo, filho impotente de um Laio imortal.

Após cerca de 1h30 de voo, pai e filho desembarcaram em Tel Aviv. Tiraram o visto, esperaram as malas, trocaram dólares por shekels israelenses, pegaram o carro alugado desde o Brasil e acharam o hotel perto da praia mediterrânea de Jerusalém. Era noite. Fizeram o check in, deixaram as bagagens no quarto e foram, a pé, tomar uma Guinness no bar de rock da esquina.

A cerveja preta irlandesa desceu pela garganta em Israel. Tinha gosto de veludo e alívio. Afinal, islâmico, cristão, judeu ou ateu, todo mundo é filho de Deus.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Novela da pacificação tem semana de pé de guerra

 

Nildo Cardoso, Abdu Neme, Wladimir Garotinho e Frederico Paes na Prefeitura, que Thiago Rangel quer o apoio de Rodrigo Bacellar para disputar em 2024 (Fotos: redes sociais/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pacificação x contas de Rosinha

A pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), entra a próxima semana em xeque: presidente da Câmara Municipal por irmão de Rodrigo, Marquinho Bacellar (SD) marcou para esta quarta (15) a votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), relativas a 2016. O governo reconquistou recentemente a maioria mínima de 13 a 12, com os vereadores Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante). Mas, como o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomenda a rejeição, para aprovar as contas da mãe, Wladimir precisa de 2/3 dos 25 edis, ou 17 votos.

 

Oposição da Câmara na Alerj

“Sobre as contas da minha mãe, prefiro não me aprofundar no momento. Só registro que ele (Marquinho) está utilizando a pior maneira de esticar a corda: fazer mal à mãe de alguém”, declarou Wladimir à coluna. Na verdade, após perder a maioria mínima na Câmara que o fez presidente, Marquinho ficou nas cordas na negociação do acordo com o prefeito. Posição que tentou inverter ao colocar na sala o bode das contas de Rosinha. Como a pacificação foi costurada pelo governador Cláudio Castro (PL) e Rodrigo não quer se meter diretamente, a oposição buscou socorro em outro deputado estadual de Campos: Thiago Rangel (Podemos).

 

Wladimir x Thiago (I)

Eleito vereador e deputado estadual nas suas primeiras tentativas, respectivamente, em 2020 e 2022, Thiago quer disputar a Prefeitura de Campos em 2024 com Wladimir, hoje favorito à reeleição. Para ter chance, precisa do apoio de Rodrigo, que hoje disputa com Caio Vianna (PSD). Foi o que esta coluna adiantou em 1º de março. No dia 3, o deputado recebeu no Rio nove vereadores da oposição de Campos. No dia 5, postou em suas redes sociais a foto com um 10º. No dia 7, postou foto com Rodrigo. E, na última quarta, dia 8, fez um comentário, em postagem de Wladimir, ameaçando levar denúncias contra o prefeito à tribuna da Alerj.

 

Wladimir x Thiago (II)

Wladimir respondeu no mesmo dia, com acusações ainda mais pesadas contra Thiago. No dia seguinte (9), os dois comentários tinham sido apagados, mas os prints deles já tinham viralizado. Até para tentar elevar o nível do debate político da cidade, a coluna não irá reproduzir a troca de acusações. Mas, ao observador um pouco mais atento, ficou bem evidente que as acusações do deputado estadual contra o prefeito eram as mesmas feitas na tribuna da Câmara pelo vereador Igor Pereira (SD). O mesmo que, no final de 2019, foi o responsável pela perda da maioria parlamentar do então prefeito Rafael Diniz (Cidadania).

 

Histórico da disputa

Fato é que as contas de Rosinha já tinham sido reprovadas pela Legislatura passada, que acolheu o parecer do TCE. Sua anulação pela atual, sob a presidência de Fábio Ribeiro (PSD) no início do primeiro biênio, foi questionada por juristas. E foi ali que começou a perda da maioria parlamentar de Wladimir, consumada na reação à sua proposta de aumento da carga tributária, com apenas cinco meses de governo. Que seria ratificada com a eleição de Marquinho a presidente. Cuja maioria mínima perdeu depois que os edis Nildo e Abdu, em costura do vice-prefeito Frederico Paes (MDB), negociaram com o governo em separado.

 

Reta final

As inscrições do 1º Festival de Teatro e Contação de História de Campos prossegue até este domingo (12). Proposto a partir de uma emenda do, então, deputado federal Chico D’Angelo (PDT), o evento está previsto para junho e os interessados em participar devem acessar o edital, preencher e enviar um formulário disponível no site oficial da Prefeitura. Os espetáculos serão registrados em vídeo, para apresentação virtual. Podem concorrer pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, de natureza cultural, tais como cooperativas, produtoras, companhias ou grupos de teatro ou contação de histórias, de Campos e região.

 

Cerco às torcidas

Na reunião realizada na sexta (10), o governador Cláudio Castro anunciou medidas para coibir a violência de torcedores nos jogos de futebol. O encontro ocorreu no Palácio Guanabara, contou com a presença dos secretários de Polícia Militar, Polícia Civil e Esporte, do Procurador-Geral do Estado e representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público, dirigentes de clubes de futebol, além da Federação de Futebol do Estado do Rio. Segundo o governador, será implantado um plano de ação permanente e mais enérgico para aqueles que praticam atos de violência, como os da última semana.

 

Fora das arquibancadas

Com as novas medidas, que já valem a partir do próximo jogo, os clubes de futebol não poderão mais disponibilizar ingressos para torcidas organizadas. Além disso, a Raça Rubro-Negra, Jovem Fla, Força Jovem do Vasco, Young Flu e a Fúria do Botafogo estão, por tempo indeterminado, proibidas de frequentar todos os estádios de futebol do Estado do Rio. O governador também destacou o preparo das forças de segurança: “Fazemos grandes eventos, como o Carnaval e o Réveillon, que reúnem milhares de pessoas. Como não iríamos garantir a segurança entre duas torcidas de futebol?”, questionou Castro.

 

Com o jornalista Rodrigo Gonçalves.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.